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sexta-feira, 14 de abril de 2017

ENCÉLADO: POTENCIAL FONTE DE ENERGIA PARA A VIDA ENCONTRADA NA LUA DE SATURNO

Mesmo chegando ao final de sua missão, os dados coletados pela sonda Cassini continuam trazendo descobertas incríveis. Nesta quinta-feira, dia 13, a Nasa anunciou que os mesmos tipos de reações químicas que sustentam a vida perto de fontes hidrotermais de profundidade aqui na Terra poderiam estar ocorrendo dentro do oceano subterrâneo de Encélado. Essas reações dependem da presença de hidrogênio molecular (H2), que, segundo o novo estudo, publicado na revista “Science”, provavelmente está sendo produzido continuamente por reações entre água quente e rocha no fundo do mar de Encélado. “A abundância de H2, juntamente com as espécies de carbonato previamente observadas, sugere um estado de desequilíbrio químico no oceano Encélado que representa uma fonte de energia química capaz de sustentar a vida”, escreveu Jeffrey Seewald, do Departamento de Química e Geoquímica Marinha do Instituto Oceanográfico de Woods Hole em Massachusetts, nos Estados Unidos, que não estava envolvido no estudo, em um comentário que acompanhava o artigo na “Science”.

Um mundo de gêiseres de oceano

Com apenas 314 quilômetros de largura, Encélado é só a 6° maior lua de Saturno, mas tem se destacado na astrobiologia desde 2005. Naquele ano, a nave espacial Cassini, que está terminando sua missão na órbita de Saturno, viu pela primeira vez gêiseres de água gelada saindo das fissuras perto do pólo sul de Encélado, semelhantes em formato a “listras de tigre”.
Os cientistas acreditam que estes gêiseres estão jorrando o material de um oceano de tamanho considerável enterrado sob a crosta de gelo do satélite. Este oceano permanece líquido porque o imenso puxão gravitacional de Saturno movimenta a lua, gerando calor interno de “maré”.

Receita para a vida

Portanto, Encélado tem água líquida, um dos ingredientes-chave necessários para a vida como a conhecemos. E o novo estudo sugere que o satélite possui outro ingrediente chave: uma fonte de energia. Uma equipe de pesquisadores liderada por Hunter Waite, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste (SwRI, do inglês Southwest Research Institute) em San Antonio, nos Estados Unidos, analisou as observações feitas em de outubro de 2015 pela Cassini durante um mergulho através da pluma dos gêiseres de Encélado. Pluma, em hidrodinâmica, é uma coluna de fluido se movendo dentro ou ao redor de outro. Este mergulho foi especial de várias maneiras. Por um lado, foi o mergulho mais profundo da Cassini através da pluma; a sonda chegou a uma distância de apenas 49 quilômetros da superfície de Encélado. Além disso, o instrumento de espectrometria de massa de íon e neutro (INMS) da Cassini alternou entre os modos “fonte aberta” e “fonte fechada” durante o encontro, ao invés de ficar apenas com a fonte fechada (o modo que normalmente usa). O INMS é apenas 0,25% tão sensível no modo fonte aberta quanto no modo de fonte fechada, Waite e seus colegas escreveram no novo artigo da “Science”. Mas a fonte aberta tem uma vantagem chave: minimiza fatores que complicaram as tentativas anteriores de medir os níveis de H2 na pluma. Com este obstáculo analítico removido, Waite e sua equipe foram capazes de calcular que H2 constitui entre 0,4% e 1,4% do volume da pluma dos gêiseres de Encélado. Outros cálculos revelaram que o dióxido de carbono (CO2) compõe um adicional de 0,3% a 0,8% do volume da pluma. O hidrogênio molecular provavelmente está sendo produzido continuamente por reações entre água quente e rocha dentro e ao redor do núcleo de Encélado. A equipe considerou outras possíveis explicações e descobriram que elas não eram suficientes. Por exemplo, nem o oceano de Encélado nem sua concha de gelo são reservatórios viáveis ​​a longo prazo para o volátil H2 e os processos que desassociam H2 do gelo de água na crosta não parecem capazes de gerar o volume medido na pluma. A explicação baseado nas fontes hidrotermais também é consistente com um estudo de 2016 realizado por outro grupo de pesquisa, que concluiu que minúsculos grãos de sílica detectados pela Cassini somente poderiam ter sido produzidos em água quente em profundidades significativas. “A história parece estar se encaixando”, disse Chris Glein, da SwRI, co-autor do novo artigo da “Science”, ao portal Space.com.

