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segunda-feira, 30 de junho de 2014

FACEBOOK MANIPULOU AS EMOÇÕES DE 700 MIL USUÁRIOS PARA FAZÊ-LOS SE SENTIREM MAIS FELIZES OU MAIS TRISTES

Faz algum tempo que vários estudos científicos e vozes críticas exploram a relação entre o Facebook e as emoções humanas. Em particular, quase desde a origem de dita rede social, suspeita-se que o uso contínuo do Facebook é capaz de provocar ansiedade, estresse, angústia, frustração e em geral sentimentos bem negativos e contrários ao bem-estar de uma pessoa. Em termos gerais, o Facebook deu cabimento a um singular fenômeno da psique humana: mostrar a própria vida melhor do que realmente é, maquiando aqui e acolá, corrigindo, mentindo ligeiramente. No mundo Facebook todos parecem triunfar, são felizes e têm vidas satisfatórias e plenas o tempo todo, o que pode ser convertido em uma espécie de pressão condicionante para quem pensa que todas essas vidas são melhores que a sua. Daí então a perda de confiança e segurança, a tristeza, a angústia de ter ao alcance uma vida perfeita e no entanto ser incapaz de concretizá-la. O que me parece ainda mais triste sobre este assunto é que, da mesma forma que as pessoas costumam obstaculizar argumentos contrários a suas crenças, tentam também obstar quaisquer informações que denunciem que sua vida de faz de conta das redes sociais não é bem assim. Um exemplo você pode ver, no artigo "Como está sua vida no Facebook?". Este post foi um dos recordistas da semana passada, com quase 100 mil pontos de vista, dos quais mais de 55% abandonaram a leitura antes de chegar até a sua metade. Junte se a isso os poucos "Likes" em relação a alta quantidade de visualizaçôes e podemos inferir claramente que a leitura foi incômoda e que as pessoas parecem preferir suas mentiras a ter que mudar de opinião. Mas tudo é espontâneo? A verdade é que não. Ainda que a seguinte afirmação linda com o delírio paranoico, a verdade é que inclusive (ou sobretudo) isso que cremos mais nosso, mais pessoal, mais íntimo, também é susceptível de ser convertido em mercadoria dos grandes poderes que conduzem o mundo, matéria prima para gerar ganhos, conhecimento -no mais puro estilo do século XVIII- que o Poder precisa para não morrer nunca. Prova disso é um experimento que há alguns uns anos o Facebook realizou para manipular abertamente a conduta de seus usuários e depois se beneficiar dos resultados observados. Durante uma semana de 2012 e em colaboração com acadêmicos das universidades de Cornell e Califórnia, o Facebook alterou o feed de 689 mil pessoas para saber o que aconteceria quando um usuário recebesse menos estímulos positivos ou menos estímulos negativos. Isto é, manipulou a visualização de posts, comentários, vídeos e imagens em função destas duas variáveis: as que tinham conteúdo emocional positivo e as de negativo. Seu propósito era indagar sobre o “contágio” das emoções através da rede social. De acordo com os resultados obtidos, quando o feed está um pouco mais triste que o normal, o usuário também tende a postar conteúdo emocionalmente negativo; em caso contrário, quando o feed é mais feliz, o usuário busca participar também desse impulso do ânimo coletivo. O preocupante deste exercício é, por um lado, que as respostas foram manipuladas só com alguns ajustes no algoritmo da rede social -o que coloca em suspeita nossa autonomia com respeito inclusive a entidades inertes-, e, por outro, a capacidade que o Facebook tem para executar uma manipulação de semelhante magnitude sem que nada nem ninguém possa detê-lo: nem um governo, nem seus usuários -porque deram seu consentimento nas configurações de privacidade-, nem organismos que regem a rede. Nada nem ninguém, como se, efetivamente, a tirania dos algoritmos estivesse a ponto de substituir a das grandes corporações. Fonte: theguardian.com/technology/2014/jun/29/facebook-users-emotions-news-feeds

