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domingo, 28 de maio de 2017

ATIVIDADE FÍSICA FAVORECE A FERTILIDADE MASCULINA

Abandonar o sedentarismo dá fôlego extra aos espermatozoides. (Ilustração: Marcus Penna/SAÚDE é Vital) Percorrer a nado o canal vaginal, escalar o útero e, nas trompas de Falópio, ainda ter gás para um sprint final antes de penetrar o óvulo… Ufa! É um enorme desafio para a menor das células do homem cumprir sua prova de fogo. Só de preparo para o triatlo intrauterino, o espermatozoide malha por 2 meses no testículo, do seu nascimento à ejaculação – o tiro de largada, por assim dizer. Como você pode ajudá-lo a vencer a corrida e, 9 meses depois, receber um prêmio de valor inestimado? Ora, sirva de modelo e comece a suar a camisa. As evidências a favor desse benefício extra dos exercícios nasceram com os esforços de cientistas da Universidade Justus-Liebig, na Alemanha, e de instituições iranianas. Eles coletaram o sêmen (ou seja, espermatozoides mais o fluido que os transporta; também chamado de esperma) de 261 marmanjos e, então, mandaram 193 fazerem exercícios aeróbicos. Após um semestre, novas amostras foram analisadas. Aí os resultados saltaram aos olhos: nos ativos, a mobilidade e o formato dos espermatozoides haviam melhorado, o que não aconteceu com os 68 sedentários. Em resumo, os gametas masculinos estavam fortes e passaram a nadar mais rapidamente. “Nossas descobertas mostram que a atividade física pode ser uma estratégia simples, barata e eficiente de incrementar a qualidade do esperma”, conclui o fisiologista Behzad Maleki. Mas os pesquisadores foram além. Entre os participantes que saíram do marasmo, 66 treinaram em intensidade moderada, 62 em ritmo vigoroso e 65 de maneira intervalada – alguns minutos de canseira extrema intercalados com outros mais leves. Embora as três modalidades tenham gerado efeitos positivos, a primeira sagrou-se campeã. “Não estamos falando de uma caminhada devagar. Porém, é uma prática condizente com iniciantes dentro do peso adequado e sem doenças associadas”, interpreta o educador físico Tony Meireles, professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Por que o exercício faz bem para a fertilidade?

Para criar um time de espermatozoides de nível olímpico, o testículo precisa trabalhar em condições ideais. É aí que entra a atividade física. “Ela aprimora o fluxo sanguíneo e a chegada de oxigênio à região”, salienta o especialista em reprodução humana Isaac Yadid, diretor da Primordia Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro. Colocar o corpo pra se mexer constantemente também controla a inflamação e a produção de radicais livres. “Em excesso, esses processos degradam o ambiente testicular”, afirma o urologista Valter Javaroni, chefe do Departamento de Medicina Sexual e Infertilidade da Sociedade Brasileira de Urologia/Seccional Rio de Janeiro. Aliás, no estudo feito por alemães e iranianos, os autores escrevem: “Parece que os exercícios moderados […] acarretam melhorias mais acentuadas em marcadores inflamatórios”. Talvez isso explique por que uma intensidade menos extenuante seja especialmente bem-vinda. Os experts entrevistados por SAÚDE ainda são unânimes em afirmar que corridas e afins afastam problemas por trás da infertilidade, como obesidade e diabete. Se recorrermos de novo à pesquisa de Maleki, notaremos, por exemplo, que a perda de 3,1 quilos de peso foi associada a um acréscimo de 1 milhão de espermatozoides por ejaculação. Não é tanto se imaginarmos que de 200 a 500 milhões desses miniatletas são ejetados em uma única relação sexual, porém pode dar uma mãozinha. A questão que fica é: apesar de todas as benfeitorias, será que as passadas na esteira de fato ajudam o casal a engravidar? “Pelo trabalho em questão, não dá para cravar isso. Contudo, nele foram avaliados os mesmos índices que usamos no dia a dia para inferir a fertilidade masculina”, pondera Javaroni. Em outras palavras, os cientistas recorreram a métodos que, embora ofereçam apenas achados indiretos de sucesso, são comumente empregados e norteiam a conduta médica. De qualquer jeito, na pior das hipóteses sabe-se que a atividade física ao menos aumenta a libido, fator que obviamente contribui para as chances de conceber um filho. Só vale ressaltar que os integrantes da investigação já eram considerados saudáveis. Logo, não dá pra ter certeza se sujeitos com alguma doença capaz de piorar a fecundidade – caso da varicocele, que afrouxa as veias dos testículos – gerarão filhos com mais facilidade ao praticar esporte. Agora, tanto o urologista Jorge Hallak, diretor da clínica Androscience e professor da Universidade de São Paulo, quanto Javaroni alegam que a movimentação regular pode evitar a necessidade da fertilização in vitro ou catapultar as probabilidades de sucesso do procedimento, o que inclusive economizaria dinheiro. Já Yadid, que participou da equipe responsável pelo primeiro bebê de proveta brasileiro, é reticente: “As técnicas de reprodução assistida não dependem de exercício físico para funcionarem. Com uns poucos espermatozoides vivos, consigo oferecer um bom resultado”.

