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domingo, 30 de março de 2014

EVOLUÇÃO: RATO É O ÚNICO MAMÍFERO QUE SE BANHA EM VENENO PARA MATAR QUALQUER PREDADOR QUE O ATACAR

Pesquisadores descobriram um comportamento inédito em mamíferos: pela primeira vez, foi relatado que uma espécie de rato evoluiu para um engenhoso método de afastar qualquer predador que tentar comê-lo. O rato cristado africano mastiga as raízes e cascas de uma árvore altamente tóxica e, em seguida, esfrega a mistura letal na sua pele especialmente adaptada para a substância. Todos os animais que o atacarem receberão um bocado de veneno potencialmente mortal. “A necessidade de deter os predadores levou a uma das defesas mais extraordinárias conhecidas do reino animal”, afirma Jonathan Kingdon, autor principal do estudo. O rato cristado africano (Lophiomys imhausi) é encontrado no nordeste do continente, e os cientistas acreditam há muito tempo que é venenoso: tem havido vários relatos de cães domésticos que morreram depois de tentar mordê-lo. A toxina que o rato usa vem da árvore venenosa Acokanthera schimperi. Tradicionalmente, este veneno é usado por caçadores para matar elefantes. Ou seja, o que impressiona a equipe de cientistas é a forma como o roedor é capaz de sobreviver a uma dose da toxina. Quando longe do perigo, o roedor se parece com um rato de pelo longo cinza. No entanto, quando se está sob ataque de animais, como gatos selvagens e leopardos, ele não foge, pois é extremamente lento. Em vez disso, o rato congela, e expõe um pelo preto e branco listrado que corre pelo seu flanco – é esta a pele “encharcada” em veneno. “O veneno é orgânico. Nós todos temos quantidades mínimas dele em nossos corpos, que controla a força do batimento cardíaco. Mas se você tem muito, seu coração bate com tanta força que você tem um ataque cardíaco”, explica Kingdon. Uma análise mais atenta revelou que estes pelos do flanco do rato tem uma estrutura incomum, completamente sem precedentes em qualquer outro animal. A microscopia mostrou que os pelos nas costas elaboram um veneno muito parecido com o pavio de uma vela, garantindo que cada pelo fique saturado com uma dose tão grande de veneno quanto possível. O resto dos pelos do rato tem uma estrutura mais típica dos mamíferos. Os pesquisadores acreditam que a exibição elaborada do pelo é atraente para os predadores. “À medida que o predador corre e tenta fazer a sua primeira mordida, o rato garante que o flanco seja a primeira coisa que o predador encontra, graças a sua coloração”, fala Kingdon. A tática parece bem sucedida: se o predador não morre de envenenamento, é improvável que queira dar uma mordida no rato novamente. O único animal que usa um truque semelhante é o ouriço. Às vezes o animal mata um sapo e morde suas glândulas, esfregando a mistura tóxica em seus espinhos. No entanto, o veneno parece aumentar o desconforto que seus espinhos causam, ao invés de ter um efeito letal sobre seu predador. O próximo passo da pesquisa é descobrir mais sobre esta relação evolutiva incomum entre planta, predador e presa. Os cientistas também estão ansiosos para descobrir como e por que este rato é capaz de resistir a tal veneno, quando tantos outros animais não conseguem. A equipe disse que isso pode ter implicações médicas interessantes. Isolar a parte do veneno que ajuda na batida do coração e identificar os componentes fisiológicos do rato que o impedem de morrer da toxina poderia levar a novos tratamentos para problemas cardíacos. FONTE:BBC

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PRIMEIRO GRANDE PREDADOR ERA UM CAMARÃO GIGANTE COM MEGAVISÃO

A 500 milhões de anos, criaturas marítimas fugiam de uma criatura aterrorizante: um gigantesco camarão primitivo, com visão super desenvolvida. É um dos animais conhecidos mais antigos a ter olhos compostos, a marca registrada dos insetos modernos e crustáceos. Anomalocaris – que significa “estranho camarão” – é o exemplo mais antigo de um bom predador. Com 90 a 200 centímetros, era o maior animal dos mares Cambriano (fim da era geológica paleozóica). Ele possuía patas ágeis, que o permitiam agarrar sua presa e coloca-lá na boca. Sem pernas, ele devia nadar em alto mar. Isso levanta uma questão: como ele encontrava suas presas? Ele tinha olhos, mas todos os fósseis descobertos até agora estão em péssimas condições, dificultando saber se eram bons ou não. Mas John Paterson e seus colegas encontraram um par de olhos bem conservados, de 515 milhões de anos, na Ilha Kangaroo, fora da costa sul do país. “Anomalocaris tinha ótima visão, rivalizando ou superando a de muitos insetos e crustáceos vivos”, comenta Paterson. O OLHO QUE TUDO VÊ Os olhos estavam em hastes que saíam da cabeça do camarão, cada um com dois a três centímetros de diâmetro – o tamanho de uma azeitona. Eles eram cobertos com lentes, com 70 a 110 micrometros cada. Isso significa que cada olho tinha pelo menos 16 mil lentes. “Pouquíssimos animais modernos, particularmente os artrópodes, têm olhos tão sofisticados”, afirma Paterson. Moscas comuns, por exemplo, têm apenas 3 mil lentes. As únicas comparáveis são algumas moscas predadoras que possuem até 28 mil lentes em cada olho. A visão aguçada do Anomalocaris provavelmente o permitia procurar sua presa nas camadas superiores do oceano, bem iluminadas. Os primeiros artrópodes – o grupo que abriga os insetos, aranhas e o Anomalocaris – provavelmente tinham olhos compostos. Para utilizar esses olhos, o Anomalocaris tinha que ter um cérebro razoável. E, de fato, evidências moleculares sugerem que estruturas chave do cérebro humano vêm desde os primeiros animais complexos, a pelo menos 600 milhões de anos – muito antes do estranho camarão. HORA DA REFEIÇÃO Ainda não é claro o que o Anomalocaris comia. Paterson aponta para marcas de mordida e outros ferimentos encontrados em trilobitas (artrópodes) do período, o que pode indicar ataques do predador. Mas também existem sugestões de que sua boca era fraca demais para quebrar conchas, e, nesse caso, ele devia procurar por animais moles. Peterson afirma que a ameaça do camarão deve ter forçado outras espécies, presas e outros predadores a evoluir rapidamente. Conchas duras eram um caminho óbvio, e surgiram logo depois. Estranhamente, o Anomalocaris não era muito protegido: ele tinha, provavelmente, apenas um exoesqueleto mole. Mas, independente disso, ele foi um sucesso. Animais como ele sobreviveram até 480 milhões de anos atrás. FONTE: [NewScientist]