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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O PODER DA MELATONINA

Quando as luzes se apagam, esse hormônio se acende para turbinar a qualidade do seu sono. Conheça-o, ajude-o a trabalhar e durma bem! Você tem aquele aparelho desenvolvido para, logo cedo, perturbar o descanso do cérebro e deixá-lo a mil, certo? Sim, o despertador. Mas você também possui um dispositivo, natural, que faz o oposto. É um hormônio chamado melatonina, muito mais sofisticado – confirme aqui – do que o relógio sobre a mesa de cabeceira. “A melatonina é produzida pela hipófise [glândula localizada na parte inferior do cérebro] para, principalmente, restaurar células nervosas enquanto dormimos”, explica Tércio Rocha, endocrinologista do Rio de Janeiro, consultor da MH e da Academia Real de Medicina Estética (França). “Logo, o hormônio é fundamental à manutenção de atenção, memória, raciocínio, humor e criatividade.” Ele ainda melhora a qualidade da sua noite. “A melatonina aprofunda o sono levando ao relaxamento total.” Sacou por que o dispositivo natural é tão poderoso? Mas, infelizmente, não é infalível. Algumas coisas podem bagunçar sua produção de melatonina, fazendo com que você não durma bem como deveria. A menos que você… LIGUE A LUZ Defendemos, claro, a economia de eletricidade em prol da sustentabilidade da vida no (e do) planeta. Mas desde que isso não prejudique a saúde do presente. Exemplo: trabalhar numa sala mal iluminada, seja na empresa seja em casa, suprime sua produção de melatonina – que se dá, principalmente, na primeira fase do sono. Segundo estudo da Universidade Harvard (Estados Unidos), quem é exposto à luz baixa durante a maior parte do dia fabrica menos melatonina à noite. Uma pesquisa suíça revelou que quanto mais bem iluminadas são suas horas acordado, mais profundamente você dorme depois. Então, convença o chefe a abrir as persianas da firma e a usar lâmpadas frias (ou fluorescentes) e brancas (procure por 4100K no rótulo). Esse tipo de luz turbina sua produção de melatonina. Porém, evite se expor a ela antes de ir domir… DURMA NA CAVERNA Seu quarto não foi extamente feito para você assistir televisão à noite, meu caro. Nem para, deitadão, ficar curtindo o notebook ou iPad madrugada adentro. Mexer em gadgets antes de dormir pode prejudicar a qualidade do seu sono. Segundo Tércio, os eletrônicos emitem uma fração azul da luz branca que penetra pelos olhos e destroi melatonina. “Para dormir bem, é essencial manter as luzes apagadas e o silêncio.” Olho vivo: “Desligue os aparelhos ao menos duas horas antes de ir para a cama”, indica W. Christopher Winter, diretor médico do centro de sono do Hospital Martha Jefferson (Estados Unidos) e consultor da MEN’S HEALTH americana. Calma, você não precisa abrir mão da leitura de um bom livro ou da sua MH enquanto está sobre o conforto do seu colchão. É só pôr uma lâmpada com luz menos branca (cerca de 2700K) no abajur. E modernizar seu bunker com cortinas grossas ou blackouts. SIGA OS PONTEIROS Da qualidade dos cristais de quartzo aos movimentos mecânicos precisos, existem muitos caminhos para se certificar de que um relógio industrial marca a hora exata. No caso do relógio natural do sono, isso vem também da disciplina. Se você quer sua melatonina ajudando-o a dormir legal, tem que ter certeza de que sua rotina funciona como, digamos, um relógio. “Procure fazer as refeições na mesma hora de cada dia, se exercitar na mesma hora etc.”, diz W. Christopher. Isso auxilia seu organismo a produzir melatonina na mesma hora. “A estratégia funciona também para abater jet lag. Se o sono ficar bagunçado com a mudança de fuso horário, tente manter outros fatores constantes para acertá-lo.” COMA, OU BEBA TRIPTOFANO “Sua produção de melatonina depende ainda do triptofano”, afirma Tércio. “O aminoácido está em alimentos como massa, chocolate e batatas.” Também dá em árvore. Frutas como cereja, morango e framboesa são ricas em triptofano e auxiliam seu organismo na fabricação de melatonina para lapidar seu