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segunda-feira, 7 de julho de 2014

ANESTESIA: UM GRANDE MISTÉRIO MÉDICO

Se tem uma coisa que agradecemos imensamente por ter sido descoberta, essa coisa é a anestesia. Esse grande avanço médico nos permite perder a consciência durante cirurgias e outros procedimentos dolorosos, o que é ótimo para nós. O problema é que os cientistas não estão inteiramente certos de como ela funciona – simplesmente não há uma maneira objetiva de medir se nosso cérebro está “acordado” ou não, e é por isso que algumas pessoas permanecem imóveis, mas conscientes em salas de cirurgia, sofrendo em silêncio, o que não é tão ótimo para nós. Para terminar de agradecer à ciência, agora estamos chegando mais perto de resolver o mistério da anestesia – e, de quebra, da própria consciência também. ANESTESIA EM NÚMEROS A anestesiologia percorreu um longo caminho desde 1846, quando um médico no Hospital Geral de Massachusetts (EUA) colocou uma garrafa com um líquido perto do rosto de um paciente até ele ficar inconsciente. Apesar dos avanços, até 1940, a anestesia ainda era algo arriscado. Naquela época, uma em cada 1.500 mortes pré-operatórias eram atribuídas a ela. Esse número tem melhorado dramaticamente, principalmente por conta de progressos técnicos e em produtos químicos, padrões de segurança modernos e um influxo de anestesistas credenciados. Hoje, a possibilidade de um paciente saudável sofrer uma morte devido a anestesia é inferior a 1 em 200.000, ou seja, uma chance de 0,0005% de fatalidade – muito boas chances especialmente se você considerar a alternativa, que é a de ficar acordado durante o procedimento cirúrgico. Deve-se salientar, no entanto, que as mortes relacionadas com a anestesia estão aumentando, principalmente pelo envelhecimento da população. Considerando “pacientes não saudáveis”, a taxa de mortalidade em todo o mundo durante a anestesia é de cerca de 1,4 mortes por 200.000 pessoas. Já o número de mortes no prazo de um ano após a anestesia geral é de cerca de um em cada 20. Para pessoas com idade acima de 65 anos, é de uma a cada 10. A razão para esses números altos, segundo o anestesista André Gottschalk, é que a anestesia pode ser estressante para pacientes idosos com problemas cardíacos ou pressão arterial elevada, e cada vez mais essas pessoas precisam de cirurgias. E morrer não é o único perigo associado com a anestesia. Ela pode induzir uma condição conhecida como delírio pós-operatório, um estado de confusão grave e perda de memória. Após a cirurgia, alguns pacientes se queixam de alucinações, têm dificuldade em responder a perguntas, e esquecem por que estão no hospital. Estudos têm mostrado que cerca de metade de todos os pacientes com 60 anos ou mais sofrem com esse tipo de delírio. Esta condição geralmente desaparece após um dia ou dois. Para algumas pessoas, geralmente com mais de 70 anos de idade e com histórico de déficits mentais, uma alta dose de anestesia pode resultar em problemas persistentes por meses e até anos depois, incluindo problemas de atenção e memória. ANESTESIA X CONSCIÊNCIA Normalmente, a anestesia é iniciada com a injeção de um medicamento chamado propofol, que proporciona uma transição rápida e suave para a inconsciência. Em cirurgias mais longas, um anestésico inalado, como isoflurano, é usado com conjunto para se obter um melhor controle da profundidade da anestesia. Os neurocientistas não sabem como produtos químicos como o propofol funcionam exatamente – e nem vão saber, até entenderem completamente a própria consciência. Quando alguém está anestesiado, sua atividade cerebral e cognição continuam ativas, mas sua consciência se “desliga”. Por exemplo, um estudo mostrou que ratos podem “lembrar” de cheiros que sentiram enquanto estavam sob anestesia geral. Os pesquisadores precisam traçar os correlatos neurais da consciência – variações na função cerebral que podem ser observadas quando uma pessoa passa de estar consciente a inconsciente – para entender a consciência e, consequentemente, a anestesia. Essas variações podem ser certas ondas cerebrais, respostas físicas, sensibilidade à dor, enfim, qualquer coisa; só precisam estar correlacionadas diretamente à consciência. Os cientistas sabem que a anestesia incapacita várias proteínas diferentes na superfície de neurônios, que são essenciais para a regulação do sono, atenção, aprendizagem e memória. Mas, mais do que isso, ao interromper a atividade normal dos neurônios, os anestésicos perturbam as comunicações entre as diversas regiões do cérebro que, em conjunto, provocam inconsciência. Mas não descobrimos ainda qual região ou regiões do cérebro são responsáveis por esse efeito. Na verdade, pode não ser uma coisa só. De acordo com a teoria do “espaço de trabalho global”, a consciência é um fenômeno amplamente distribuído, onde a informação recebida é processada em regiões separadas do cérebro sem que estejamos conscientes disso. A subjetividade só acontece quando esses sinais são transmitidos para uma rede de neurônios em todo o cérebro que dispara em sincronia. Sendo assim, os anestésicos podem provocar inconsciência bloqueando a capacidade do cérebro de integrar corretamente as informações. Segundo o pesquisador Andres Engels, a comunicação de longa distância do cérebro fica impedida durante a anestesia, de modo que ele não pode construir o espaço de trabalho global. VOLTANDO À CONSCIÊNCIA Há também a ciência de sair da inconsciência – outra coisa que não entendemos completamente. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) dizem que o retorno da atividade cerebral consciente ocorre em grupos distintos do cérebro, de maneira não uniforme. “A recuperação da anestesia não é simplesmente o resultado do fim do efeito do anestésico, mas também do cérebro encontrar o seu caminho através de um labirinto de possíveis estados de atividade para permitir a experiência consciente de novo”, observou o pesquisador Andrew Hudson. “Simplificando, o cérebro reinicia-se”. De um modo semelhante, outro estudo sugeriu que a confusão pós-operatória pode ser devido ao cérebro revertendo a um estado evolutivo mais primitivo, uma vez que passa por esse processo de “reinicialização”. FONTE: io9.com/how-does-anesthesia-work-doctors-arent-sure-and-her-1592809615

