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sábado, 31 de maio de 2014
ANTIBIÓTICOS : TIPOS E INDICAÇÕES
O advento dos antibióticos no final da década de 1920 revolucionou a ciência e trouxe a medicina para a era moderna. Pela primeira vez fomos capazes de combater e vencer bactérias causadoras de diversas infecções, a principal causa de mortalidade à época. Neste texto vamos falar das principais classes de antibióticos, procurando explicar sucintamente o porquê do seu uso.
O QUE É ANTIBIÓTICO?
Consideramos antibiótico toda a substância capaz de matar ou inibir o crescimento de bactérias. Os antibióticos podem ser bactericidas, quando destroem diretamente as bactérias, ou bacteriostáticos, quando impedem a multiplicação das mesmas, facilitando o trabalho das nosso sistema imune no controle da infecção.
Para ser efetivo e tolerável, o antibiótico precisa ser uma substância nociva às bactérias, mas relativamente segura para as nossas células. Isso não significa que não possa haver efeitos secundários, mas por definição, um antibiótico deve ser muito mais tóxico para germes invasores do que para o organismo invadido. De nada adiantaria matar bactérias que causam a pneumonia se também estivéssemos matando as células do pulmão.
O primeiro antibiótico descoberto foi a penicilina, em 1928, pelo bacteriologista inglês, Alexander Fleming. A sua descoberta ocorreu por acaso quando suas placas de estudo com a bactéria estafilococos foram acidentalmente contaminadas por um fungo do gênero penicillium. Fleming notou que ao redor destes fungos não existiam bactérias, o que o levou a descobrir a penicilina, uma substância bactericida produzida por estes seres.
Atualmente os antibióticos são substâncias sintéticas, produzidos em laboratórios, muitos deles derivados de substâncias naturais como é o caso da penicilina.
Atenção: não confundir antibióticos com anti-inflamatórios.
COMO UM ANTIBIÓTICO INDUZ RESISTÊNCIA?
Um dos maiores problemas da medicina moderna é o uso indiscriminado dos antibióticos, o que tem levado ao surgimento de bactérias resistentes aos mesmos. Quando os primeiros antibióticos começaram a ser comercializados, tinha-se a ideia de que as doenças infecciosas estavam com os dias contados, e que era apenas uma questão de tempo para estarmos livres de qualquer tipo de infecção bacteriana. Porém, conforme o uso de novos antibióticos foram se tornando mais disseminados, cepas resistentes de bactérias foram surgindo e multiplicando-se, criando-se, assim, um ciclo vicioso que persiste até os dias atuais. Quanto mais antibióticos criamos, mais bactérias resistentes surgem.
Mas se o antibiótico mata as bactérias, como ele induz a criação de cepas resistentes? A resistência aos antibióticos pode ser entendida através das leis da evolução e da seleção natural. Acompanhe o texto junto à ilustração abaixo.
MECANISMO DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS
Vamos imaginar uma infecção urinária causada pela bactéria E.coli. Quando há uma cistite, estamos falando de milhões de bactérias atacando a bexiga. Essas bactérias são da mesma espécie, mas não são exatamente iguais; não são clones. Quando escolhemos um antibiótico, optamos por aquele que é eficaz contra a maioria das bactérias presentes. Nem sempre o antibiótico mata 100% das bactérias. O que acontece é que se reduzirmos o número de bactérias para 5% ou 10%, a infecção desaparece porque nosso sistema imune é capaz de controlar o que sobrou.
Porém, muitas vezes o nosso organismo não consegue se livrar completamente destas bactérias, permitindo que as mesmas se reproduzam e causem uma nova infecção, agora composta apenas por bactérias resistentes ao antibiótico escolhido inicialmente.
Este é um exemplo simplificado do que ocorre na realidade. Geralmente são necessários alguns cursos repetidos do mesmo antibiótico, ao longo de meses ou anos, para que surjam bactérias resistentes. Este processo é nada mais do que a seleção natural, onde os mais fortes sobrevivem e passam seus genes para seus descendentes.
Algumas espécies de bactérias são propensas a criar resistência, assim como alguns antibióticos causam resistência com mais facilidade.
