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sexta-feira, 23 de maio de 2014
A FALTA DE EXERCÍCIO NA JUVENTUDE PODE VIRAR DEMÊNCIA PRECOCE
Homens que com a idade de 18 anos têm pouca aptidão cardiovascular e/ou um QI baixo podem sofrer de demência antes dos 60 anos, conforme mostra um estudo com mais de um milhão de homens suecos.
Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo analisaram diversos dados e foram capazes de mostrar uma correlação entre a aptidão cardiovascular quando adolescente e problemas de saúde mais tarde na vida.
“Estudos anteriores demonstraram a correlação entre a aptidão cardiovascular e o risco de demência na velhice. Agora, pela primeira vez, podemos mostrar que o aumento do risco também se aplica a demência precoce e seus precursores”, disse a principal autora do estudo, Jenny Nyberg.
Expressos em valores absolutos, o estudo mostra que os homens que tinham aptidão cardiovascular mais pobre tinham 2,5 vezes mais chances de desenvolver demência precoce na vida adulta. QI mais baixo comportava um risco quatro vezes maior, e uma combinação de ambos (aptidão cardiovascular pobre e baixo QI) implicou 7 vezes maior risco de demência precoce.
O aumento do risco se manteve mesmo quando os cientistas controlaram os resultados para outros fatores de risco, como hereditariedade, histórico médico e circunstâncias socioeconômicas.
“Nós já sabíamos que o exercício físico reduzia o risco de doença neurológica. Ele aumenta a complexidade das células nervosas e sua função e até mesmo a geração de novas células nervosas no cérebro adulto, o que fortalece nossas funções mentais e fisiológicas. Em outras palavras, boa aptidão cardiovascular torna o cérebro mais resistente a danos e doenças”, argumenta o professor Georg Kuhn, um dos pesquisadores do estudo.
Segundo os cientistas, o estudo torna claro a importância de se realizar mais pesquisas sobre como o exercício físico e mental pode afetar a prevalência de diferentes tipos de demência. “Talvez o exercício possa ser usado tanto como uma medida profilática e um tratamento para aqueles na zona de risco para a demência precoce”, sugere Nyberg.
FONTE: ScienceDaily
quarta-feira, 30 de abril de 2014
OS PERIGOS DO USO DA TESTOSTERONA COMO 'ELIXIR DA JUVENTUDE'
O número de prescrições para suplementos de testosterona saltou em todo o mundo na última década. Mas há receios de que o medicamento esteja sendo usado mais do que necessário e não seja seguro para a saúde.
Há um ponto na vida de um homem em que ele começa a se sentir desanimado. Cansado, mal humorado, apático. Nos Estados Unidos, os canais de TV estão repletos de anúncios de homens bonitões de meia idade com cabelo grisalho, cansados demais para jogar basquete e impacientes até quando estão em um encontro romântico com uma linda mulher.
Este anúncios estão vendendo uma nova doença para o público: "Baixa T" ou baixos níveis de testosterona - o hormônio produzido nos testículos, responsável pelo desenvolvimento e manutenção das características masculinas normais.
A síndrome até ganhou seu próprio site, isitlowt.com, criado pela empresa framacêutica Abbvie, em que homens podem completar um quiz com perguntas do tipo: "Você está triste e/o mal humorado? Está com falta de energia? Você fica sonolento após o jantar?"
Isso pode parecer com quase todos os homens de meia idade que você conhece, mas se os usuários do site respondem "sim" à maioria das perguntas, são orientados a conversar com seu médico.
Mercado
Nos Estados Unidos, onde o marketing direto de medicamentos é permitido ("Pergunte ao seu médico sobre nosso novo produto!") as drogas são promovidas nas mais variadas formas, de comprimidos e injeções à cremes e gel.
Desde 2001, receitas de testosterona nos Estados Unidos para homens acima dos 40 anos mais do que triplicaram. Atualmente 1,7 milhão de homens são orientados a usar os suplementos hormonais.