terça-feira, 15 de abril de 2014

CONHEÇA OS TIPOS DE ANESTESIA

A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso. Graças à anestesia, os médicos são capazes de realizar cirurgias e outros procedimentos invasivos sem que o paciente sinta dor. Para entendermos como funcionam as anestesias, vale a pena uma rápida explicação sobre o que é a dor.A dor é um dos mecanismo de defesa mais importantes do nosso organismo, sendo ativada toda vez que um tecido nosso esteja sofrendo algum tipo de estresse ou injúria. Inicialmente, pode parecer estranho pensar que um mecanismo que serve para nos proteger provoque um sensação tão ruim quanto a dor. Mas, pense bem, se você encostar em uma superfície muito quente, o seu cérebro precisa lhe avisar para retirar a mão o mais depressa possível, antes que você sofra queimaduras graves. O melhor modo para que você responda imediatamente, sem pensar e sem questionar, é fazer-lhe sentir que aquela ação de encostar no calor seja algo extremamente desconfortável. Com a dor, você não só vai retirar a mão o mais rápido possível, como não irá querer pô-la de volta de modo algum.Para podermos sentir dor, é preciso haver receptores para identificar lesões dos tecidos e nervos sensitivos especializados em transportar a sensação de dor. Nossa pele, por exemplo, é amplamente inervada por nervos sensitivos capazes de reconhecer eventos traumáticos mínimos. Quando sofremos um corte, uma queimadura, uma picada ou qualquer outra injúria do tecido da pele, estes nervos são ativados, enviando rapidamente sinais elétricos em direção à medula espinhal, que por sua vez, transporta-os para o cérebro, onde a sensação de dor é reconhecida.Portanto, se quisermos bloquear a sensação de dor, podemos agir em três pontos: 1. No local exato onde a injúria está ocorrendo, através do bloqueio dos receptores da dor presentes na pele.2. Na medula espinhal, bloqueando um sinal doloroso vindo de um nervo periférico, impedindo que o mesmo continue seu trajeto e chegue ao cérebro.3. No cérebro, impedindo que o mesmo reconheça os sinais dolorosos que chegam a si.Esse três modos de agir sobre a dor são os mecanismos básicos da anestesia local, anestesia regional e anestesia geral, respectivamente.OBJETIVOS DA ANESTESIA:O objetivo principal de qualquer uma das 3 modalidades de anestesia é bloquear a sensação de dor.Nos procedimentos simples, onde apenas uma anestesia local é necessária, a única função da anestesia é mesmo cortar a dor. Todavia, em casos de cirurgia, principalmente as de grande porte, não basta apenas retirar a dor. Nestes, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico. TIPOS DE ANESTESIA Como já referido, existem basicamente 3 tipos de anestesia: anestesia geral, anestesia regional e anestesia local. Vamos falar resumidamente sobre cada uma delas.1. Anestesia geral: é a modalidade anestésica indicada para as cirurgias mais complexas e de grande porte. Indicamos a anestesia geral quando o procedimento cirúrgico é muito complexo, não sendo viável anestesiar apenas uma região do corpo. É importante notar que o tipo de anestesia indicado para cortes na pele é completamente diferentes da anestesia que precisa ser feita quando se vai cortar uma parte do intestino ou retirar um órgão do abdômen. Em cirurgias extensas não é possível bloquear diferentes camadas e tecidos do organismos apenas com anestésicos locais. Na anestesia geral, o paciente fica inconsciente, incapaz de se mover e, habitualmente, intubado e acoplado a um respirador artificial. Um dos motivos do paciente não sentir é pelo fato do mesmo estar profundamente sedado, como se o cérebro estive parcialmente “desligado”. Existe