segunda-feira, 2 de junho de 2014

COMO OS GOVERNOS OCIDENTAIS MANIPULAM A INTERNET

Sede do GCHQ britânico: agências de cinco países agem “para controlar, infiltrar, manipular e distorcer as narrativas online. Ao fazê-lo, atentam contra a própria integridade da internet”, diz Greenwald Documentos de Snowden revelam: serviços de espionagem intervêm maciçamente na rede, de modo clandestino, para desinformar, difamar adversários e espalhar intrigas Por Glenn Greenwald, no The Intercept | Tradução Antonio Martins e Vila Vudu Uma das histórias urgentes que falta contar, a partir dos arquivos de Edward Snowden, é como as agências de inteligência ocidentais estão agindo para manipular e controlar as narrativas online, com táticas extremas de construção de versões e destruição de reputações. É hora de contar um pouco desta história, e de apresentar os documentos que demonstram sua existência. Nas últimas semanas, trabalhei com a NBC News para publicar uma série de artigos sobre as “táticas sujas”empregadas pelo JTRIG (Grupo de Inteligência Conjunto para Pesquisa de Ameaças), uma unidade até há pouco secreta dos serviços de inteligência britânicos (Quartel-General de Comunicações do Governo, ou GCHQ, em inglês). Os textos baseiam-se em quatro documentos apresentados à Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) e aos três outros serviços parceiros [da Austrália, Canadá e Nova Zelândia], que integram a aliança “Five Eyes”. Agora, estamos publicando na íntegra, na Intercept, um novo documento do JTRIG document, intitulado “A arte da Manipulação: Capacitar-se para Operações Online Encobertas.” Ao publicar estas histórias, uma por uma, nossa reportagem para a NBC destacou algumas das revelações-chave: o monitoramento do YouTube e Blogger; o ataque ao grupo Anonymous, com o mesmo tipo de ataques DDoS que os “hacktivistas” são acusados de praticar; o uso de “ciladas de mel” (honey traps), que implicam atrair pessoas para situações comprometedoras, usando sexo; o emprego de vírus destrutivos. Mas agora, quero focar e elaborar sobre o ponto mais importante revelado por todos estes documentos. Estas agências estão agindo para controlar, infiltrar, manipular e distorcer as narrativas online. Ao fazê-lo, estão atentando contra a própria integridade da internet. Ente aquilo que chama de seus objetivos centrais, o JTRIG identifica duas táticas: (1) introduzir todo tipo de material falso na internet, para destruir a reputação de seus alvos; e (2) usar as ciências sociais e outras técnicas para manipular as narrativas e o ativismo online, gerando os efeitos políticos que a agência considera desejáveis. Para compreender como estes programas são extremos, basta considerar as táticas que eles vangloriam-se de empregar: “operações de bandeira falsa” (false flag operations – postar material na internet e atribuí-lo falsamente a terceiros); postagens em blog para vitimização falsa (fake victim blog posts – fingir-se de vítima de um indivíduo cuja reputação se quer destruir), e várias formas de postagem de “informação negativa”. Eis uma lista ilustrativa das táticas elencadas no último documento do GCHQ, que publicamos. Cartilha Operacional: - Operação de Infiltração; - Operação de Enganação; - Operação de Falsa Bandeira; - Operação de Falso Salvamento; - Operação de Ruptura; - Operação Sting (operação onde normalmente um agente infiltrado adquire a confiança). Outras táticas voltadas para indivíduos estão listadas aqui, sob um título revelador: “desacreditar um alvo”: - Criando uma armadilha sexual (honey-trap); - Alterar suas fotos em sites de rede social; - Escrever um blog simulando ser uma de suas vítimas; - Enviar emails e mensagens de texto para colegas, vizinhos, amigos, etc. Em seguida, as táticas usadas para destruir empresas que a agência vê como alvos: Desacreditando uma empresa: - Vazar informação confidencial para empresas/imprensa via blogs, etc. - Postar informação negativa em fóruns apropriados; - Interromper negociações, arruinar relacionamentos de negócio; A GCHQ descreve os objetivos do JTRIG em termos de clareza chocante: “usar as tecnologias online para fazer com que algo aconteça no mundo real ou virtual”, incluindo “operações de informação (influência ou ruptura)”. Efeitos (Definição): - “Usando técnicas online para fazer algo acontecer no mundo real ou virtual”; - Duas amplas categorias; - Operação de Informação (influência ou ruptura); - Ruptura técnica; - Conhecida no GCHQ como Online Covert Action (Ação Clandestina Online); - Os 4 “D”s: Negar / Romper / Degradar / Enganar; Os objetivos desta manipulação e destruição de reputação vão muito além dos alvos costumeiros da espionagem normal: nações hostis e seus líderes, outras agências militares e serviços de inteligência. Na verdade, a discussão de muitas destas técnicas ocorre no contexto de usá-las como substitutas ao “processo judiciário tradicional” contra pessoas suspeitas (mas não processadas, nem condenadas) de crimes comuns, ou, de maneira muito mais ampla, “hacktivismo” – referência a quem adota ações de protesto online com objetivos políticos. A capa de um destes documentos revela: a agência tem consciência de que está “movendo fronteiras”, ao usar técnicas “ciber-ofensivas” contra pessoas que nada têm a ver com terrorismo ou ameaças à segurança nacional — e que envolvem agentes da lei que investigam crimes comuns: Sessão de Ciber-Ofensa: Movendo os limites e Ação contra o Hacktivismo - (Nome apagado) – Efeitos de Crimes Sérios – GCHQ; - (Nome apagado) – JTRIG, GCHQ. Não importa quais sejam suas opiniões sobre o Anonymous, os “hacktivistas” ou crimes banais. Não é difícil perceber a gravidade de permitir às agências secretas do governo perseguir os indivíduos que elas desejem — pessoas que nunca foram acusadas, muito menos condenadas, por crime algum — com estes tipos de táticas baseadas em manipulação e destruição de reputações. Como Jay Leiderman demonstrou, no The Guardian, no contexto do processo contra os hacktivistas do Paypal 14, as táticas de “negação de serviço” empregadas por