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sexta-feira, 21 de abril de 2017

A CIÊNCIA DA GORDURA:COMO ELA É ARMAZENADA NO CORPO - E COMO QUEIMÁ-LA

Segundo o Ministério da Saúde, 51% da população brasileira com mais de 18 anos está acima do peso ideal. Se você está nesse grupo de pessoas, então tem alguns quilinhos de gordura para perder. E talvez você fique mais motivado ao ver meio quilo de gordura humana – você precisa eliminá-la do seu corpo agora mesmo. No entanto, ainda há muitas concepções incorretas sobre a gordura — e alguns desses enganos podem atrapalhar seu esforço para perder peso. Então vamos nos livrar dessa desinformação ingerindo um pouco de conhecimento.

O que é a gordura corporal?

Vamos começar pelo lado bom: pense na gordura corporal como “energia potencial”. As calorias presentes na comida que você ingere são um combustível. Depois que as calorias entram na sua corrente sanguínea, este combustível é queimado em vários processos metabólicos. Isso inclui sua atividade muscular, digestão, respiração, funções cerebrais, crescimento dos cabelos etc. O básico da sobrevivência, para resumir. Porém, algumas vezes nós consumimos mais calorias do que o corpo consegue queimar. Quando isso acontece, nosso corpo pensa: “ué, eu não preciso de toda essa energia agora. Melhor guardar, vai que eu preciso mais tarde, né?” E aí começa o milagre da gordura. Seu corpo pega essas calorias que sobraram e guarda nas células de gordura (ou células adiposas). Elas se expandem à medida que coletam mais combustível, e encolhem quando você usa um pouco dessa energia. Mas preste atenção, esta é uma explicação muito superficial. É importante notar que, quando a energia potencial é estocada dentro das células adiposas, ela não está pronta para ser usada como antes, quando circulava pela corrente sanguínea. Ela passa por uma conversão química que guarda a energia de maneira mais eficiente. É mais ou menos um arquivo .zip: isso deixa a energia mais compacta e fácil de armazenar, mas o conteúdo em si tem seu acesso dificultado. Quando chega a hora de tirar a energia dessas células, outra conversão química se inicia para deixá-la pronta para uso.

Como é queimada a gordura?

