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domingo, 8 de fevereiro de 2015
CONHEÇA OS SEGREDOS DO VENENO DOS ESCORPIÕES
Muitos animais – aranhas, cobras, abelhas, arraias, centopéias, anêmonas, formigas e caracóis, para citar alguns – produzem veneno. Comparado com o veneno dos outros animais, o veneno de escorpião é um dos tipos mais simples de se estudar.
Simples, mas assustador. Porém, os cientistas não estão se deixando levar pelo medo que criaturas como escorpiões despertam. Na segurança de seus laboratórios, pesquisadores estão trabalhando com escorpiões e outras criaturas que picam. Dissecando e decodificando os seus segredos, os cientistas são capazes de fazer versões químicas próprias dos seus venenos.
Para extrair o veneno de um escorpião, os cientistas costumam usar uma ferramenta para segurar o animal à distância. Um leve choque elétrico, então, faz com que o animal esguiche um pouco de veneno, que os cientistas coletam em um tubo de ensaio pequeno.
Inspirados nesse animal, os cientistas estão desenvolvendo pesticidas, tratamentos de câncer, analgésicos e muito mais.
Segundo os pesquisadores, basta olhar o mundo do ponto de vista do escorpião. Você não queria ser a presa dessa criatura. Quando ele ataca, a vítima raramente tem tempo de revidar. Ele agarra e prende seu alvo e, usando o ferrão de sua extremidade traseira, retira a carne da vítima de uma só vez. Então, o sofrimento começa.
Depois de um choque inicial de dor intensa, a presa começa a sentir queimação e formigamento, seguido de agitação e tremores, e paralisia. Se a vítima não morre do veneno do escorpião, ele provavelmente irá comê-la viva. Algumas pessoas podem até morrer da picada venenosa de alguns escorpiões.
Ou seja, o escorpião quer toxinas que possam matar os insetos que ele come. Ele também quer toxinas para se defender, no caso de algo grande e desagradável o ameaçar. Há uma grande quantidade de produtos químicos diferentes em seu corpo. Estudar esses produtos químicos tem um enorme potencial.
O veneno do escorpião parece uma sopa grossa leitosa, e é feito de uma variedade de moléculas, incluindo centenas de pequenas proteínas chamadas peptídeos. Muitos desses peptídeos são tóxicos – eles têm o poder de danificar as células das vítimas. Podem causar paralisia, ou matá-las, etc.
As toxinas do veneno têm que adentrar as células para causar danos. Na pele do ser humano, por exemplo, são inofensivas. Dentro das células, o veneno trabalha de formas diferentes para destruí-las ou alterá-las.
Um esguicho de veneno típico tem entre 5 e 50 microlitros. Um microlitro é um milionésimo de um litro. 50 microlitros é o tamanho de uma gota muito pequena. Nessa quantidade quase irrisória, há um monte de peptídeos tóxicos.
Uma vez que os pesquisadores conseguem extrair esse veneno, eles usam técnicas básicas para separar os peptídeos dentro das gotas coletadas. Em seguida, eles estudam os peptídeos e os testam em animais. O objetivo é compreender como eles diferem uns dos outros e o que eles fazem.
Esse tipo de pesquisa envolve muitos desafios. Existem 1.300 espécies de escorpiões no mundo, e cerca de 300 peptídeos no veneno de cada um. Os pesquisadores estimam que há provavelmente mais de 100.000 diferentes peptídeos. Até agora, eles identificaram cerca de 500 deles. Isso é apenas meio por cento do total que existe.
Porém, algumas abordagens do estudo podem ser muito úteis. Uma das mais promissoras é usar as toxinas do veneno como pesticidas para proteger as culturas agrícolas de insetos.
Alguns peptídeos tóxicos vêm atingindo um determinado tipo de inseto há milhões de anos. Por exemplo, alguns escorpiões da África produzem um composto tóxico chamado AAIT. Essa toxina paralisa alguns tipos de besouros, mas não faz nada para outros e não tem efeito em seres humanos. Outros tipos de toxinas funcionam apenas em grilos ou gafanhotos.
Esse tipo de ataque focado é muito útil. Os pesticidas tradicionais são feitos de produtos químicos fortes que tendem a prejudicar todos os animais da mesma forma. Assim, insetos polinizadores úteis, e animais inocentes, como vacas e pessoas, também são atingidos. O pesticida de veneno de escorpião também seria mais seguro e ecológico, porque se decompõe.