hacktivistas provocam, no máximo, danos triviais (muito menos graves que as operações de ciberguerra promovidas pelos Estados Unidos e Reino Unido). O ponto principal é que, muito além dos hacktivistas, as agências de vigilância investiram-se do poder de arruinar deliberadamente reputações de indivíduos e bloquear sua atividade política online. Isso ocorre mesmo quando estes indivíduos não foram acusados de crimes e quando suas ações não têm nenhuma conexão concebível com terrorismo ou ameaças à segurança nacional. Como afirma Gabriella Coleman, estudiosa do Anonymous na Universidade McGill, “perseguir o Anonymous e os hacktivistas equivale a perseguir cidadãos por expressar suas convicções políticas — o que resulta em sufocar o dissenso político legítimo. A partir de um estudo que publicou, a professora Coleman contesta veementemente a afirmação de que “haja algo de terrorista ou violento em suas ações.” Os planos do governo para monitorar e influenciar as comunicações por internet, e infiltra-se secretamente em comunidades online, para semear dissidência e disseminar falsas informações são, há muito, objeto de especulações. Cass Sunstein, um professor de Direito de Harvard, conselheiro próximo de Obama e ex-chefe do Escritório de Informação e Assuntos Regulatórios escreveu um documento controverso em 2008. Nele, propõe que o governo norte-americano empregue grupos de agentes secretos, e de mobilizadores pseudo-”independentes” para “infiltrar cognitivamente” grupos online e websites, assim como outros grupos ativistas. Sunstein também propôs enviar agentes secretos a “salas de chat, redes sociais online ou mesmo grupos presenciais”, que difundem o que chamou de “teorias conspiratórias” sobre o governo. Ironicamente, o mesmo Sunstein foi recentemente nomeado por Obama como membro de um grupo de revisão das atividades da NSA criado pela Casa Branca. É a mesma equipe que contestou acusações-chave contra a agência, limitando-se a propor um conjunto de reformas cosméticas aos poderes da agência (a maior parte das quais foi ignorada pelo presidente).
Mas estes documentos da GCHQ são a primeira prova de que um governo ocidental destacado está usando algumas das técnicas mais controversas para disseminar desinformação online, e atingir as reputações de seus alvos. Por meio destas táticas, o Estado está deliberadamente difundindo mentiras na internet, sobre quem quer que identifique como inimigo. Isso inclui o uso do que o próprio GCHQ chama de “operações falsa bandeira” e emails para as famílias e amigos dos alvos. Quem ofereceria sua confiança para que um governo exercitasse estes poderes, com o agravante do sigilo, sem nenhuma supervisão e sem os limites de qualquer norma legal conhecida? Os documentos também revelam o uso da psicologia e outras ciências sociais não apenas para entender, mas conformar e controlar o discurso do ativismo online. O documento que publicamos hoje expõe o trabalho da “Célula de Operações em Ciências Humanas” do GCHQ, que se dedica a “inteligência humana online” e a “influência e ruptura estratégicas”. Sob o título de (Ação Online Encoberta”, o documento detalha uma vasta gama de meios para promover “operações de influência e info”, bem como “ruptura e ataque em rede de computadores”. Também analisa “como os seres humanos podem ser manipulados por meio de “líderes”, “confiança”, “obediência” e “conformidade”:
O documento desenvolve teorias sobre como seres humanos interagem, particularmente online. A partir disso, tenta identificar meios de influenciar desfechos políticos:
Identificando e Explorando Pontos de Fratura - à esquerda: “Coisas que juntam um grupo: oposição compartilhada, ideologia compartilhada e crenças comuns”- à direita: “Coisas que separam um grupo: poder pessoal, rachaduras pré-existentes, competição, diferenças ideológicas”. A partir das reportagens, formulamos diversas questões à GCHQ, entre as quais: (1) A GCHQ engaja-se de fato em “operações de falsa bandeira”, nas quais posta-se na internet e atribui-se falsamente a autoria a outros?; (2) A GCHQ envolve-se em esforços para influenciar ou manipular o discurso político online?; e (3) O mandato da GCHQ inclui perseguir criminosos comuns (em operações como “boiler room”), ou apenas ameças externas? Como de costume, as questões foram ignoradas. A GCHQ optou por requentar sua resposta protocolar: “Mantemos há muito uma política de não comentar assuntos relacionados a inteligência, Além disso, todo o trabalho da GCHQ é executado de acordo com normas legais e políticas estritas, que asseguram que nossas atividades são autorizadas, necessárias e proporcionais, e que há rigorosa supervisão, inclusive da Secretaria de Estado, da Comissaria de Serviços de Interceptação e Inteligência e do Comitê Parlamentar de Inteligência e Segurança. Todos os nossos processos operacionais apoiam rigorosamente esta posição.” A recusa das agências ocidentais a “comentar assuntos de inteligência” equivale a uma negativa a falar sobre tudo e qualquer coisa que fazem. Exatamente por isso, os vazamentos internos são tão urgentes e o jornalismo que o apoia é de enorme interesse público. Também é perfeitamente possível entender os ataques cada vez mais desequilibrados destas agências. Os sinais de que órgãos de inteligência do governo estão infiltrando-se em comunidades online e se envolvendo em “operações de falsa bandeira”, para desacreditar seus alvos, são frequentemente apresentados como fruto de teorias conspiratórias. Porém, estes documentos não deixam dúvidas sobre as práticas. Nenhum governo deveria ter poderes para envolver-se em tais táticas. Que justificativa pode haver para que agências governamentais persigam pessoas — que não foram acusadas de crime algum –, destruam reputações, infiltrem-se em comunidades políticas online e desenvolvam técnicas de manipulação das narrativas online? Permitir que estas ações sejam executadas, sem nenhum conhecimento do público, é particularmente injustificável. FONTE:http://outraspalavras.net/capa/como-os-governos-ocidentais-manipulam-a-internet/