Então, quando você perde gordura, para onde ela vai? A maioria das pessoas não sabe. Se você se lembra do princípio da conservação da massa, lá das aulas de química do colégio, sabe que a matéria não pode simplesmente aparecer ou desaparecer — ao invés disso, ela passa por reações químicas e muda de estado. As mitocôndrias são o centro de energia da célula. Nos seus músculos ou fígado, elas tiram um pouco de gordura (estocada como triglicérides) das suas células adiposas e a colocam num processo metabólico que a transforma em calor, dióxido de carbono, água e ATP (trifosfato de adenosina). Vamos explicar um por um. Calor: A energia térmica tem uma importância crucial na manutenção da sua vida. Sabe como você, um mamífero de sangue quente, mantém sua temperatura em cerca de 37°C? Sim, queimando calorias! Quando você está com frio, queima bem mais calorias para permanecer quente. E, caso você esteja se perguntando quanta energia térmica pode ser armazenada na gordura, faça o seguinte: frite um bacon, tire o excesso de gordura, ponha numa lata e coloque um pavio. Você ficará chocado com o tempo que esta vela improvisada ficará acesa. ATP: nós precisamos de ATP para fazer os músculos funcionarem. Nossa principal fonte imediata de energia é produzida quando quebramos uma molécula de fosfato do ATP, o que fornece uma pequena explosão de energia nos músculos. O ATP se torna, então, ADP, e não pode ser usado novamente até que ele pegue outra molécula de fosfato. É o ciclo de Krebs, cara: ele leva combustível para seus músculos. Dióxido de carbono(CO2): Sempre que você queima alguma coisa (veja o calor mencionado acima), isto reage e forma dióxido de carbono. Vale para a gasolina, vale para a gordura corporal. O dióxido de carbono irá viajar por sua corrente sanguínea até os pulmões, onde eles serão expelidos. Água: A gordura, geralmente, parece meio molhada, né? É porque tem água nela. Você vai urinar a água formada no processo. Então, é para aí que vai o peso que você perde. Células adiposas são eternas Eis um dos erros mais comuns sobre a gordura: quando você perde peso, você não perde nenhuma célula de gordura. Não, nem sequer umazinha. O corpo humano possui, em média, entre 10 bilhões e 30 bilhões de células adiposas, e elas serão para sempre suas. Ah, mas sabe o que é pior? Se você ganhar mais peso, pode produzir mais células adiposas (pessoas obesas chegam a ter cerca de 100 bilhões), e de novo, você não pode perdê-las (a única exceção é a lipoaspiração, que remove fisicamente as células). Então como é que a gente perde peso?! As células de gordura agem mais ou menos como balões. Quando você perde peso, você retira algo desses balões inflados, ou seja, faz encolher as células adiposas. Você pode reduzi-las até que estejam praticamente vazias, mas elas sempre estarão lá — esperando para ser reabastecidas, atormentando seus pesadelos rechonchudos. E más notícias: a gordura adora andar com mais gordura. Como ela e os músculos são basicamente inimigos (nós chegaremos lá ainda), suas células adiposas tentam erodir suas células musculares. O pior é que, enquanto a maioria da gordura fica debaixo da sua pele, a mais perigosa se acumula ao redor dos seus órgãos internos – é por isso que a gordura abdominal é mais problemática do que nas outras áreas do corpo. Esta gordura, chamada de gordura visceral, é metabolicamente ativa, e expele produtos bioquímicos que aumentam o risco de ataque cardíaco, derrame, insuficiência hepática, diabetes e pressão alta. Além disso, a gordura visceral inibe a produção de um hormônio muito importante, chamado adiponectina, que regula o metabolismo do seu corpo. Em outras palavras, quando mais gordura visceral você acumula, mais lentamente seu metabolismo irá funcionar – ou seja, mais fácil você armazenará gordura. É um ciclo difícil de quebrar.

Como são queimadas as calorias

Como a gordura corporal é composta basicamente por calorias estocadas, o jeito mais conhecido para perder peso é queimar mais calorias do que você está ingerindo. Faça isso e seu corpo irá começar a retirar as calorias que faltam das suas reservas de gordura. Há mais nuances que isso, claro, mas para a maioria dos casos, isso vale. Mas como exatamente estas calorias são queimadas? Se você já fez algum exercício programado numa esteira ou numa bicicleta ergométrica, provavelmente já viu coisas como “cardio zone” ou “fat-burning zone”. Nós chegaremos lá daqui a pouco, mas por enquanto, tudo que você precisa saber é isso: o exercício físico é só um pedacinho da queima de gordura. Há um excelente artigo (em inglês) na Active.com detalhando minuciosamente estes processos, mas aqui vai uma explicação resumida. Há três categorias de processos responsáveis pela queima metabólica. Entre 60% e 70% das calorias queimadas por dia são processadas apenas por você estar vivo. Isto não tem nada a ver com se mexer. Nada. É a chamada taxa metabólica basal. Outros 10% a 15% são queimados pelo simples ato de digerir o que você come, o chamado metabolismo digestivo (ou efeito térmico do alimento). Como diz a Active, estes dois representam entre 70% e 85% — tudo isso mal tendo que mover um dedo. Os últimos 15% a 30% vêm da atividade física, seja na forma de malhação (termogênese associada a exercícios, ou EAT) ou apenas por andar pelo seu apartamento (termogênese de atividades que não são exercício, ou NEAT).