O maior desafio é como atingir os insetos com o pesticida. Pulverizá-lo sobre as plantas não ajuda, pois os insetos podem engolir o veneno sem danos. Em vez disso, os pesquisadores estão testando bactérias e fungos que podem levar as toxinas aos corpos dos insetos, como as picadas de escorpião fazem.
Outro benefício das toxinas do veneno de escorpião é que elas podem ajudar a curar as pessoas. Algumas delas afetam apenas células de mamíferos. Estes compostos provavelmente fornecem ao escorpião defesa contra predadores, como coiotes e esquilos. Mas eles também funcionam em seres humanos.
Compostos tóxicos que matam células, por exemplo, podem ser injetados em tumores para combater o câncer. Compostos que paralisam células poderiam combater a dor.
Os pesquisadores disseram que ainda têm muito o que aprender com a natureza, e muito o que tirar proveito do veneno dos escorpiões. Muitas vidas podem ser salvas daquilo que, para eles, representa a morte.
FONTE:sciencenews.org/view/feature/id/63561/title/Better_living_from_scorpion_venom
domingo, 31 de agosto de 2014
POR QUE O MONÓXIDO DE CARBONO (CO) É VENENOSO?
Todo veneno tem uma característica específica que o torna venenoso. No caso do monóxido de carbono, a característica tem a ver com a hemoglobina no sangue.
A hemoglobina é formada por proteínas complexas que se unem aos átomos de ferro. A estrutura da proteína e do seu átomo de ferro faz com que o oxigênio se una ao átomo de ferro de maneira bastante superficial. Quando o sangue passa pelos pulmões, os átomos de ferro na hemoglobina se unem a átomos de oxigênio. Quando o sangue flui por áreas do corpo com pouco oxigênio, os átomos de ferro liberam o oxigênio deles. A diferença na pressão do oxigênio nos pulmões e nas partes do corpo que precisam de oxigênio é muito pequena. A hemoglobina é bastante sintonizada para absorver e liberar oxigênio apenas nas horas certas.
O monóxido de carbono, pelo contrário, se une com bastante força ao ferro na hemoglobina. Quando o monóxido de carbono se prende, é bem difícil de soltar. Então, se você inala monóxido de carbono, ele gruda em sua hemoglobina e ocupa todas as áreas de ligação de oxigênio. Com o tempo, seu sangue perde toda a capacidade de transportar oxigênio e você sufoca.
Como o monóxido de carbono se une com muita força à hemoglobina, você pode ser envenenado por monóxido de carbono - até mesmo em concentrações bem baixas - se estiver exposto por um longo período. Concentrações baixas de 20 ou 30 partes por milhão (PPM) podem ser prejudiciais se você ficar exposto por várias horas. Uma exposição a 2 mil PPM por uma hora resultará em perda de consciência.
Muitas coisas comuns produzem monóxido de carbono, inclusive carros, equipamentos a gás, fornos a lenha e cigarros.
FONTE:http://ciencia.hsw.uol.com.br/questao190.htm
sexta-feira, 16 de maio de 2014
VENENO DE CENTOPEIAS E LACRAIAS É O REMÉDIO MAIS EFICIENTE DO QUE MORFINA
Cientistas de várias partes do mundo realizaram estudos e descobriram que o veneno de algumas espécies de centopeias, lacraias e outros miriápodes pode ser utilizado para produzir remédios contra a dor, até mesmo mais eficientes do que a morfina. Nos laboratórios, os pesquisadores vêm extraindo o veneno das mandíbulas destes animais, que, ao entrarem em contato direto com o ser humano, podem causar fortes dores, inchaço e erupções na pele.
Os estudos que analisam o potencial do veneno dos miriápodes foram elaborados por cientistas australianos, chineses e mexicanos. De acordo com o professor Glenn King, da Universidade de Queensland, na Austrália, algumas experiências com o veneno destes animais obtiveram resultados semelhantes à ação da morfina, e, em outras, as propriedades liberadas pelos miriápodes foram consideradas mais eficientes do que o remédio utilizado para tratar dores intensas.
Segundo informou o site português Manchete Atual, o estudo australiano também comprovou que, ao ser processado em laboratório, o veneno da centopeia chinesa de cabeça vermelha consegue inibir em até 150 vezes mais do que os remédios convencionais a liberação da proteína Nav1.7, responsável pela transmissão da dor pelo organismo.