Precisamos falar de limites

Em seu consultório, Hallak receita exercício físico (e alimentação equilibrada) a todos os pacientes. Mesmo sendo um defensor das sessões frequentes de agito, ele pede para não abusar. “O excesso crônico reduz a concentração de testosterona e afeta a fertilidade”, adverte. Essa linha entre o saudável e o exagerado varia entre cada indivíduo. Até por isso, deve ser definida com apoio profissional. Dores prolongadas, palpitações, tontura e insônia após uma visita à academia sugerem que você extrapolou. E um último alerta: não se renda aos anabolizantes. “Eles inibem a fabricação do hormônio masculino no testículo. Isso compromete as chances de engravidar a mulher e até piora o sexo”, esclarece Hallak, que conduziu um estudo sobre o tema. “Não há uma dose segura desses produtos”, arremata. Para vencer a prova de sua vida e deixar um legado à próxima geração, o espermatozoide depende de seu esforço – e seu bom senso.

E nas mulheres?

Existem levantamentos, embora não definitivos, indicando que o sexo feminino também se torna mais fértil ao incorporar a atividade física no cotidiano. Na contramão, esforços pesados demais bagunçam os hormônios – é o caso das atletas que chegam a parar de menstruar. Aí não tem jeito: a probabilidade de virar mãe cai bastante. Assim como eles, elas precisam incluir a palavra “moderação” no treino. fonte: http://saude.abril.com.br/medicina/atividade-fisica-favorece-a-fertilidade-masculina/