Alguns fatos, entretanto, favorecem o surgimento mais rápido de cepas resistentes. O principal é a interrupção precoce do tratamento. Se um antibiótico está prescrito por 10 dias, é porque sabe-se de antemão que este é o tempo necessário para matar praticamente todas as bactérias. Algumas bactérias mais fracas morrem com 24 horas, outras precisam de 7 dias. Se o tratamento é interrompido com 5 dias, por exemplo, as bactérias mais resistentes, que precisavam de mais tempo de antibiótico, continuarão vivas e poderão se multiplicar, levando, agora, a uma infecção bem mais resistente.
Outro fator importante é o uso indiscriminado de antibióticos. Muitas das infecções que temos são causadas por bactérias que vivem naturalmente no nosso corpo, controladas pelo nosso sistema imune, apenas à espera de uma queda nas defesas para atacarem. Se o paciente usa muito antibiótico sem necessidade, como, por exemplo, para tratar infecções por vírus, ele estará previamente selecionando as bactérias mais resistentes, e, futuramente, quando houver uma real infecção bacteriana, esta será causada já por bactérias resistentes.
COMO SABER QUAL ANTIBIÓTICO É MAIS EFICAZ?
Através de estudos prévios conhecemos antecipadamente o perfil de cada espécie de bactéria. Por exemplo, sabemos que a E.coli, bactéria que causa infecção urinária, costuma ser sensível aos antibióticos Bactrim e Ciprofloxacina. Entretanto, pacientes com quadros de infecção urinária de repetição, com múltiplos cursos de antibióticos, podem ter E.coli resistentes a estes antibióticos. Além disso, nem toda infecção urinária é causada pela E.coli, podendo haver infecções por bactérias com perfis de sensibilidade completamente diferentes. Como saber, então, especificamente para cada caso, qual bactéria é responsável pela infecção e qual antibiótico é o mais indicado?
A única maneira de se ter certeza do perfil de sensibilidade de uma bactéria é através do exame de cultura, que pode ser uma cultura de sangue (hemocultura), de urina (urocultura), de fezes (coprocultura) etc… Nestas análises, coletamos uma pequena quantidade de um fluido ou secreção que imaginamos conter a bactéria infectante e colocamos em um meio propício ao crescimento de bactérias. 48 a 72h depois conseguimos identificar exatamente qual bactéria está presente e realizar vários testes com diversos antibióticos, procurando saber quais são eficazes e quais são ineficazes. Este teste é chamado de antibiograma. Todo exame de cultura apresenta no seu resultado, o nome da bactéria identificada e uma pequena lista de antibióticos resistentes e sensíveis, para que o seu médico possa escolher qual a melhor opção.
Quando o paciente encontra-se grave e não pode esperar por 72 horas para iniciarmos o antibiótico, optamos inicialmente por antibióticos fortes e que cobrem um amplo espectro de bactérias, trocando-o, após o resultados das culturas, pelo o antibiótico mais específico indicado pelo antibiograma.
QUE INFECÇÕES SÃO TRATADAS COM ANTIBIÓTICOS?
Qualquer infecção bacteriana pode e deve ser tratada com antibióticos. Infecções por vírus não melhoram com antibióticos e, portanto, não devem ser tratados com os mesmos.
- Infecções com vírus devem ser tratadas com antivirais (quando necessário).
- Infecções por fungos devem ser tratadas com antifúngicos.
- Infecções por parasitas devem ser tratada com antiparasitários.
- Infecções por bactérias devem ser tratadas com antibióticos.
EFEITOS COLATERAIS:
O efeito colateral mais comum são as náuseas e a diarreia. Alguns pacientes são alérgicos a determinadas classes de antibióticos, sendo as mais comuns, penicilinas e sulfas.
Grávidas devem ter muito cuidado com antibióticos, pois algumas classes estão associadas a má formações. As penicilinas e cefalosporinas são as mais seguras. Nunca tome antibióticos sem autorização explícita do seu obstetra.
Muitos antibióticos são eliminados pelos rins, por isso, podem se tornar tóxicos em pacientes com insuficiência renal, já que a sua eliminação torna-se afetada. Nestes casos, muitas vezes, faz-se necessário um ajuste da dose para evitar excesso de antibióticos na corrente sanguínea.
DOSE E TEMPO DE TRATAMENTO:
O tempo de tratamento e a dose dependem de 2 fatores: tempo de circulação da droga no sangue e perfil de resistência da bactéria. Uma mesma infecção pode ser tratada por tempos diferentes dependendo do antibiótico prescrito. Por exemplo, uma faringite pode ser tratada com:
- Uma dose intramuscular única de penicilina benzatina.