CHAVE DE FENDA SÔNICA FAZ XADREZ DE CÉLULAS

Inspiração na ficção Assim como o capitão Kirk tem um faser e os jedis têm sabres de luz, o Dr. Who tem uma chave de fenda sônica, com a qual ele faz maravilhas. Frank Gesellchen e seus colegas da Universidade de Glasgow, na Escócia, construíram agora sua própria versão do que eles próprios chamam de uma chave de fenda sônica. Embora o aparelho não sirva para consertar máquinas do tempo ou destruir fechaduras, ela é perfeita para organizar células vivas. No campo da engenharia de tecidos, é importante ter um controle preciso sobre o posicionamento das células. Geralmente isso é feito com pinças ópticas, mas a técnica não é prática quando se trata de manipular um grande número de células de forma rápida. Por isso, Gesellchen se voltou para as ondas sônicas, que recentemente serviram de inspiração para um outro experimento que também usou o Dr. Who como exemplo: Usando as forças acústicas, o aparelho portátil criado pela equipe permite a manipulação espacial das células - ou outras partículas de dimensões similares - com grande precisão. Na demonstração, células foram manipuladas para formar uma estrutura axadrezada que lembra um tecido. Segundo a equipe, o próximo passo é aprimorar a chave de fenda sônica para formar padrões tridimensionais, o que permitirá a cultura de células de forma mais parecida com tecidos biológicos reais. Bibliografia: Cell patterning with a heptagon acoustic tweezer - application in neurite guidance Frank Gesellchen, A. L. Bernassau, T. Déjardin, D. R. S. Cumming, Mathis O. Riehle Lab on a Chip Vol.: Advance Article DOI: 10.1039/C4LC00436A FONTE:INOVACAOTECNOLOGICA

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO DA MÍDIA

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia: 1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”. 2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES. Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. 3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez. 4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO. Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento. 5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE. A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”. 6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos… 7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”. 8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE. Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto… 9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE. Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução! 10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM. No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos. Fonte: Facebook