Experiências realizadas na América Latina também comprovam a eficiência das substâncias liberadas por estes animais na produção de remédios contra fortes dores. De acordo com o site mexicano El Universal, um grupo de pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e da Universidade Autônoma do Estado de Morelos já aponta para o uso medicinal do veneno dos miriápodes.
Com o êxito das experiências, a Comissão Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade do México (CONABIO) autorizou a elaboração de um catálogo de espécies de centopeias e outros miriápodes que podem ser usados para fabricar remédios. A partir desta compilação de dados, os cientistas mexicanos vêm estudando arquivos sobre estes animais em museus europeus, e firmando acordos de cooperação com outros centros de pesquisa, como a Universidade de Pádua, na Itália.
Além das recentes pesquisas sobre o potencial do veneno das centopeias, diversas substâncias de animais peçonhentos vêm sendo usadas para fins medicinais. Além da inoculação do veneno de serpentes para amenizar os efeitos das picadas, o veneno do escorpião azul, ao ser processado em laboratórios, pode ser aplicado como tratamento alternativo para pacientes com vários tipos de câncer.
FONTE:Discovery Brasil
sexta-feira, 4 de abril de 2014
VENENO DE CARACOL MARINHO TRATA DOR CRÔNICA EM DOENTES COM CÂNCER
Animais têm uma grande diversidade de venenos.
O veneno letal do caracol marinho,‘conus geographus’, pode vir a ser utilizado no tratamento da dor crónica em doentes com câncer, Aids, Alzheimer ou diabetes, anunciou o geneticista Agostinho Antunes, que participou na investigação. "Estes caracóis marinhos têm uma grande diversidade de venenos, alguns de extrema potência, que conseguem ser dez mil vezes mais potentes do que a morfina", disse o investigador, que faz parte da equipa que estudou esta espécie da Grande Barreira de Coral na Austrália. A investigação, publicada na revista científica ‘Nature Communications’, "abre caminho para a identificação de novas toxinas de venenos que atuam no sistema nervoso humano, podendo resultar em novos tratamentos para a dor crónica".
Fonte: Correio da Manhã
domingo, 30 de março de 2014
EVOLUÇÃO: RATO É O ÚNICO MAMÍFERO QUE SE BANHA EM VENENO PARA MATAR QUALQUER PREDADOR QUE O ATACAR
Pesquisadores descobriram um comportamento inédito em mamíferos: pela primeira vez, foi relatado que uma espécie de rato evoluiu para um engenhoso método de afastar qualquer predador que tentar comê-lo.
O rato cristado africano mastiga as raízes e cascas de uma árvore altamente tóxica e, em seguida, esfrega a mistura letal na sua pele especialmente adaptada para a substância. Todos os animais que o atacarem receberão um bocado de veneno potencialmente mortal.
“A necessidade de deter os predadores levou a uma das defesas mais extraordinárias conhecidas do reino animal”, afirma Jonathan Kingdon, autor principal do estudo.
O rato cristado africano (Lophiomys imhausi) é encontrado no nordeste do continente, e os cientistas acreditam há muito tempo que é venenoso: tem havido vários relatos de cães domésticos que morreram depois de tentar mordê-lo.
A toxina que o rato usa vem da árvore venenosa Acokanthera schimperi. Tradicionalmente, este veneno é usado por caçadores para matar elefantes. Ou seja, o que impressiona a equipe de cientistas é a forma como o roedor é capaz de sobreviver a uma dose da toxina.
Quando longe do perigo, o roedor se parece com um rato de pelo longo cinza. No entanto, quando se está sob ataque de animais, como gatos selvagens e leopardos, ele não foge, pois é extremamente lento. Em vez disso, o rato congela, e expõe um pelo preto e branco listrado que corre pelo seu flanco – é esta a pele “encharcada” em veneno.
“O veneno é orgânico. Nós todos temos quantidades mínimas dele em nossos corpos, que controla a força do batimento cardíaco. Mas se você tem muito, seu coração bate com tanta força que você tem um ataque cardíaco”, explica Kingdon.
Uma análise mais atenta revelou que estes pelos do flanco do rato tem uma estrutura incomum, completamente sem precedentes em qualquer outro animal.
A microscopia mostrou que os pelos nas costas elaboram um veneno muito parecido com o pavio de uma vela, garantindo que cada pelo fique saturado com uma dose tão grande de veneno quanto possível. O resto dos pelos do rato tem uma estrutura mais típica dos mamíferos.