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

EXPULSE A DOR DA SUA VIDA

Um médico conta como sarar mais rápido, treinar com inteligência e ter um corpo à prova de lesões No meu primeiro ano da faculdade de medicina, eu jogava futebol. Em uma partida com o pessoal, descolei uma vaga de atacante. Então, lá estava eu – cara a cara com o goleiro. Tentei fazer um drible rápido para a direita e, de repente, senti algo se rasgando e uma dor horrível no meu joelho direito. Na hora fiz um autodiagnóstico: rompimento do ligamento – o que foi confirmado depois no hospital. Não queria fazer uma cirurgia e, por isso, convivi com o problema – que não incomodava no começo – por algumas semanas. Eu esperava que, de alguma maneira, a lesão se resolveria sozinha. Mas toda vez que virava meu joelho depois daquele dia, sentia a instabilidade. Tive que entrar na faca.O que eu ainda não sabia na época é que poderia ter evitado a lesão com exercícios preventivos – que deixam os músculos em volta do joelho reforçados. O fato é que ter ficado de molho foi um pouco traumático para mim, que adoro esportes. Isso se tornou um incentivo para estudar medicina esportiva e escrever este artigo. Se você está machucado ou sente dor, meu objetivo é ajudá-lo. Eu quero ver você de volta no time o mais rápido o possível. Vamos lá? DÊ A VOLTA NA DOR A primeira coisa que você ouve quando se machuca são quatro mandamentos: descanso, gelo, compressão e elevação. O senso comum diz que o melhor tratamento para lesões – em especial luxações e torções – é largar o exercício, aplicar gelo algumas vezes ao dia durante as primeiras 48 horas, fazer compressão (apertar com uma faixa, por exemplo) e levantar a parte do corpo afetada para diminuir o fluxo sanguíneo, a dor e o inchaço. A maior parte de tudo isso funciona mesmo. Só não abuse dos quatro passos – eu até discordo de um deles. Vou explicar o porquê. Adoro gelo – é um anti-inflamatório natural. A compressão e a elevação são boas, mas apenas em algumas lesões (nunca pressione se houver compressão de nervo, por exemplo).Mas, para mim, a cura é um processo em duas etapas: primeiro, pare o que você está fazendo. Depois, continue. Ficou confuso? O que eu quero dizer é que, se você sofreu uma lesão, interrompa a atividade que a causou. E, depois, recomece a se exercitar para valer. Uma lesão não concede férias da boa forma ou do treino. Você deve continuar a malhar, mesmo que precise ir com calma com uma parte específica do corpo, para que (apenas) ela possa sarar. A razão disso tem base científica. Cada vez mais, os médicos estão deixando de lado a recomendação de descanso e incentivando os pacientes lesionados a fazer alguma atividade física. Eu sou parte deste time. Por exemplo, no caso da osteoartrite (forma mais comum de artrite), nós costumávamos prescrever ao paciente descanso e medicação. Agora, estudos mostram que os exercícios que constroem músculo melhoram a função da articulação e, combinados com perda de peso, dão mais qualidade de vida do que apenas a medicação. O real motivo do seu machucado Algumas lesões graves podem ser curadas ou evitadas se você descobrir a causa verdadeira de cada uma delas
1. Talvez você tenha dormido de mau jeito. Mas se a dor não passa… A CAUSA: Os nervos no alto da coluna controlam a função motora e sensorial dos braços. Quando você inclina ou torce o pescoço, os nervos comprimem. A SOLUÇÃO: À medida que a dor diminuir, entrelace as mãos atrás do pescoço. Incline o pescoço para frente e aperte as suas escápulas. Interrompa e volte à posição inicial. Repita por até 10 vezes. Quando estiver sem dor, desenvolva a força do pescoço, encolhendo e relaxando os ombros. 2. Algo não vai bem. Será hérnia de disco? Calma, não pense nisso ainda. A CAUSA: Fraqueza e tensão nos tendões da perna, glúteos e quadril forçam os músculos das costas a se estenderem para compensar. A SOLUÇÃO: Mantenha-se em movimento e tome anti-inflamatórios. Use gelo nas primeiras 48 horas e calor depois disso. Quando a dor diminuir, comece com alongamentos suaves. E quando sumir, acrescente afundos, exercícios para a região central do corpo e agachamento. 3. Parece uma lesão na virilha. Mas fique atento se não melhorar. A CAUSA: Pode ser hérnia esportiva – a compressão ou ruptura dos músculos ou tendões –, causada por desequilíbrio entre adutores e abdominais. A SOLUÇÃO: Infelizmente, a cirurgia é a solução para a maioria das hérnias. Mas você pode prevenir o problema. A chave é cuidar do desequilíbrio muscular treinando os músculos da parte central do corpo. Invista de cinco a seis minutos diários de prancha, além do seu treinamento regular. 4. A dor ao redor do joelho faz você pensar em artrite ou ruptura do menisco. A CAUSA: Se os músculos do quadril, quadríceps e glúteos estão fora de forma ou desequilibrados, a pélvis oscila. Isso pressiona os joelhos. A SOLUÇÃO: Aposte no descanso dinâmico. Assim que a dor diminuir, faça agachamentos, saltos, afundos multidirecionais e pranchas para estabilizar a pélvis. Comece aos poucos e, com o tempo, aumente – chegue até a 10 ou 12 repetições em duas ou três séries. Faça em dias alternados. 