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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O FÓSSIL MAIS ANTIGO DE LINCE-IBÉRICO TEM 1,6 MILHÕES DE ANOS

Crânio de felino foi descoberto em 2003 numa gruta na Catalunha. Isolamento peninsular e especialização alimentar nos coelhos estão na origem da espécie. Quando o Centro e o Norte da Europa eram moradas muito mais geladas, durante os períodos glaciares que a Terra começou a ter de há 2,6 milhões de anos para cá, a Península Ibérica tornou-se um dos refúgios do Sul da Europa onde o clima era mais clemente para os animais. O antepassado do lince-ibérico terá sido uma das muitas espécies que acabou por vir parar a este território e, com o tempo, evoluiu para a espécie que hoje conhecemos. Não se sabe exactamente o momento do aparecimento deste felino, que hoje está ameaçado de extinção. Os estudos moleculares dos últimos anos estimam que terá surgido há cerca de 1,8 milhões de anos. Agora, uma equipa de investigadores deu um passo mais concreto no estudo evolutivo desta espécie. Um fóssil de um crânio encontrado há mais de dez anos numa gruta da Catalunha foi finalmente analisado e revelou pertencer a um lince-ibérico com 1,6 milhões de anos, conclui um artigo publicado agora na revista científica Quaternary Science Reviews. Este é o mais antigo fóssil de lince-ibérico que se descobriu até agora. Antes, os fósseis mais antigos desenterrados tinham cerca de 1,1 milhões de anos. A nova descoberta aproxima-nos do momento de origem desta espécie carismática e pode dar informação importante para a sua conservação. O lince-ibérico (Lynx pardinus) é um pequeno felino hoje endémico da Península Ibérica com cerca de um metro de comprimento, castanho e pintalgado, com focinho farfalhudo e orelhas que terminam em pêlos compridos. A sua presa predilecta é o coelho. Mas a caça ao lince, a fragmentação do habitat e as doenças que têm afectado as populações de coelhos puseram o felino à beira da extinção, restando apenas duas pequenas populações no Sul de Espanha. Nos últimos anos, Portugal e, principalmente, Espanha, têm feito esforços para recuperar as populações deste animal. O novo fóssil foi encontrado na gruta Avenc Marcel, perto de Barcelona, em Espanha, juntamente com fósseis de outros animais como lobos, raposas, mamutes, rinocerontes, equídeos, veados, cabras e roedores. “Alguns vestígios de um [fóssil de] lince foram encontrados em escavações em 1991”, conta ao PÚBLICO Alberto Boscaini, um dos autores do artigo, da Universidade Autónoma de Barcelona. Mas com esses vestígios não foi possível definir a espécie a que pertenciam. Só com o crânio, descoberto em 2003, foi possível concluir que se estava na presença do Lynx pardinus. Uma crista óssea ao longo do crânio, mais pequena do que a que existe nas outras espécies de lince, foi uma das características que ajudaram a chegar a esta conclusão. “Esta descoberta é importante porque recua a origem do lince-ibérico em cerca de 500.000 anos em relação ao que se conhecia anteriormente. E clarifica onde e como é que a espécie surgiu”, explica o cientista. “Aquela era uma época com profundas flutuações entre períodos glaciares e períodos interglaciares. Durante as fases glaciares, a Península Ibérica (assim como a Itália e a Grécia) tornou-se um refúgio para a fauna e a flora. A população de Lynx issiodorensis [lince-de-issoire, hoje extinto] manteve-se isolada durante um ou mais períodos glaciares, e mais tarde transformou-se numa nova espécie: o lince-ibérico.”