- 3 dias de Azitromicina 1 comprimido por dia.
- 10 dias de amoxicilina 1 comprimido de 8/8h.
Algumas infecções são facilmente tratadas com curtos cursos de um único antibiótico, como gonorréia, clamídia ou cistites. Outras, como a tuberculose, precisam de 3 antibióticos e um tratamento de pelo menos 6 meses para serem curadas.
Nas infecções mais brandas, a escolha do antibiótico é empírica, baseada no conhecimento prévio de sensibilidade. Nos casos mais graves ou nas infecções que não respondem inicialmente aos antibióticos prescritos, uma cultura de material apropriado deve ser feita para melhor guiar a escolha do antibiótico.
OS ANTIBIÓTICOS MAIS USADOS NA PRÁTICA CLÍNICA:
a)PENICILINAS – A penicilina foi o primeiro antibiótico desenvolvido e deu origem a vários outros estruturalmente semelhantes. Os principais antibióticos derivados da penicilina são:
- Amoxicilina;
- Ampicilina;
- Azlocilina;
- Carbenicilina;
- Cloxacilina;
- Mezlocilina;
- Nafcilina;
- Penicilina;
- Piperacilina;
- Ticarcilina.
A penicilina em si é atualmente pouco usada, pois a maioria das bactérias já é resistente a mesma. Porém, a penicilina ainda é indicada para sífilis, amigdalites e erisipela.
É importante salientar que apesar de serem todas da família da penicilina, o espectro de ação entre cada uma é muito diferente, sendo a piperacilina, por exemplo, usada em infecções hospitalares, enquanto a amoxicilina é geralmente indicada para infecções simples das vias aéreas.
b)CEFALOSPORINAS – As cefalosporinas surgiram logo depois da penicilina e apresentam mecanismo de ação muito semelhante a estas. Exemplos:
- Cefaclor;
- Cefadroxilo;
- Cefazolina;
- Cefixime;
- Cefoperazona;
- Cefotaxima;
- Cefotetan;
- Cefoxitina;
- Ceftazidima;
- Ceftriaxona;
- Cefuroxima;
- Cefalexina;
- Cefalotina;
- Loracarbef.
Assim com nas penicilinas, as diferentes cefalosporinas apresentam espectro de ação muito variável, também podendo ser usadas para desde infecções graves, como meningite, até simples feridas de pele.
c)QUINOLONAS – As quinolonas são muitos usadas para tratar infecções de bactérias originárias do intestino, entre elas, diarréias e infecções urinárias. As novas quinolonas também são eficazes para pneumonias.
- Ciprofloxacina;
- Enoxacina;
- Levofloxacina;
- Lomefloxacina;
- Moxifloxacina;
- Norfloxacina;
- Ofloxacina.
d)AMINOGLICOSÍDEOS – Os aminoglicosídeos são antibióticos usados na imensa maioria dos casos apenas de modo intra-hospitalar, pois são administrados por via intravenosa. São indicados para infecções graves. Existem algumas formulações para uso tópico ou como colírio.
- Amicacina;
- Gentamicina;
- Canamicina;
- Neomicina;
- Estreptomicina;
- Tobramicina.
e)MACROLÍDIOS – Os macrolídios são geralmente usados para infecções das vias respiratórias, muitas vezes em associação com alguma penicilina ou cefalosporina, para acne, clamídia ou, em muitos casos, como substituto da penicilina em pacientes alérgicos.
- Azitromicina;
- Claritromicina;
- Eritromicina.
f)TETRACICLINAS – As tetraciclinas são atualmente usadas para o tratamento da acne, da cólera, algumas DSTs, e leptospirose.
- Doxiciclina;
- Minociclina;
- Tetraciclinas.
g)OUTROS GRUPOS:
- Aztreonam;
- Clindamicina;
- Etambutol;
- Imipenem;
- Isoniazida;
- Meropenem;
- Metronidazol;
- Nitrofurantoína;
- Pirazinamida;
- Rifampicina;
- Trimetoprim-sulfametoxazol.
FONTE: http://www.mdsaude.com/2011/02/antibioticos.html#ixzz33KkVwYt1
quinta-feira, 1 de maio de 2014
BOTOX: USO E EFEITOS COLATERAIS
Botox é uma droga que é mais conhecida pelo seu papel na suavização de rugas de envelhecimento no rosto.