o mito de que a anestesia geral seja um procedimento anestésico perigoso. Não é verdade. Atualmente, a anestesia geral é procedimento bastante seguro. Na maioria dos casos, quando o paciente submetido a uma cirurgia extensa apresenta complicações, o motivo não é a anestesia geral. As complicações são geralmente derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como problemas cardíacos, renais, hepáticos ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.Em pacientes saudáveis, a taxa de complicação da anestesia geral é de apenas 1,4 para cada 1 milhão de cirurgias. Portanto, problemas com anestesia geral são semelhantes a acidentes de avião: são raros, mas assustam, porque quando ocorrem, há intensa exposição na mídia, levando à falsa impressão de que são frequentes.2. Anestesia regional:é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente pode permanecer acordado. Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do corpo, como um braço, uma perna ou toda região inferior do corpo, abaixo do abdômen.Os 2 tipos de anestesia regional mais usados são:- Anestesia raquidiana (ou raquianestesia);- Anestesia peridural. 1. ANESTESIA RAQUIDIANA Para realizar a anestesia raquidiana, uma agulha de pequeno calibre é inserida nas costas, de modo a atingir o espaço subaracnoide, dentro da coluna espinhal. Em seguida, um anestésico é injetado dentro do líquido espinhal (liquor), produzindo dormência temporária e relaxamento muscular. A presença do anestésico dentro da coluna espinhal bloqueia os nervos que passam pela coluna lombar, fazendo com que estímulos dolorosos vindos dos membros inferiores e do abdômen não consigam chegar ao cérebro.A raquianestesia é muito usada para procedimentos ortopédicos de membros inferiores e para cesarianas. 2. ANESTESIA PERIDURAL:A anestesia peridural é muito semelhante a anestesia raquidiana, porém há algumas diferenças:1- Na anestesia peridural o anestésico é injetado na região peridural, que fica ao redor do canal espinhal, e não propriamente dentro, como no caso da raquianestesia.2-Na anestesia peridural, o anestésico é injeto por um cateter, que é implantado no espaço peridural. Enquanto na raquianestesia o anestésico é administrado por uma agulha uma única vez, na anestesia peridural o anestésico fica sendo administrado constantemente através do cateter.3-A anestesia peridural pode continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor nas primeiras horas após a cirurgia. Basta manter a infusão de analgésicos pelo cateter.4- A quantidade de anestésicos administrados é bem menor na anestesia raquidiana.A anestesia peridural é comumente usada durante o parto normal.A complicação mais comum das anestesias raquidianas e peridurais é a dor de cabeça, que ocorre quando há extravasamento de liquor pelo furo feito pela agulha no canal espinhal. Essa perda de líquido provoca uma redução da pressão do liquor ao redor de todo o sistema nervosos central, sendo esta a causa da dor de cabeça. 3. ANESTESIA LOCAL: é o procedimento anestésico mais comum, sendo usado para bloquear a dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades.A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. Ela serve para bloquear a dor em uma variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural, etc.A anestesia local também pode ser feita através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incômodo pela passagem do endoscópio.A anestesia local funciona bloqueando os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, impedindo que os mesmos consigam enviar sinais doloroso para o cérebro.FONTE:http://www.mdsaude.com/2012/11/tipos-de-anestesia.html#ixzz2yn7gZZBl