Botando pra queimar

Bem, se entre 60% e 70% da queima de calorias está ligada ao seu metabolismo em estado de repouso, não faz mais sentido começar por aí? Sim! Vamos voltar à nossa vela de gordura do início do texto para fazer uma analogia. Veja o vídeo acima e perceba que, com o pavio curto, a gordura queima lentamente. Em cerca de 1:50, o pavio fica maior, o que faz a chama crescer. Com mais fogo, a gordura começa a queimar bem mais rápido. Então, como nós podemos aumentar o fogo do nosso metabolismo interno? A resposta mais simples é acrescentar músculos. O tecido muscular, em repouso, queima de duas a três vezes mais calorias que o tecido adiposo. Exercícios aeróbicos são importantes para sua saúde e condicionamento físico, não se engane. Mas se sua meta é queimar gordura, concentre-se um pouco mais em musculação e em exercícios calistênicos – que usam o próprio peso do corpo como resistência. Isto provavelmente trará resultados melhores e mais rápidos. Não porque isto queime mais calorias enquanto você os pratica, mas porque isto aumenta sua chama metabólica, o que queima mais calorias o tempo todo. Depois disso, vamos ver a alimentação. Lembre-se, entre 10% e 15% da sua queima metabólica vem da simples digestão da comida. Se você quer aumentar isso, pode adicionar mais proteínas magras ao que você come. A digestão de proteínas queima entre duas a três vezes mais calorias do que a dos carboidratos ou da gordura. Além disso, mesmo que toda caloria consumida (seja ela tirada de proteína, carboidrato ou gordura) possa ser estocada como gordura, o corpo estoca mais prontamente a energia obtida da gordura consumida. Dito isso, uma dieta equilibrada é extremamente importante para se manter saudável, e mais uma vez: se você quer perder gordura, deve consumir menos calorias do que gasta. Por fim, o componente dos exercícios (entre 15% e 30% do seu metabolismo). Então, sabe aquilo lá de “fat-burning zone”, zona aeróbica, tudo aquilo que aparece na sua esteira? Tecnicamente, isso não está errado. Quando você se exercita numa intensidade menor, está queimando mais calorias que são obtidas da gordura; por outro lado, em exercícios de mais intensidade, a maioria das calorias queimadas vem dos carboidratos mais prontamente disponíveis, que são os que você consumiu recentemente. PORÉM, tem uma coisinha. Dois terços das calorias que você queima não têm nada a ver com exercícios; mas isso só acontece se você consegue criar um déficit calórico. E você consegue isso muito mais facilmente com exercícios de alta intensidade e intercalados. Isso simplesmente queima muito mais calorias, então você tem um impacto (perda de gordura) muito maior. Dizendo de outra forma: mesmo que os exercícios mais lentos, da “fat-burning zone”, tecnicamente retirem mais calorias da gordura durante o exercício, os exercícios de alta intensidade vão queimar mais calorias no total, o que resulta em mais calorias retiradas da suas reservas de gordura com o tempo, o que vai reduzi-las mais. Além disso, exercícios de alta intensidade tonificam mais os seus músculos — veja e compare os maratonistas com os velocistas. E, novamente, mais músculo resulta em um metabolismo mais ativo, e isso acaba queimando gordura mais rápido. Para ser sincero, isto tudo é bem superficial. Este artigo tinha como objetivo ser uma visão geral e, por isso, há muitas coisas que não puderam ser incluídas. Os artigos que linkamos têm mais detalhes técnicos e, para aqueles que se interessarem, recomendamos consultá-los. Mas, para todo mundo, nós esperamos que este texto tenha esclarecido um pouco melhor sobre como perder a barriguinha. fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/fat-man-front-fitter-one-89698915?src=95cebb742699efd9845225dab7f49153-1-11 // http://gizmodo.uol.com.br/a-ciencia-da-gordura/?cmpid=native-calhau

domingo, 16 de agosto de 2015

QUAL É O MELHOR PARA EMAGRECER: REDUZIR CARBOIDRATO OU GORDURA?

Um novo estudo dos Institutos Nacionais da Saúde, agência governamental dos Estados Unidos, mostrou que tipo de dieta tem mais benefícios para perda de gordura corporal. Em um artigo publicado na revista Cell Metabolism, os pesquisadores afirmaram que, ao contrário do senso comum, restringir gordura na dieta pode levar a uma maior perda de gordura corporal do que a restrição de carboidratos. Apesar disso, a dieta baixa em carboidratos reduz a insulina e aumenta a queima de gordura.