CLIMAGATE -MANIPULAÇÃO: INFLUÊNCIA HUMANA É CLARA NO AQUECIMENTO "INEQUÍVOCO" DO PLANETA, DIZ IPCC

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulga primeira parte de estudo sobre aumento da temperatura no globo e afirma que últimas três décadas foram sucessivamente mais quentes que qualquer outra desde 1850. O aquecimento do planeta é "inequívoco", a influência humana no aumento da temperatura global é "clara", e limitar os efeitos das mudanças climáticas vai requerer reduções "substanciais e sustentadas" das emissões de gases de efeito estufa. A conclusão é do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que divulgou nesta quinta-feira (30/01), em Genebra, a primeira parte do quinto relatório sobre o tema. Os cientistas do IPCC – que já foram premiados com o Nobel da Paz em 2007 – fizeram um apelo enfático para a redução de gases poluentes. "A continuidade das emissões vai continuar causando mudanças e aquecimento em todos os componentes do sistema climático", afirmou Thomas Stocker, coordenador e principal autor da Parte 1 do quinto Relatório sobre Mudanças Climáticas, cuja versão preliminar já foi apresentada em setembro de 2013. O documento serviu de base durante a Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas sobre o Clima em Varsóvia, na Polônia, no final do ano passado. Em 1500 páginas, cientistas de todo o mundo se debruçaram sobre as bases físicas das mudanças climáticas, apoiados em mais de 9 mil publicações científicas. "O relatório apresenta informações sobre o que muda no clima, os motivos para as mudanças e como ele vai mudar no futuro", disse Stocker.
Correções A versão final divulgada nesta quinta é um texto revisado e editado e não tem muitas mudanças em relação ao documento apresentado em setembro do ano passado, que elevou o alerta pelo aquecimento global e destacou a influência da ação humana no processo. "A influência humana no clima é clara", afirma o texto. "Ela foi detectada no aquecimento da atmosfera e dos oceanos, nas mudanças nos ciclos globais de precipitação, e nas mudanças de alguns extremos no clima." Segundo o IPCC, desde a década de 1950, muitas das mudanças observadas no clima não tiveram precedentes nas décadas de milênios anteriores. "A atmosfera e os oceanos estão mais quentes, o volume de neve e de gelo diminuíram, os níveis dos oceanos subiram e a concentração de gases poluentes aumentou", diz um resumo do documento. "Cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente na superfície terrestre que qualquer década desde 1850. No hemisfério norte, o período entre 1983 e 2012 provavelmente foi o intervalo de 30 anos mais quente dos últimos 800 anos", prossegue. Aquecimento dos oceanos O grupo de cientistas também lembra que o aquecimento dos oceanos domina o aumento de energia acumulada no sistema climático, e que os mares são responsáveis por mais de 90% da energia acumulada entre 1971 e 2010. "É praticamente certo que o oceano superior (até 700m de profundidade) aqueceu neste período, enquanto é apenas provável que tenha acontecido o mesmo entre 1870 e 1970", diz o relatório. O nível dos mares também aumentou mais desde meados do século 20 que durante os dois milênios anteriores, segundo estima o IPCC. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos teria aumentado cerca de 20 centímetros, diz o documento. As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e protóxido de nitrogênio (conhecido como gás hilariante) aumentaram, principalmente por causa da ação humana. Tais aumentos se devem especialmente às emissões oriundas de combustíveis fósseis. Os oceanos, por exemplo, sofrem acidificação por absorver uma parte do CO2 emitido. Futuro sombrio A temperatura global deverá ultrapassar 1,5ºC até o final deste século em comparação com níveis estimados entre 1850 e 1900. O aquecimento global também deverá continuar além de 2100, mas não será uniforme, dizem os cientistas do clima. As mudanças nos ciclos da água no mundo também não serão homogêneos neste século, e o contraste entre regiões secas e úmidas e regiões de seca e de chuvas deverá aumentar. O resumo do texto ainda constata que a acumulação de emissões de CO2 deverá ser determinante para o aquecimento global no final do século 21 e adiante. "A maioria dos efeitos das mudanças climáticas deverão perdurar por vários séculos, mesmo com o fim das emissões." Até outubro, o IPCC ainda vai publicar mais duas partes do relatório e também um documento final. A segunda parte será divulgada em março, no Japão, e detalhará os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade a mudanças climáticas. Em abril, Berlim será palco das conclusões do IPCC sobre mitigação. FONTE:Deutsche Welle