Os pesquisadores acreditam que a exibição elaborada do pelo é atraente para os predadores. “À medida que o predador corre e tenta fazer a sua primeira mordida, o rato garante que o flanco seja a primeira coisa que o predador encontra, graças a sua coloração”, fala Kingdon.
A tática parece bem sucedida: se o predador não morre de envenenamento, é improvável que queira dar uma mordida no rato novamente.
O único animal que usa um truque semelhante é o ouriço. Às vezes o animal mata um sapo e morde suas glândulas, esfregando a mistura tóxica em seus espinhos. No entanto, o veneno parece aumentar o desconforto que seus espinhos causam, ao invés de ter um efeito letal sobre seu predador.
O próximo passo da pesquisa é descobrir mais sobre esta relação evolutiva incomum entre planta, predador e presa.
Os cientistas também estão ansiosos para descobrir como e por que este rato é capaz de resistir a tal veneno, quando tantos outros animais não conseguem.
A equipe disse que isso pode ter implicações médicas interessantes. Isolar a parte do veneno que ajuda na batida do coração e identificar os componentes fisiológicos do rato que o impedem de morrer da toxina poderia levar a novos tratamentos para problemas cardíacos.
FONTE:BBC
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
3 FORMIGAS QUE VC NÃO GOSTARIA DE CONHECER DE PERTO
Ao contrário do que muitos podem pensar, alguns dos ferrões mais dolorosos do mundo dos insetos pertencem às formigas, apesar da fama ficar com abelhas e vespas.
Se você já teve um encontro com a formiga lava-pés e achou desagradável, aqui vão 3 outras formigas para passar bem longe.
POGONOMYRMEX MARICOPA
Pogonomyrmex maricopa é uma das formigas mais comuns do Arizona (E.U.A) e é considerada o inseto mais venenoso do mundo.
O veneno contido na picada desta formiga é equivalente ao de doze picadas de abelha. O processo da picada é efetuado em duas partes em que a formiga morde e, segurando com suas mandíbulas, aplica o ferrão. Esse método permite que ela injete veneno repetidas vezes na mesma região.
Em pessoas alérgicas seu veneno pode provocar a morte.
FORMIGA CABO-VERDE
A Paraponera clavata (formiga cabo-verde) existe nas florestas tropicais da Nicarágua até o Paraguai e é famosa por seu ferrão.
Sua picada é considerada a mais dolorosa de todos os insetos e ocupa o topo da escala Schmidt de dor (Schmidt Sting Pain Index), sendo descrita como 24 horas ininterruptas de dor intensa.
Em rituais de iniciação de algumas tribos, para atingir a maioridade, um garoto precisa aguentar vinte picadas dessa formiga sem gritar.
MYRMECIA PILOSULA
O que seria de uma lista com insetos venenosos se não constasse ao menos um vindo da Austrália?
Myrmecia pilosula é uma formiga encontrada na Austrália e na Tasmânia que, quando adultas, tendem a ser solitárias, apesar de viverem em colônias. São extremamente territoriais e agressivas. Lutam com outras da mesma espécie e até mesmo, com as da sua própria colônia.
O veneno dessa formiga está entre os mais potentes do mundo dos insetos e a ferroada provoca inchaço, irritação e febre. Em pessoas alérgicas, pode provocar choque anafilático.
Na Tasmânia ela provoca mais mortes do que aranhas, vespas, cobras e tubarões. Combinados!
FONTE: BOCABERTA
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
A NOVA GERAÇÃO DE ANALGÉSICOS PODE TER ORIGEM EM VENENO DE COBRA
Atualmente o medicamento mais eficaz no combate à dor é a morfina, mas esta apresenta muitos efeitos colaterais para o paciente, entre eles uma severa dependência química.
Pesquisadores franceses divulgaram em outubro de 2012 uma descoberta que pode acabar com esse problema, foram detectadas propriedades analgésicas parecidas no veneno da mamba negra (Dendroaspis polylepis), uma perigosa cobra africana.
Em 1990 cientistas descobriram que uma família de proteínas, chamadas de ASICs, são as principais responsáveis pela sensação de dor nos seres humanos. Estudando o veneno da mamba negra, eles chegaram à conclusão de que ele possuía um forte potencial anestésico, sendo menos prejudicial à saúde em comparação com a morfina e agindo diretamente sobre as ASICs, através dos peptídeos.