sono. Você pode comê-las in natura, fazer suco e até geleia com elas – funciona de todas as formas. Em um estudo do Centro de Pesquisa do Sono da Universidade Northumbria (Reino Unido), quem tomou suco de cereja duas vezes por dia teve 25 minutos de sono a mais e dormiu melhor que as pessoas que não beberam. “O suco de cereja é rico em triptofano que, no organismo, se converte em serotonina [hormônio do bem-estar] que, por sua vez, se transforma em melatonina”, explica Jason Ellis, coautor do estudo e diretor do Centro de Pesquisa do Sono da Northumbria. Quer mais opções? Amêndoa, semente de girassol, linhaça, noz e tomate também contêm triptofano. Dê um up na sua salada! EVITE CERTOS REMÉDIOS, EM CERTAS SITUAÇÕES Dores musculares provocadas por exercícios físicos podem atrapalhar seu sono, do mesmo jeito que os anti-inflamatórios que muita gente toma para aliviá-las. “Existem evidências de que ingerir uma dose noturna de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como aspirina e ibuprofeno, inibe a parte do sistema nervoso que libera a melatonina”, diz Russel Reiter, professor de biologia celular do centro de saúde científica da Universidade do Texas (EUA). O bom mesmo é aguentar a fadiga sem resmungar. Mas se você perdeu a mão e malhou demais, escolha um anti-inflamatório com acetaminofeno (paracetamol) que, segundo Reiter, tem menos efeito sobre sua fabricação do hormônio. Boa noite! VANTAGENS EXTRAS A melatonina faz mais do que ajudar você a ser bom de sono O hormônio também é um antioxidante bastante potente. “Comparado com outras substâncias da mesma categoria, como as vitaminas E e C, a melatonina é mais eficaz em prevenir danos celulares provocados por radicais livres”, explica Russel Reiter, professor de biologia da Universidade do Texas. Exemplos de danos? “As rugas em volta dos seus olhos. A degeneração dos órgãos. Mal de Alzheimer”, responde o especialista. FONTE: MENSHEALTH

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

2045: O ANO EM QUE OS COMPUTADORES ASSUMIRÃO O PODER

Um computador vai escrever o melhor romance de todos os tempos em um segundo, resolver o maior mistério da ciência em um décimo de segundo e descobrir o sentido da vida, do universo e tudo o mais em menos tempo do que você leva para terminar este parágrafo. Muitos de nós provavelmente estarão vivos quando esse dia chegar. O problema é saber como será o dia seguinte... É o que vamos ver agora. Bem-vindo à verdadeira Matrix. Já faz 15 anos que o Deep Blue, um supercomputador da IBM, bateu Garry Kasparov, o grande trunfo do xadrez do time da humanidade. Na época, houve quem desse pouco crédito à inteligência daquela máquina pelo fato de o jogo ser altamente matemático - ciência para a qual os computadores têm aptidão mais do que natural. Na prática, não haveria uma grande "inteligência" ali. Só uma calculadora grande. Os computadores, então, poderiam até ser geniais, mas nunca saberiam "pensar como um humano". Hoje essa visão não faz mais sentido. O Watson, outro supercomputador da IBM, conseguiu vencer em 2011 os dois melhores jogadores humanos no Jeopardy, um game show da TV americana. Trata-se de um jogo de perguntas e respostas que exige dos participantes uma baita habilidade com linguagem. São questões do tipo "Esse objeto, mesmo quando quebra, está certo duas vezes por dia. Qual é o objeto?". "Um relógio", respondeu Watson, com a mesma rapidez com que uma calculadora dá um resultado. E foi assim com outras dezenas de perguntas nessa linha. "Isso não aconteceu, note bem, porque algum cientista colocou aquela informação do jeito certo", diz o americano Ray Kurzweil, um dos mais célebres especialistas em inteligência artificial . De fato. Tudo o que Watson fez antes de participar do jogo foi ler milhares de livros e enciclopédias - inclusive a Wikipedia, embora ele não estivesse conectado à internet na hora de responder as perguntas. Tinha de ser tudo "de cabeça" mesmo. Admirável. E o bastante para dizer que Watson está para o Deep Blue como um cachorrinho está para uma formiga. Trata-se de uma