Coelhos e conservação

O lince-ibérico é uma versão mais pequena do que o seu antepassado. E tem os dentes pré-molares maiores, o que resulta de uma adaptação à caça ao coelho. “Observando a anatomia craniana, sugerimos que o lince-ibérico desenvolveu uma rápida dependência do coelho-ibérico. Hoje esta dependência é muito alta”, refere Alberto Boscaini. Esta forte adaptação à caça de coelhos, que definiu esta espécie, é para aquele cientista uma informação importante para a conservação actual do felino: “Para nós, a superespecialização actual do Lynx pardinus numa dieta estrita, baseada nosLagomorpha [ordem onde se incluem os coelhos e as lebres] e noutras presas pequenas, é semelhante à dieta original. Será difícil que ele altere agora a sua dieta, por isso a abundância dos coelhos é uma exigência necessária para a sua conservação.” Entre 2002 e 2015, a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) colocava o lince-ibérico como uma espécie em perigo crítico de extinção. Estima-se que em 1950 existiam 5000 animais. Mas ao longo das décadas seguintes, a população foi decaindo, atingindo um mínimo em 2001, com uma população de 52 indivíduos em idade de reprodução. Hoje, há 156 linces adultos num habitat natural de 1040 quilómetros quadrados, uma área que triplicou em relação a anos anteriores. Por isso, a IUCN decidiu recolocar em 2015 a espécie numa categoria de conservação um pouco menos preocupante. “Como resultado do aumento de população, o lince-ibérico não está mais no estatuto de perigo crítico de extinção e é recolocado no estatuto em perigo de extinção”, lê-se na página da IUCN para esta espécie. “A melhoria de estatuto deve-se a acções intensivas de conservação que continuam a decorrer.” Um programa coordenado entre Espanha e Portugal, que desde 2009 possui o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, tem reintroduzido o felino na natureza em várias regiões da Península Ibérica. Desde 2014, já se introduziram vários linces-ibéricos em território português. Hoje existem 11, nove deles fixados no Vale do Guadiana, em Mértola. Um dos maiores problemas são os atropelamentos. Ainda neste mês de Outubro, o macho Hongo, de quatro anos e nascido em Espanha, foi encontrado morto numa auto-estrada no distrito de Santarém. fontes:http://novosinsolitos.blogspot.com.br/2015/11/o-fossil-mais-antigo-de-lince-iberico.html// publico.pt/ciencia/noticia/o-mais-antigo-fossil-de-linceiberico-tem-16-milhoes-de-anos-1713068?page=-1

domingo, 13 de julho de 2014

QUAL É O FÓSSIL MAIS ANTIGO JÁ ENCONTRADO?

Quando se trata de fósseis, espécimes como Sue, uma Tyrannosaurus rex, chamam muita atenção. Sue não é apenas o T. rex mais completo já encontrado, ela também está beirando os 67 milhões de anos de idade. Em comparação com fósseis mais antigos já encontrados, no entanto, Sue é uma “criança” [fonte: Field Museum]. Alguns desses fósseis antigos, conhecidos como estromatólitos são 50 vezes mais velhos do que Sue – para sermos mais exatos, eles têm 3,45 bilhões de anos [fonte: University of Munster]. É difícil para nós até mesmo conseguirmos entender o tamanho disso tudo, mas J. William Schopf, o primeiro paleobiólogo que descobriu os fósseis em 1993, ajuda a colocar as coisas em uma perspectiva mais clara em seu livro "Cradle of Life: The Discoveries of Earth's Earliest Fossils.". Se toda a história da Terra fosse comprimida em um dia de 24 horas, diz Shopf, os humanos teriam chegado no último minuto do dia. Em comparação, os estromatólitos já estariam por ali por mais de 18 horas. Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de que os estromatólitos continuam a se formar até hoje. Ao contrário de fósseis como esqueletos de dinossauros, os estromatólitos nunca fizeram parte de um organismo vivo. No lugar disso, os estromatólitos se desenvolvem mais da mesma forma como um molde é tirado para uma estátua, preservando sua forma, mas não contendo um determinado objeto. No caso dos estromatólitos, o “molde” é composto por finas camadas de sedimento e carbonato de cálcio – a mesma substância que forma o calcário – que se acumula ao redor de complexas colônias de cianobactérias (também chamadas de algas azuis) e outros organismos unicelulares. Os estromatólitos se formam bem lentamente, e o seu processo de formação dura milhares de anos. Felizmente, os estromatólitos de cada período geológico ainda existem. Ao se dissecar e explorar cuidadosamente essas estruturas, os cientistas têm acesso a algumas das únicas pistas sobre como eram as primeiras vidas na Terra. Depois da Terra ter se formado há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, ela era totalmente inabitável. Na verdade, a superfície da Terra foi uma espécie de rocha derretida por cerca de 800 milhões de anos - e este não era exatamente um ambiente propício para se chamar de “lar” [fonte: Waggoner]. Depois da superfície terrestre ter se resfriado e se solidificado em placas continentais, apareceu o primeiro microorganismo. Entre os mais significantes estavam as cianobactérias, que prosperaram em bacias rasas de água salgada onde apesar de estarem protegidas dos raios solares intensos ainda ficavam perto da superfície já que dependiam do sol para a fotossíntese. Com o passar do tempo, uma incrível variedade de estromatólitos se formou ao redor dessas colônias de cianobactérias e outras formas de vida primárias. Na verdade, a espantosa complexidade dessas estruturas é a melhor prova de que elas eram cheias de vida – caso contrário elas simplesmente não teriam se formado. De alguma forma, até mesmo as mais antigas dessas estruturas resistiram a bilhões de anos de turbulências geológicas antes de Schopf tê-las descoberto na Austrália Ocidental em 1993. A descoberta desses estromatólitos em particular foi de extrema importância por inúmeras razões. Quando Darwin propôs a teoria da evolução pela primeira vez, ele reconheceu que lacunas nos registros fósseis representariam uma série ameaça à sua afirmação de que toda a vida teria se originado do mesmo e distante ancestral. Naquela época a tecnologia era muito limitada até mesmo para encontrar, quanto mais para identificar os fósseis e por mais de 100 anos as coisas ficaram exatamente assim. Alguns chegaram a pensar que as provas para esse “link faltante” entre a vida como a conhecemos e as primeiras formas de vida nunca seria descoberto, possivelmente por ter sido destruído durante eras de violentos terremotos e erosões. No entanto, a descoberta de Schopf mudou as coisas. Os biólogos finalmente tiveram acesso a provas conclusivas sobre quando e quais foram os tipos de vida que primeiro habitaram a Terra, e por causa desse entendimento, os cientistas têm hoje uma ideia muito melhor de como a vida evoluiu. A atmosfera terrestre durante o período Arqueano, quando as cianobactérias e outras formas de vida primárias apareceram, era composta de metano, amônia e gases que seriam tóxicos para a maioria das formas de vida que conhecemos hoje. Atualmente, os cientistas acreditam que organismos como cianobactérias foram responsáveis por criar oxigênio através da respiração anaeróbica. Quem sabe o que os estromatólitos ainda podem nos ensinar sobre a vida na Terra? Infelizmente, apesar de estromatólitos ainda continuarem a crescer em alguns lugares como o Parque Nacional Yellowstone, nos EUA, e regiões das Bahamas, eles já não são mais tão facilmente encontrados. Se nós não pudermos proteger essas formações incríveis, pode ser que a gente venha a perder para sempre um dos guardiões mais precisos e diligentes dos registros de nosso planeta. FONTE: hsw.uol.com.br/fossil-mais-antigo-encontrado.htm