Reações químicas em profundidade

Na Terra, as aberturas hidrotermais do fundo do mar sustentam comunidades ricas em vida e são ecossistemas alimentados por energia química em vez de luz solar. “Algumas das vias metabólicas mais primitivas utilizadas pelos micróbios nesses ambientes envolvem a redução do dióxido de carbono (CO2) com H2 para formar metano (CH4), em um processo conhecido como metanogênese”, escreveu Seewald. As indicações da presença de H2 e CO2 no oceano de Encélado sugere, portanto, que reações semelhantes poderiam estar ocorrendo bem abaixo da concha gelada da lua. De fato, os níveis de H2 observados indicam que uma grande quantidade de energia química está potencialmente disponível no oceano, explicou Glein durante a coletiva de imprensa da Nasa. “É bem mais do que a energia mínima necessária para apoiar a metanogênese”, disse. Glein sublinhou, no entanto, que ninguém sabe se tais reações estão realmente ocorrendo em Encélado. “Isso não é uma detecção de vida”, ressaltou Glein. “Isso aumenta a habitabilidade, mas eu nunca sugeriria que isso faz com que Encélado seja mais ou menos provável de abrigar vida”. De acordo com o cientista, ainda faltam dados para afirmar isso com certeza. Seewald também aconselhou cautela em interpretações astrobiológicas. Ele observou, por exemplo, que o hidrogênio molecular é raro na água do mar da Terra, porque os micróbios famintos o devoram rapidamente. “A presença de H2 no oceano de Encélado é um indicador da ausência de vida ou é um reflexo do ambiente geoquímico e dos ecossistemas associados muito diferentes de Encélado?”, questiona. “Ainda temos um longo caminho a percorrer em nossa compreensão dos processos que regulam o intercâmbio de massa e calor através das interfaces geológicas que definem a estrutura interna de Encélado e de outros corpos planetários cobertos de gelo”. fonte:space.com/36455-saturn-moon-enceladus-energy-source-life.html

terça-feira, 29 de abril de 2014

"GELO DE FOGO": FONTE DE ENERGIA OU DE PREOCUPAÇÃO?