"A questão é: há realmente um problema a ser tratado?", indaga a médica Lisa Schwartz, do Dartmouth College. Conforme brinca o comediante Stephen Colbert, Baixa T é "uma condição de saúde identificada por uma fermacêutica que antigamente era conhecida como envelhecer".
Médicos concordam que uma pequena proporção de homens (cerca de 0,5%) precisa de terapia com testosterona. Entre eles estão homens com doenças genéticas ou cujos testículos, onde a testosterona é produzida, não funcionam mais após tratamentos com quimioterapia. E foi para casos como esses que a Food and Drug Administration (FDA) autorizou a venda dos medicamentos nos Estados Unidos.
Mas esses homens não são os únicos com baixa testosterona e acredita-se que o crescimento vertiginoso no número de receitas, principalmente para o de gel roll-on esteja direcionado a um grande grupo de homens que não sofrem de problemas genéticos.
Os níveis de testosterona em homens tendem a cair constantemente após os 40 anos e podem flutuar de um dia para outro.
"Em qualquer momento da vida, a testosterona cai. Seja por doença ou qualquer outro motivo", explica o médico Richard Quinton, endocrinologista da Royal Victoria Infirmary, em Newcastle, Inglaterra.
"Se você fica acordado a noite toda, no dia seguinte a sua testosterona vai cair. Até se você come demais", afirma.
Quinton é um dos vários especialistas que acreditam que o baixo nível de testosterona, referida pelos médicos como "hipogonadismo", não é uma razão para prescrever medicamentos na ausência de um problema físico observável ou de um diagnóstico clínico.
Por sua vez, a farmacêutica Abbvie defende a forma como comercializa seus medicamentos, argumentando que sua campanha de sensibilização para o problema é focada em "educar os homens sobre hipogonadismo e incentivar o diálogo com seu médico".
Efeitos colaterais
Muitos médicos, no entanto, apostam na capacidade da terapia de testosterona de fazer os homens se sentirem melhor. E alguns pacientes concordam.
Bill, um professor aposentado na Flórida que não quis divulgar seu sobrenome, sempre foi um homem ativo. Mas quando completou 60 anos, sentiu que seus níveis de energia caíram drasticamente.
"Era como se eu corresse uma maratona todo dia", lembra ele. Seu desejo sexual e sentimentos românticos saíram "voando pela janela", descreve ele.
Há quatro anos ele usa um gel de testosterona que aplica sobre o ombros e diz se sentir outra pessoa.
Mas, a exemplo do tratamento de reposição hormonal para mulheres, ligado ao aumento do risco de câncer de mama, ataques do coração e derrame, a terapia com testosterona também pode ter efeitos colaterais.
Um estudo publicado em novembro no Journal of American Medical Association analisou o histórico médico de 8,7 mil veteranos americanos, muitos deles com problemas cardíacos e todos com níveis de testosterona aparentemente baixos.
Os homens que haviam recebido tratamento com suplementos hormonais tiveram um risco 30% maior de derrame, ataque cardíaco e morte.
Um segundo estudo, publicado em janeiro no PLoS ONE, analisou os registros médicos de 55 mil homens que tinham sido prescritos com testosterona. Os especialistas concluíram que os homens com mais de 65 anos tiveram duas vezes mais riscos de sofrer um ataque cardíaco 90 dias depois de terem iniciado o tratamento.
Alguns pacientes entraram com ações na Justiça contra a Abbvie, alegando que a empresa não lhes avisou sobre os riscos.
Para Hugh Jones, Professor da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, a terapia com testosterona não é arriscada desde que os médicos façam o diagnóstico correto e monitorem o tratamento.
"Se você pegar o paciente certo e tratá-lo adequadamente, você pode mudar a vida de alguém", diz ele.
Embora não haja nenhuma evidência conclusiva de que os medicamentos sejam prejudiciais à saúde, Richard Quinton defende que homens mais velhos e debilitados devem evitá-los.
"A testosterona não é o elixir da vida. É um ótimo tratamento para homens com verdadeira deficiência de testosterona, mas não prolonga a vida para aqueles que não são propriamente deficientes do hormônio."
FONTE:http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia
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