É feito a partir da toxina botulínica e paralisa os músculos entre alguns meses e um ano.
O fármaco também pode ser usado no tratamento de enxaquecas e dores de cabeça recalcitrantes, assim como no piscar incontrolável, espasmos no pescoço e glândulas sudoríparas hiperactivas.
Feito pela empresa Allergan, o botox é derivado da neurotoxina potente feita pela bactéria Clostridium botulinum. As mesmas bactérias podem causar o tipo mortal de intoxicação alimentar conhecida como botulismo.
CONDIÇÕES
O botox geralmente funciona melhor em rugas faciais que se formam dinamicamente, tais como linhas de sorriso que desaparecem quando o rosto está em repouso. Mas uma vez que o Botox paralisa temporariamente os músculos, o composto é também utilizado para muitos tipos de dor muscular espásmica.
Estudos sugerem que o medicamento é eficaz na redução de espasmos no pescoço, no piscar rápido, e pode ajudar as pessoas que têm bexigas hiperativas, que causam a sensação de constante necessidade de urinar.
A injeção também é aprovado para uso na redução da dor da enxaqueca, porém é recomendado principalmente para pessoas com mais de 14 enxaquecas por mês. No entanto, um estudo de revisão de 2012 no Journal of the American Medical Association descobriu que o Botox pode eliminar 2 a 3 enxaquecas por mês, mas não era muito boa no alívio da dor de cabeça de tensão.
Alguns médicos também usam Botox para eliminar a transpiração excessiva das axilas, palmas das mãos ou pés, bloqueando os sinais enviados pelos nervos para as glândulas sudoríparas. Todos esses tratamentos eventualmente desgastam e precisam ser feito a cada três ou seis meses.
EFEITOS COLATERAIS
Apesar do Botox ser geralmente considerado seguro, muitas vezes causa dor, inchaço e hematomas logo após uma injeção. Se a injecção for feita de forma inadequada, o medicamento pode migrar para outros locais do rosto e tornar as expressões faciais tortas, incluindo um sorriso torto ou pálpebras caídas ou canais lacrimais secos.
Muito raramente, a droga pode causar efeitos secundários potencialmente fatais, incluindo reações alérgicas. A bactéria também pode, por vezes, viajar para outras partes do corpo, onde pode causar fraqueza muscular, problemas de visão ou dificuldade para engolir e respirar.
As pessoas que fazem injeções de Botox também podem ter problemas para fazer toda a gama de expressões faciais. O Botox pode diminuir a capacidade das pessoas em sentir emoções, restringindo as suas expressões faciais.
Tal facto pode ser bom quando se trata de depressão: Um estudo de 2012 no Journal of Psychiatric Research descobriu que as pessoas que sofrem de depressão major que receberam uma injeção de Botox para as linhas de expressão mostraram uma melhora dramática dos seus sintomas.
FONTE: Livescience
sexta-feira, 18 de abril de 2014
PÍLULA DO DIA SEGUINTE: INDICAÇÕES E CONSEGUÊNCIAS
Os métodos contraceptivos clássicos, como pílulas anticoncepcionais, DIU, diafragma e a camisinha, são habitualmente usados antes e/ou durante as relações sexuais. Porém, por motivos diversos, todos os dias milhares de mulheres acabam tendo relações sexuais sem a devida proteção de um método de controle de natalidade, passando a estar sob elevado risco de desenvolver uma gravidez. Nestes casos, ainda há uma alternativa: a contracepção de emergência.
A contracepção de emergência, mais conhecida sob a forma da pílula do dia seguinte, é um método contraceptivo que pode ser usado após a relação sexual, sendo capaz de inibir uma gravidez quando a mulher imagina ter tido relações sem as devidas precações anticoncepcionais. É importante frisar que a contracepção de emergência é um método de controle de natalidade para ser usado ocasionalmente, em situações de emergência. De forma alguma a pílula do dia seguinte deve ser usada habitualmente, como substituta dos métodos tradicionais de controle de natalidade.
O QUE SÃO MÉTODOS CONTRACEPTIVOS DE EMERGÊNCIA?
A contracepção de emergência, também chamada de contracepção pós-coito, é uma medida de controle de natalidade que pode ser usada depois da relação sexual ter sido realizada. A contracepção de emergência deve ser usada pelas mulheres que não desejam engravidar, mas tiveram relações sexuais sem a devida proteção de um método contraceptivo.