inteligência infinitamente superior - ainda que não chegue aos pés da humana. Mas para alguns especialistas essa nossa vantagem não deve durar mais tanto tempo. É o caso de Kurzweil. Para ele, os chips devem nos ultrapassar até a metade do século. É quando toparemos com o que ele e outros cientistas chamam de "singularidade tecnológica". Vamos ver o que é isso. Na física, "singularidade" é o que acontece no interior de um buraco negro. Um buraco negro se forma quando uma estrela implode e começa a ser destruída pela própria gravidade. Chega uma hora em que não sobra mais estrela. Só gravidade. Na verdade, um pontinho no espaço onde a gravidade tende ao infinito. Esse pontinho é o que os físicos chamam de "singularidade". Com o passar do tempo, a singularidade vai sugando tudo o que tem à sua volta. A massa e a energia dos objetos que ela engole deixa o buraco negro "mais forte". O poder de sucção dele aumenta, ele engole mais coisas, fica mais forte... Em suma: o crescimento do buraco negro acontece numa espiral infinita. Com a "singularidade tecnológica" seria a mesma coisa. Uma máquina mais inteligente que a humanidade criaria ela mesma máquinas ainda mais sofisticadas, sem precisar de programadores humanos. A inteligência artificial cresceria por conta própria, igual o poder de sucção dos buracos negros. Esse processo tenderia ao infinito, com máquinas dando à luz máquinas incríveis que depois criam máquinas ainda mais fantásticas. E nós ficaríamos só assistindo. Isso é só uma possibilidade teórica. Mas talvez estejamos dando agora mesmo os primeiros passos para chegar a essa realidade. E por um motivo simples: construímos máquinas cada vez mais à imagem e semelhança do nosso cérebro. A inteligência humana foi produzida pela seleção natural. Ao longo da evolução, nossa cabeça cresceu para lidar com desafios que nossos corpos não teriam como vencer - tente correr de um leão na savana africana para ter uma referência mais completa do que estamos falando. A sobrevivência dos seres humanos dependeu basicamente do desenvolvimento da capacidade de criar extensões dos nossos corpos - ferramentas - e ao mesmo tempo ter a chance de nos especializarmos no uso delas. Podemos, portanto, resumir o cérebro humano em duas qualidades básicas: capacidade de processamento (para imaginar a ferramenta certa) e plasticidade (para se adaptar ao uso da tal ferramenta). Primeiro vamos falar da capacidade de processamento. Qual é o desempenho computacional dos nossos miolos? Pesquisadores da IBM fizeram essa conta e estimam que o cérebro é capaz de atingir 36,8 petaflops - ou 36,8 quatrilhões de operações por segundo. Isso equivale a mais ou menos 1 milhão de PCs trabalhando em conjunto. Coordenar o trabalho de tantos chips ainda é algo impossível com a tecnologia de hoje. Mas os supercomputadores têm avançado um bocado. Em 2012, o Sequoia, da IBM, conseguiu atingir 16,32 petaflops - quase metade da capacidade humana. Ainda assim, ele não faz nada tão incrível quanto nós fazemos - coisas como pensar que estamos vivos. Por quê? Para responder a essa pergunta, entra a segunda qualidade básica da sua cabeça: a plasticidade. Seu cérebro é altamente maleável, adaptável. Conforme o sistema nervoso vai se desenvolvendo, diversas regiões cerebrais vão assumindo diferentes responsabilidades. Sabe-se, por exemplo, que há áreas determinadas para o processamento da linguagem. Também há partes específicas do cérebro que controlam partes diferentes do corpo, como os pés e as mãos. Mas o melhor de tudo é que dá para adaptar o cérebro conforme o uso. É a plasticidade que permite, por exemplo, que um sujeito se torne um grande pianista. As áreas do cérebro referentes às mãos se expandem enormemente em quem treina piano durante muitos anos. "Nosso cérebro é um sistema projetado para aprender, para se moldar na interação com o ambiente", diz o psicólogo Steven Pinker, de Harvard, um dos maiores especialistas no funcionamento da massa cinzenta. Os melhores cérebros eletrônicos de hoje funcionam basicamente assim. Ou seja: eles conseguem