5. Você está pronto para culpar os sapatos ou o excesso de corrida. A CAUSA: A fáscia plantar do pé é ligada aos músculos da panturrilha pelo tendão de Aquiles. Panturrilhas tensas podem luxar a fáscia. A SOLUÇÃO: Sente-se no chão com a perna estendida e posicione um rolo de espuma abaixo do tornozelo. Cruze uma perna sobre a outra. Com as mãos abertas no chão, role para a frente, para que a espuma fique debaixo do joelho. Role de volta. Repita por três minutos e mude de perna. O que você precisa entender é que pode controlar a dor com a força. E não é só isso. Os neurotransmissores do bem-estar produzidos pelo exercício (serotonina e dopamina) agem de forma parecida com as drogas, fazendo dele nossa forma mais saudável de melhorar o humor. Proibir a atividade pode ser clinicamente deprimente para as pessoas. Foi o que senti quando machuquei o joelho e não podia me exercitar. Acredito que o descanso total é uma insensatez, e até, em termos médicos, pouco saudável. E para combater todos esses pontos negativos, é preciso suar a camisa. Se fizer isso, você vai preservar um pouco do condicionamento. Vai obter sua dose de bem-estar. Vai se sentir melhor. Vai ficar mais confiante. E vai aprender que nenhuma lesão é o fim do mundo. Faça disto um mantra: exercício é remédio. É a forma mais fácil de se sentir feliz e saudável. Então, como você se exercita enquanto está lesionado? Pratique o que eu chamo de “descanso dinâmico”. Isso significa duas coisas: a primeira é dar um tempo à parte lesionada do corpo e fazer o que for necessário para tratá-la (valem remédios caseiros, como gelo ou alongamento, ou algo prescrito por um médico e até fisioterapia monitorada). Em segundo lugar, seja dinâmico e mantenha-se em movimento no meio dessa recuperação. Veja aqui como. 1. Exercite suas opções Se você distender o tornozelo, por exemplo, faça algo que não sobrecarregue essa parte do corpo. Vá para a piscina. Concentre-se no treinamento com halteres para a parte superior do corpo. Problema no ombro ou no cotovelo? Corra e faça exercícios pliométricos (movimentos realizados contra a força da gravidade) para a parte inferior do corpo. Problemas nas costas? Mexa-se. Ande. Arraste-se, se for preciso. Descansar costas que doem apenas deixa os músculos fora de forma e ainda mais fracos Seja qual for a lesão, não ataque a dor de frente, contorne-a. Encontre algo que não agrave o problema e nunca, mas nunca mesmo, fique em “repouso total”. 2. Pegue pesado sempre Seja qual for sua atividade substituta, não deixe de manter a intensidade. Você vai ficar com o coração batendo e os pulmões ofegantes para manter seu sistema cardiovascular em dia. Talvez até o melhore neste período. E o esforço vai liberar os neurotransmissores que o tornarão a pessoa lesionada mais feliz do mundo. Desenvolva um corpo blindado Para prevenir a próxima lesão, eu recomendo que você treine todo o corpo. Trabalhe todos os grupos musculares – mesmo que você faça apenas um esporte. Nos fins de semana, dou aulas de força pliométrica, que envolvem movimentos funcionais que preparam você para os desafios do dia a dia. Sou fã disso. O método estimula toda a sua cadeia cinética, inclusive músculos, ligamentos, articulações e tecido conectivo, do pescoço até os pés. A cadeia cinética funciona como um único sistema – músculos do pé trabalham com os tornozelos, que trabalham com as panturrilhas, que trabalham com os joelhos, que trabalham com os quadríceps, jarretes e quadris, e assim por diante. Por isso, o condicionamento total ajuda a evitar machucados – é sempre ao redor do elo fraco que o problema aparece. Veja sugestões para aumentar o condicionamento total e atingir áreas do corpo que muitos deixam de lado. 1. Misture os exercícios Sempre que puder, trabalhe músculos diferentes em um único movimento. Se você fizer um afundo, por exemplo, faça-o segurando uma bola de peso e acrescente uma rotação da parte central do corpo. 2. Trabalhe uma perna só Nas minhas aulas de força e condicionamento, faço as pessoas realizarem agachamentos, saltos e afundos com uma perna só. Isso permite usar o peso do próprio corpo e manter o equilíbrio. Quando você acrescenta isso ao treino, nota o aumento na força e na estabilidade dos tornozelos, joelhos e quadris – os pontos mais vulneráveis. 3. Contraia-se Se você faz atividades que usam sempre os mesmos músculos – corrida e ciclismo – adicione exercícios pliométricos e intervalados na rotina. Eles são vitais para manter o equilíbrio entre as fibras de contração muscular rápida e lenta. Para os pliométricos, opte por saltos com agachamento e afundos. Repita até não aguentar mais! Nos sprints, escolha um intervalo de tempo adequado ao seu condicionamento. Isso varia de 10 segundos trabalhando e 10 descansando a 60 segundos intensos e 30 de descanso. 4. Junte-se às mulheres Ioga e pilates! Não torça o nariz. Essas práticas dão flexibilidade e deixam a movimentação mais fluida. O pilates também dá um reforço para o core e as costas. 5. Seja amassado Sou adepto da massagem. Além de relaxar, dá um up na elasticidade dos músculos. E um bom massagista identifica onde o corpo esconde tensões crônicas – o que pode significar problemas no futuro. 6. Recupere-se com sono Se você não aproveitar mais nada entre as minhas dicas, saiba pelo menos que dormir é a atividade mais importante do seu dia. O sono dá ao seu corpo a oportunidade de se regenerar – ele recupera e aumenta a estrutura do músculo, fortalece os ossos, reabastece as células vermelhas do sangue e se envolve em outros processos decisivos. Dormir bem e por tempo suficiente significa um desempenho atlético melhor e menor chance de dar um tropeção à toa por aí. Quando você deve mesmo ir ao médico? Muitas lesões podem ser autodiagnosticadas. Mas nos três casos seguintes, é melhor deixar um profissional examinar você 1. Se você tem alguma dor, inchaço ou instabilidade em uma articulação. Se as juntas doem – em especial joelho, quadril, ombro ou cotovelo – vá ao médico. Se a área também fica vermelha e quente ao toque, vá com urgência, pois é sinal de infecção. 2. A lesão envolve perda de consciência ou memória. Estou falando, aqui, sobre uma possível contussão, cara. Não seja burro. Mesmo a menor lesão cerebral precisa ser examinada por um médico – não por um colega, não por um treinador. 3. A dor que não passa. Mesmo que você não se cuide, de uma forma ou outra, toda luxação, distensão ou dor deve mostrar melhora em um período de uma semana a dez dias. Se isso não acontecer – ou piorar – corra para a clínica. FONTE : MENSHEALTH