Existem duas formas de contracepção de emergência:
- Pílulas anticoncepcionais de emergência, mais conhecidas como pílula do dia seguinte.
- Dispositivos intrauterinos, conhecidos como DIU.
O DIU é um método contraceptivo que é efetivo mesmo se implantado depois da relação sexual já ter ocorrido. Neste texto vamos dar mais ênfase à pílula do dia seguinte. Falaremos especificamente do DIU em um texto à parte.
LIMITE DE TEMPO PARA TOMAR A PÍLULA:
Após uma relação sexual desprotegida, a pílula do dia seguinte deve ser tomada o mais rápido possível, de preferência dentro das primeiras 72 horas (3 dias). Porém, apesar do clássica recomendação de 72 horas, até o limite de 120 horas (5 dias) a contracepção de emergência pode ainda ser eficaz. É importante notar, entretanto, que a cada dia que passa a eficácia contraceptiva do esquema se reduz, principalmente após as primeiras 72 horas.
Nos EUA, Portugal e outros países da Europa (mas não no Brasil) já é comercializado o acetato de ulipristal (ellaone®), uma pílula do dia seguinte que mantém elevada eficácia até 120 horas.
Como a pílula do dia seguinte é mais efetiva nas primeiras horas, recomenda-se que todas as mulheres com vida sexual ativa, que não planejam ter filhos no momento, tenham pelo menos 1 caixa do medicamento em casa para que o mesmo possa ser usado rapidamente em caso de emergência.
INDICAÇÕES:
1. Se você teve relação sexual vaginal sem a proteção de nenhum método anticoncepcional (camisinha, DIU, pílula, implante, diafragma…) nas últimas 120 horas.
2. Se você nas últimas 120 horas teve relações sexuais e usou um método anticoncepcional de forma incorreta ou se o mesmo sabidamente apresentou falhas. Isto inclui as seguintes situações:
- Camisinha que estourou, que foi usada de modo incorreto ou que saiu do pênis durante o ato sexual.
- Mulher que normalmente toma pílulas anticoncepcionais contendo estrogênio e progesterona e se esqueceu de tomar a pílula por dois dias seguidos.
- Mulher que normalmente toma pílulas anticoncepcionais contendo apenas progesterona (chamada de minipílula) e atrasou sua tomada em mais de três horas.
- Mulher que normalmente usa injeções de acetato de medroxiprogesterona (também chamado de Depo-Provera®) e atrasou sua injeção mais do que duas semanas.
- Mulher que normalmente usa adesivos anticoncepcionais e os retirou antes ou depois do tempo programado.
- Diafragma ou preservativo feminino que se rompeu ou saiu do lugar.
- DIU que saiu acidentalmente.
A.T.E.N.Ç.Ã.O: a pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência e assim deve ser encarada. Devemos ter todo o cuidado para não banalizar o uso da pílula do dia seguinte, não só porque ela não é tão efetiva quanto os métodos de controle de natalidade tradicionais, como também porque a dose de hormônios contida na mesma é mais elevada do que nos anticoncepcionais comuns, podendo causar efeitos colaterais graves se usada repetidamente.
Se você repetidamente se encontra em uma das situações acima, que indicam o uso da pílula do dia seguinte, é porque está fazendo tudo errado. Procure seu ginecologista para receber orientações sobre controle de natalidade.
COMO AGE:
No Brasil, a pílula do dia seguinte mais usada é composta por levonorgestrel 0,75 mg (marcas mais comuns: Postinor-2®, Pilem®, Pozato®, Diad®, Minipil2-Post® e Poslov®). Como já referido, a pílula de ulipristal ainda não está a venda no Brasil.
O levonorgestrel é uma progesterona sintética, que atua como método contraceptivo de emergência por três mecanismos:
- Inibe a ovulação.
- Impede a fertilização do óvulo pelo espermatozoide.
- Impede que óvulo fecundado se aloje no útero.
Dentre os 3 mecanismos acima, a inibição da ovulação é o mais importante, daí a necessidade de tomar a pílula o mais rápido possível.
Basicamente o que a pílula do dia seguinte faz é alterar o ciclo menstrual, antecipando o momento da menstruação. A maioria das mulheres menstrua cerca de 1 semana após o uso da pílula.