aprender. "As técnicas que evoluíram no campo da inteligência artificial são similares às tecnicas que o cérebro usa", diz Kurzweil. "E isso não aconteceu porque esse campo de pesquisa estava copiando o cérebro". Ou seja: foi uma feliz coincidência. Uma coincidência que permitiu máquinas como o Watson, capazes de aprender por conta própria quando leem um livro - que nem você. Conforme a plasticidade dos cérebros eletrônicos aumente, é possível que uma hora eles fiquem tão complexos quanto o cérebro que você carrega. Kurzweil, que é o maior arauto dessa tese, estima que as máquinas chegarão a uma inteligência equivalente à humana em 2029. Sim, exatamente 2029. Ele chegou a esse número com base em projeções matemáticas sobre a evolução da capacidade de processamento. Claro que a previsão é polêmica - para muitos pesquisadores, cravar o ano em que algo tão imprevisível e insólito deve surgir é loucura. Ponto. Seja como for, pelas contas de Kurzweil, a singularidade propriamente dita começará em 2045, quando um único computador será mais inteligente que a humanidade inteira. Uma máquina com tamanho poder seria tão fascinante quanto perigosa. Por um lado, ela seria capaz de coordenar e executar todas as atividades hoje atribuídas a nós, como escrever um grande romance ou unificar numa só teoria a física quântica (que rege o universo subatômico) e a relatividade (que dita as ordens no mundo das coisas grandes) - algo que Einstein morreu tentando fazer. Tudo isso em questão de segundos. Lindo. Por outro lado, qual é o nível de respeito que uma máquina assim teria pela gente? Estamos falando de um "sujeito" para quem um Einstein ou um Dostoievski são só cachorrinhos - e nós, formigas. A gente não dá muito valor à habilidade intelectual de uma formiga, certo? Isso dá a noção exata do tamanho do perigo. Estamos criando uma possível "forma de vida" ultrapoderosa que pode ou não compartilhar nossos valores éticos e morais. Para discutir essas implicações, aliás, Kurzweil criou um projeto ambicioso: a Singularity University, no Vale do Silício. Trata-se de uma entidade fundada em 2008 que oferece cursos de pós-graduação focados em "montar, educar e inspirar um grupo de líderes". A esses líderes caberá "guiar o desenvolvimento" dessa superinteligência artificial que estaria por vir. A esperança por trás da iniciativa é que essas máquinas já nasçam "cultivando" valores como democracia, liberdade de expressão... Em suma, fazer com que elas, mesmo sendo vastamente mais poderosas que nós, tenham "bom senso" suficiente para não nos destruir. "As pessoas dizem: `Ei: isso não soa como uma estratégia infalível'", diz Kurzweil. "E não é mesmo. Mas é o melhor que podemos fazer." UPLOAD DE CONSCIÊNCIAS Se você não pode vencê-los, junte-se a eles. Esse ditado vai fazer mais sentido do que nunca num mundo com máquinas bilhões de vezes mais inteligentes do que nós: juntar-se a elas pode ser o futuro da humanidade. "Um dia poderemos descarregar nossas lembranças num computador e preservá-las", diz outro especialista em sistemas inteligentes: o brasileiro Miguel Nicolelis, que trabalha no desenvolvimento de próteses capazes de conversar com cérebros humanos - e de funcionar como se fossem braços ou pernas normais. Esse "descarregamento", em tese, pode significar o upload da sua consciência para dentro de uma máquina. A mente continuaria viva após a morte do corpo. E acabaria deitada eternamente no berço esplêndido de um simulador de realidade... Não deixa de ser uma forma de alcançar a vida eterna. Bom, provavelmente caberá à máquina decidir se você vai saber que vive numa simulação. Ela pode achar que é melhor você não saber de nada, e ir tocando a vida achando que tem um corpo, que respira, que vai morrer um dia... Se for assim, inclusive, a singularidade pode já ter acontecido. E nós estaríamos vivendo agora mesmo numa ilusão, numa "Matrix". Essa hipótese, ao menos filosoficamente, não tem como ser refutada, já que não dá para imaginar o que uma inteligência superior é realmente capaz de fazer. Ou de já ter feito.