É cada vez maior o esforço em busca de alternativas aos hidrocarbonetos tradicionais - petróleo, carvão e gás natural - seja porque eles são poluentes, seja porque sua extração tem-se tornado mais difícil. Um substituto potencial que vem ganhando atenção é o hidrato de metano, encontrado em enormes quantidades sob o permafrost - o solo gelado do Ártico - ou os leitos dos oceanos. Porém, apesar de potencialmente menos poluente que petróleo e carvão, sua extração apresenta enormes riscos ambientais. GÁS HIDRATADO: Conhecido como "gelo que arde", o hidrato de metano - mais rigorosamente um clatrato de metano (CH4*5.75H2O) - é constituído por cristais de gelo com gás preso em seu interior. Esses cristais são formados a partir de uma combinação de temperaturas baixas e pressão elevada e são encontrados no limite das plataformas continentais, onde o leito marinho entra em súbito declive até chegar ao fundo do oceano. Ao reduzir a pressão ou elevar a temperatura, a substância simplesmente se quebra em água e metano - muito metano. Um metro cúbico do composto libera cerca de 160 metros cúbicos de gás, o que o torna uma fonte de energia altamente intensiva. Por causa disso, da sua oferta abundante e da relativa facilidade para liberar o metano, um número grande de governos está cada vez mais animado com essa nova fonte de energia. Acredita-se que as reservas dessa substância sejam gigantescas - a estimativa é de que haja mais energia armazenada em hidrato de metano do que na soma de todo petróleo, gás e carvão do mundo. EXTRAÇÃO DO GÁS HIDRATADO: O problema, porém, é extrair o hidrato de metano. Além do desafio de alcançá-lo no fundo do mar, operando sob altíssima pressão e baixa temperatura, há o risco grave de desestabilizar o leito marinho, provocando deslizamentos. Uma ameaça ainda mais grave é o potencial escape do metano. Extrair o gás de uma área localizada não é tão complicado, mas prevenir que o gás hidratado se quebre e libere o metano no entorno é mais difícil. E isso tem consequências sérias para o aquecimento global - estudos recentes sugerem que o metano é 30 vezes mais forte que o CO2 em termos de efeito estufa. Por causa desses desafios técnicos, ainda não há escala comercial de produção de hidrato de metano em qualquer lugar do mundo. Mas alguns países estão chegando perto.
Esses cristais são formados a partir de uma combinação de temperaturas baixas e pressão elevada. EXPERIMENTOS TÍMIDOS: Os Estados Unidos, o Canadá e o Japão já investiram milhões de dólares em pesquisa e já realizam alguns testes. Os Estados Unidos lançaram um programa de pesquisa e desenvolvimento nacional já em 1982 e, em 1995, tinham terminado a sua avaliação dos recursos disponíveis do gás de hidratos no país. Desde então, têm realizado projetos-piloto na costa da Carolina do Sul, no norte do Alasca e no Golfo do México. Cinco ainda estão em execução. Os experimentos mais bem-sucedidos ocorreram no Alasca em 2012 e na costa central do Japão em 2013, quando, pela primeira vez, a extração de gás natural a partir de hidrato de metano no mar teve êxito. Maior importador de gás do mundo, o interesse do Japão é óbvio, embora o orçamento anual do país para pesquisa na área é relativamente baixo - US$ 120 milhões (cerca de R$ 270 milhões) - embora o governo fale em produzir hidrato de metano em escala comercial no fim desta década. A China e a Índia, com demandas enormes por energia, continuam tímidos em seus esforços para explorar o recurso. Assim, mesmo os especialistas parecem céticos, sobretudo levando em conta a concorrência da indústria petrolífera e das enormes reservas de gás e petróleo de vários dos países que poderiam capitanear os esforços de extração do hidrato de metano. O fato é que a Agência Internacional de Energia (IEA) ainda não inclui o gás hidratado nas suas projeções globais de energia para os próximos 20 anos. RISCOS AMBIENTAIS: Mais preocupados estão os ambientalistas. Se essa nova fonte de energia for explorada, o que parece provável no futuro, as implicações ambientais podem ser extensas. Apesar de ser menos poluente que o carvão ou o petróleo, o gás hidratado continua sendo um hidrocarboneto e, portanto, emite CO2. E há ainda o risco mais sério da liberação direta de metano na atmosfera. Alguns argumentam, porém, que pode não haver alternativa, na medida em que o aumento da temperatura global pode provocar a liberação do gás naturalmente, devido ao aquecimento dos oceanos e ao eventual derretimento das calotas polares. Se essas prospectivas ambientalistas estiverem corretas, a decisão futura poderá ficar entre escolher explorar o gás hidratado ou deixá-lo vazar na atmosfera. FONTES: BBC /INOVACAOTECNOLOGICA

terça-feira, 1 de abril de 2014

PESQUISADORES DESENVOLVEM FONTE DE ENERGIA LIMPA INESGOTÁVEL QUE PODE MUDAR O RUMO DA HUMANIDADE

Um grupo de pesquisadores do laboratório americano Livermore National conseguiu desenvolver um reator de fusão nuclear que poderia mudar a história do consumo energético do mundo. Por quê? Porque produz muito mais energia do que consome e, portanto, poderia vir a ser uma fonte inesgotável de energia limpa, similar à energia utilizada pelas estrelas. Segundo o artigo, publicado pela revista Nature, o grande problema dos reatores de fusão nuclear até o momento é, justamente, o fato de necessitarem de mais energia do que são capazes de produzir. Agora, parece que este balanço pode se tornar positivo. Depois de diversas experiências com o reator NIF (National Ignition Facility), a equipe liderada por Omar Hurricane alcançou o feito histórico. “O mais empolgante, no momento, é que estamos registrando um aumento constante na produção energética, resultante do processo de ignição”, explicou Hurricane. A chave para o sucesso foi o ataque contra as partículas Alfa que, ao invés de escapar, depositam sua energia no combustível. O novo processo contribui para o aquecimento que, por sua vez, aumenta o número de reações de fusão nuclear, produzindo assim mais partículas Alfa. Trata-se de um processo de renovação interminável. Nossa ideia de consumo energético e combustível pode estar à beira de uma imensa transformação. FONTE:http://noticias.seuhistory.com/