A PÍLULA DO DIA SEGUINTE PROVOCA ABORTO?
Não! Tecnicamente, uma medicação abortiva é aquela que age após o óvulo fecundado já ter sido implantado no útero. O aborto é a perda de um embrião que estava se desenvolvendo em um útero. Como foi explicado, a ação do levonorgestrel é anterior à implantação do óvulo fecundado ao útero, não sendo, portanto, uma droga que provoca aborto.
Se o levonorgestrel for tomado após o óvulo já ter sido implantado ao útero, ele não terá efeito algum sobre a evolução da gravidez. Ele não provoca aborto e não há estudos que indiquem perigo de malformação fetal se o medicamento for acidentalmente usado em mulheres já grávidas.
Por outro lado, o ulipristal pode ter efeitos nocivos para o feto e não deve ser tomado se a mulher suspeita já estar grávida.
EFICÁCIA:
Se tomado corretamente e dentro do prazo de 5 dias, o ulipristal apresenta eficácia de 98,5%. Já o levonorgestrel, se tomado corretamente e dentro do prazo de 72 horas, tem eficácia de 97%.
Em mulheres obesas, com IMC maior que 30, damos preferência ao uso do DIU como método contraceptivo de emergência, pois neste grupo a pílula do dia seguinte possui eficácia bem menor, apresentando 4 vezes mais riscos de falhas quando comparado a mulheres de massa corporal normal (IMC entre 18 e 25) – Leia: OBESIDADE | Síndrome metabólica.
Se a menstruação não tiver vindo 3 a 4 semanas após o uso da pílula do dia seguinte, a paciente deve fazer um teste de gravidez (leia: TESTE DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA).
É importante salientar que o efeito da pílula é garantido apenas para aquela relação sexual que motivou o seu uso. Se a mulher voltar a ter relações desprotegidas após ter tomado a pílula, não há como garantir seu efeito anticoncepcional.
COMO TOMAR A PÍLULA:
O levonorgestrel é habitualmente vendido em uma caixa com 2 comprimidos de 0,75 mg, que podem ser tomados juntos de uma só vez ou separados por 12 horas de intervalo. Já há no mercado a caixa com 1 comprimido de 1,5mg, o que facilita a toma única do medicamento.
O ulipristal é vendido em caixa com 1 comprimido de 30mg que deve ser usado também em dose única.
Se você tomou a pílula do dia seguinte e teve nova relação sexual desprotegida após 120 horas, é possível tomar uma segunda dose (exceto o ulipristal, que não deve usado mais de uma vez por ciclo). É preciso notar, porém, que este tipo de contracepção de emergência é feito com doses não fisiológicas de hormônios, que não devem ser administradas seguidamente, devido ao risco de efeitos colaterais.
Se você se encontra na situação de precisar da pílula do dia seguinte com alguma frequência, é porque está sendo muito irresponsável. Acidentes pontuais, como a camisinha estourar, podem acontecer com todo mundo, e justificam o uso da PDS. Agora, nada justifica a mulher frequentemente precisar fazer uso da pílula do dia seguinte..
Nas mulheres que já usam anticoncepcional regularmente, mas precisaram da pílula do dia seguinte por terem esquecido de tomá-lo corretamente, a pílula convencional pode ser reiniciada no dia seguinte. Ter tomado a PDS não impede que a mulher volte a tomar o resto da cartela da sua pílula habitual. Mas atenção, é preciso esperar a próxima menstruação para poder confiar novamente no efeito contraceptivo dela. Até lá, deve-se usar camisinha ou qualquer outro método de barreira junto com o anticoncepcional.
EFEITOS COLATERAIS:
A pílula do dia seguinte é um medicamento extremamente seguro, se tomada de forma correta. Não há relatos de efeitos colaterais graves.
Náuseas e vômitos são os efeitos adversos mais comuns. Uma desregulação da menstruação é comum no primeiro mês após o tratamento.
Outros efeitos secundários possíveis, mas pouco frequentes, incluem tonturas, fadiga, dor de cabeça, sensibilidade nos seios, e dor abdominal.
Se houver quadro de vômitos nas primeiras duas horas após a pílula ter sido tomada, sugerimos a repetição do esquema.
FONTE:http://www.mdsaude.com/2012/08/pilula-dia-seguinte.html#ixzz2zHSPGrdB
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