segunda-feira, 9 de junho de 2014

KAPTEYN B : O PLANETA MAIS VELHO DO UNIVERSO QUE POSSIVELMENTE ABRIGA VIDA

Os astrônomos que descobriram o Kapteyn b dizem que o planeta, além de poder abrigar vidas, é o mais antigo do Universo com 11, 5 bilhões de anos (2 bilhões de anos mais jovem que o Big Bang e 2,5 vezes mais velho que a Terra). “Isso faz com que você se pergunte que tipo de vida poderia ter evoluído nesse planeta durante todo esse tempo”, diz o principal autor do estudo Guillem Anglada-Escudé, da Queen Mary University, de Londres. Se realmente existir uma sociedade lá, com certeza é bem evoluída, até porque na época em que esse planeta “nasceu” só havia poeira no universo. Kapteyn b é uma “super-Terra” que fica a (só) 13 anos-luz de nós e possui 5 vezes mais massa que o nosso planeta. Ele completa uma volta em torno de sua estrela (a anã vermelha conhecida como Estrela de Kapteyn) a cada 48 dias. A estrela está localizada no halo galáctico, que é tipo a periferia da Via Láctea. Esse é mais um corpo detectado pelo espectrômetro HARPS, num observatório no Chile. Descobrir um planeta habitável atrás do outro tem deixado os pesquisadores bem felizes e surpresos. Por mais que a gente ainda esteja longe de conseguir fazer uma viagem de 13 anos-luz facilmente, as novidades da astronomia já nos deixam um pouquinho mais perto de descobrir o que há do lado de lá do espaço. “Ficamos animados ao encontrar planetas que orbitam a estrela de Kapteyn “, afirma Guillem. “A detecção de planetas de massa super-Terra em torno de estrelas pertencentes ao halo fornece importantes percepções sobre processos de formação planetária no início da Via Láctea “, completa. FONTE:Superinteressante