Uma picada dessa cobra pode ser fatal, levando a vítima a óbito em poucas horas após o ataque. Porém, com a manipulação em laboratório, o veneno pode se tornar a principal arma contra dores lancinantes, sobretudo para aliviar o sofrimento de pacientes terminais.
Essa pesquisa foi desenvolvida por Sylvie Diochot e Anne Baron, cientistas do Instituto de Farmacologia Molecular e Celular (CNRS/Universidade de Nice-Sophia Antipolis).
FONTE: sitedecuriosidades
sexta-feira, 27 de abril de 2012
POLÔNIO: O MAIS LETAL DOS VENENOS
Apenas 1 grama de polônio é o suficiente para matar 10 milhões de pessoas. Mesmo assim, o elemento está presente em produtos e alimentos de uso diário.
Imagine um veneno capaz de matar um adulto com uma dose de apenas 1 micrograma. Pior ainda: com apenas 1 grama desse material, um terrorista seria capaz de matar 10 milhões de pessoas. Pode parecer mentira, mas esse "veneno" existe naturalmente em nosso planeta e a sua descoberta se cruza com a história da radioatividade.
Em 1898, Marie e Pierre Currie investigavam a causa da radiotividade da pechblenda, um mineral muito rico em urânio. Durante suas pesquisas, o casal percebeu que, ao remover o urânio e o tório do minério, a pechblenda se tornava ainda mais radioativa. Isso os instigou a procurar por novos elementos naquela amostra.
Foi assim que Marie Curie isolou o polônio, elemento que acabou sendo batizado em homenagem à sua terra natal, a Polônia. Na época, o país ainda não existia como uma nação independente e, ao batizar o novo elemento dessa forma, Curie pretendia chamar a atenção para a crise enfrentada naquela região. Assim, o polônio foi, provavelmente, o primeiro elemento químico usado para divulgar uma situação política.
Pronto para matar
Discos com amostras de polônio, vendidos para laboratórios (Fonte da imagem: Sciene Photo Library)
O polônio possui características que o tornam perfeito para ser usado em crimes de envenenamento. Por ser um emissor de partículas alfa, a radiação do elemento possui curto alcance, sendo incapaz de atravessar paredes.
Na verdade, a radiação do polônio pode até mesmo ser interrompida por uma folha de papel ou pela camada de células mortas da nossa pele. Isso torna o “veneno” muito fácil de ser transportado, podendo ser levado, inclusive, em um pequeno pote de vidro bem fechado.
Porém, o polônio se torna letal ao ser ingerido ou inalado pelo ser humano, já que as partículas radioativas estarão, assim, em contato direto com os tecidos internos do corpo. Basta 1 micrograma de polônio 210 para matar uma pessoa de 80 kg. Com 1 grama desse elemento um terrorista poderia contaminar cerca 20 milhões de pessoas e matar pelo menos metade delas.
Sendo assim, o Po 210 acaba sendo um veneno ainda mais perigoso, já que, ao exigir uma quantia tão pequena para matar, ele se torna imperceptível para a vítima. Como se não bastasse, o polônio 210 é um elemento que evapora com facilidade, o que privilegia o seu uso na forma de gás para a contaminação de um ambiente.
O que nos deixa mais seguros é a dificuldade encontrada para se conseguir o elemento. Estima-se que a produção mundial de polônio 210 não ultrapasse 100 gramas por ano. Além disso, o polônio possui uma meia-vida muito curta, de 138 dias, e isso faz com que o elemento tenha que ser obtido e utilizado muito rapidamente.
Sintomas da intoxicação por polônio
Dentro do corpo humano, o polônio tem meia-vida de 30 dias. Isso significa que, nesse período de tempo, metade da quantidade ingerida do material acaba sendo eliminada por fezes ou urinas da vítima e, também, pela própria atividade radioativa do elemento.
Os sintomas da contaminação por polônio variam de acordo com a quantidade do material que entrou em contato com a vítima. Essa quantidade é medida em grays (Gy), unidade do sistema métrico internacional para definir a quantidade de radiação absorvida pela matéria.