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

COMO ATUAM OS DIFERENTES TIPOS DE ANESTESIA

Para começo de conversa, eles se dividem em dois grupos principais: o das anestesias gerais, que tiram a sensibilidade do corpo inteiro, e o das chamadas loco-regionais, que só têm efeito no local onde são aplicadas. "Ambos têm a função de impedir, durante um certo tempo, a transmissão de impulsos nervosos, sejam de dor ou de movimento. Mas, no caso da anestesia geral, o paciente também fica inconsciente", diz o anestesiologista David Ferez, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo. O que nem todo mundo sabe é que profissionais como ele também são responsáveis pelo bom funcionamento do organismo do paciente durante a cirurgia. "Muita gente pensa que, depois de anestesiar a pessoa, nós saímos de cena.
Na verdade, é o anestesista quem mantém vigilância sobre a respiração, os batimentos cardíacos, a temperatura, a hidratação e a pressão arterial, entre outras funções vitais, tornando-se indispensável na sala cirúrgica. Além disso, ele tem que estar pronto para aplicar novas doses da anestesia se a cirurgia precisar ser prolongada além do previsto", afirma Ricardo Vieira, anestesiologista do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. A anestesia geral é inalada pelo paciente ou injetada diretamente na corrente sangüínea. Quando ela chega ao córtex (região do cérebro responsável pela sensibilidade e pelos movimentos do corpo), bloqueia temporariamente seu funcionamento. As anestesias locais, por sua vez, se dividem em três tipos: bloqueios tronculares (injetados perto dos nervos que recebem impulsos de dor naquela região específica), raquianestesia e peridural (injetadas na região lombar, onde se concentram os nervos responsáveis pelo movimento e pela sensibilidade dos membros inferiores.
Nocaute químico
A anestesia geral deixa o paciente imóvel e sem nenhuma sensibilidade
1. Existem dois tipos de anestesia geral - inalatória e intravenosa -, com uma diferença básica: a forma de aplicação. Ambos usam um coquetel de substâncias hipnóticas (que fazem o paciente dormir), analgésicas (que bloqueiam a dor) e relaxantes musculares. Com a máscara de inalação, elas são absorvidas pelos pulmões e vão diretamente ao sangue
2. A corrente sangüínea leva a anestesia para o córtex (região do cérebro responsável pelos cinco sentidos e pelos movimentos físicos), bloqueando suas funções. No caso da anestesia geral intravenosa (injetada diretamente no sangue), o efeito é mais rápido.

Comunicação interrompida
Existem três tipos de anestesia local, dois deles para a metade inferior do corpo:
1. Bloqueio Troncular
A anestesia é aplicada perto dos nervos (mas jamais diretamente neles) ou junto dos chamados plexos: redes formadas pelas ramificações nervosas. Se ela for injetada, por exemplo, no plexo braquial (rede nervosa dos braços), todos os nervos menores que saem desse plexo também são imobilizados - desde o ombro até a ponta dos dedos.

2. Raquianestesia
Também conhecida como "raqui", recorre-se a ela quando é preciso anestesiar o corpo da cintura para baixo. Sua vantagem é necessitar de menos medicamento, já que a aplicação é feita diretamente no líquor (o líquido no interior da medula, que banha todo o sistema nervoso). Mas, por ser injetada em local tão delicado, ela só pode ser aplicada uma única vez por cirurgia. Por isso, os médicos têm de completar seu trabalho em quatro horas, o tempo de duração do efeito anestésico.

3. Peridural
O terceiro tipo de anestesia local também é usado para cirurgias abaixo da cintura, mas a agulha pára um pouco antes da raqui (acima) - sem atingir o líquor, ficando na periferia da medula (daí seu nome). A anestesia é absorvida aos poucos pela membrana que protege o sistema nervoso central: a duramáter. Ao contrário da raqui, possibilita a colocação de um catéter, por onde mais anestesia pode ser aplicada.

Fonte:MundoEstranho