* 100 a 200 cGy: a pessoa não sente sintoma algum imediatamente. Mas, com o passar dos dias, começa a sentir náuseas e fadiga, podendo ocorrer vômito. A morte, se ocorrer, será dentro de 5 a 6 semanas;
* 300 cGy: a vítima também apresenta queda de cabelo e aumentam as chances de falecimento. Desse nível em diante, os sintomas só ficam piores e a morte, dolorosa e lenta, se torna cada vez mais certa;
* 600 cGy: a vítima tem 90% de chances de morrer se não procurar tratamento. As partículas alfa atacam o sistema sanguíneo, incluindo a medula óssea e os leucócitos, causando hemorragias e infecções. A morte pode acontecer a partir da quarta semana após o contágio; e
* 750 cGy e 800 cGy: morte certa. A radiação acaba com a mucosa do sistema gastrointestinal, causando graves diarreias, sangramentos, perda de fluídos e um grande distúrbio eletrolítico. Nesses casos, a pessoa sobrevive por apenas 4 semanas, mesmo com tratamento.
Uso de polônio pela KGB
Alexander Litvinenko antes (esquerda) e depois do envenenamento (Fonte da imagem: Wikipedia/Nuclear W. Archive)
Em 2006, o polônio voltou a ser personagem em um caso de intriga política. Dessa vez, na Rússia, pátria do ex-espião da KGB Alexander Litvinenko, que foi envenenado quando começou a se voltar contra seus superiores e fazer acusações contra o governo de Vladimir Putin.
Apesar de trágico, o envenenamento de Litvinenko é considerado o primeiro caso de morte provocada pelos efeitos agudos da radiação alfa. Acredita-se que a dose de polônio 210 utilizada para o assassinato do ex-espião foi muitas vezes maior do que a dosagem letal máxima, levando-o à morte em um período de três semanas.
Além de sentir algumas sintomas já no dia de seu envenenamento, Litvinenko ficou muito doente cerca de 11 dias depois e chegou a um estado de saúde crítico no 20º dia de internamento.
O falecimento ocorreu no 23º dia. Pouco antes da morte, Litvienko sofreu um ataque cardíaco, provavelmente provocado também pelo polônio, que a essa altura já havia danificado seu sistema cardiovascular.
CUIDADO: quem FUMA ingere polônio!
Apesar de muito perigoso, o polônio está presente em quantidade alarmante em alguns produtos comerciais, como a escova utilizada por fotógrafos para eliminar a energia estática durante a limpeza e manutenção das câmeras fotográficas. Além disso, o polônio também é usado como fonte de energia termoelétrica em satélites.
O elemento químico descoberto por Curie também pode estar presente na carne de renas e caribus, além de frutos do mar, como alguns tipos de peixes, algas e mexilhões. Mas o principal risco vem mesmo do consumo do tabaco, que absorve por meio de suas raízes o Po 210 presente em fertilizantes à base de fosfato.
De acordo com artigos publicados no American Journal of Public Health e no Journal of the Royal Society of Medicine, a indústria tabagista tentou, por mais de 40 anos e em segredo absoluto, remover o elemento do tabaco utilizado na produção de seus produtos, mas não obteve sucesso. Os resultados das pesquisas nunca foram publicados e, além disso, a indústria faz o possível para ignorar o caso e evita tocar no assunto.
Enquanto isso, cerca de 11.700 pessoas morrem, anualmente, por causa do câncer de pulmão provocado pela ingestão de polônio 210, como noticiado pelo jornal The Age.
Será que um dia veremos o símbolo de radioatividade estampado nos maços de cigarro?
Um pouco mais sobre a química do polônio
Um pouco mais sobre a química do polônio
Existem 33 isótopos de polônio, sendo que todos são radioativos e possuem massa atômica que vai de 188 a 220 u. Desses, o mais comum é o polônio 210 (210Po) que, apesar de ser produzido naturalmente, também pode ser obtido por meio da manipulação em laboratórios e reatores nucleares.
Se comparado com o rádio — outro elemento radioativo —, o polônio 210 emite 5 mil vezes mais partículas alfa, que carregam muita energia e podem chegar a destruir o material genético de células do corpo humano. Comparado com o cianureto, o Po 210 é 250 mil vezes mais letal.
Mas por ser encontrado naturalmente na superfície terrestre, todos os seres humanos carregam uma quantidade ínfima de polônio 210 dentro de si. No Brasil, por exemplo, é possível encontrar esse elemento na areia de praias ricas em tório.
Nesse caso, não há com o que se preocupar. Mas caso sinta "algo de estranho" no ar, talvez seja aconselhável uma consulta médica. Principalmente se você trabalhou, recentemente, como espião para alguma organização secreta.
FONTE:http://www.tecmundo.com.br/quimica/15082-polonio-o-mais-letal-dos-venenos.htm#ixzz1t0NCgEc5
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