A teoria

Kevin Hall, físico pesquisador do Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, utilizou dados de dezenas de estudos de alimentação realizados ao longo de décadas para construir modelos matemáticos de como os diferentes nutrientes afetam o metabolismo humano e o peso corporal. Suas simulações mostraram que apenas a dieta restrita em carboidratos levaria a mudanças na quantidade de gordura queimada pelo corpo, enquanto que a dieta pobre em gordura levaria a uma maior perda global de gordura corporal. No entanto, ele precisava coletar dados humanos para apoiar esses modelos matemáticos. O estudo Estudar os efeitos de dietas na perda de peso é muitas vezes complicado, por causa da dificuldade em medir o que as pessoas realmente comeram – participantes podem não aderir a planos de refeição com eficiência, subestimar quantias ou mentir nas pesquisas de acompanhamento. Para contornar esta situação, Hall e seus colegas confinaram 19 adultos voluntários com obesidade a uma enfermaria por 2 semanas, onde eles foram acompanhados de perto. Para manter as variáveis simples, os dois períodos de observação foram como dois lados de uma balança: durante a primeira semana, 30% das calorias de uma dieta-base foram cortadas através de restrição de carboidratos, enquanto a ingestão de gordura permaneceu a mesma. Durante o segundo período, as condições foram invertidas. A cada dia, os pesquisadores mediram a quantidade de gordura que cada participante comeu e queimou, e usaram essa informação para calcular a taxa de perda de gordura corporal.

Resultados

No final do estudo, o modelo matemático se provou correto. A gordura corporal perdida com a restrição de gordura na dieta foi maior em comparação com a restrição de carboidratos, embora mais gordura tivesse sido queimada com a dieta de baixo carboidrato. No entanto, em períodos maiores de dieta, o modelo prevê que o corpo age para minimizar as diferenças de gordura corporal entre as dietas que são iguais em calorias e diferentes na proporção de carboidratos e gordura. “Há um conjunto de crenças que diz que todas as calorias são exatamente iguais quando se trata de perda de gordura corporal”, diz Hall. “Nossos resultados mostraram que, na verdade, nem todas as calorias são iguais quando se trata de perda de gordura corporal, mas a longo prazo, são quase iguais”. Hall não recomenda que as pessoas comecem dietas restritas em gordura por causa desse estudo. O objetivo da pesquisa foi explorar a fisiologia da redução de calorias baseadas em gorduras e carboidratos no corpo humano. A pesquisa é limitada pelo tamanho da amostra, apesar de ser estatisticamente relevante. Além disso, o menu que os participantes seguiram não rivaliza com uma dieta normal e não leva em conta que plano alimentar seria mais fácil de seguir durante longos períodos. “Nós estamos tentando fazer estudos cuidadosos para um dia sermos capazes de ajudar a gerar melhores recomendações sobre dieta no dia-a-dia”, argumenta Hall. “Mas existe atualmente um desfasamento entre a nossa compreensão da fisiologia e nossa capacidade de fazer recomendações dietéticas eficazes para perda de peso duradoura”. Por enquanto, a dica de Hall é fazer a dieta que você melhor conseguir seguir. fonte: medicalxpress.com/news/2015-08-low-fat-diet-results-fat-loss.html

domingo, 5 de julho de 2015

COMIDA PERIGOSA, MAS IRRESÍSTIVEL

Experimento conclui que alimentos com uma combinação específica de carboidrato e gordura (como as batatas fritas industrializadas) ativam o cérebro de forma parecida com a da cocaína. “Impossível comer um só.” O conhecido slogan de uma companhia de salgadinhos desafia o consumidor: quem é capaz de guardar o pacote de guloseimas para terminar depois? Se você é uma das vítimas da tentação calórica, saiba que a ciência explica a falta de controle que sentimos diante de uma porção de batatas fritas. Uma pesquisa publicada na Nature Sicentific Reports mostra como a combinação de carboidrato e gordura que compõe essas delícias crocantes é praticamente irresistível para o cérebro. Em um experimento com ratos, uma ração feita a partir de composição semelhante causou efeito similar ao do vício na mente das cobaias, inibindo o sinal que avisa ao corpo que está na hora de parar de comer. O grupo de pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga (FAU), na Alemanha, começou a estudar o efeito viciante das batatas fritas em animais de laboratório há alguns anos. Em outro artigo, os cientistas demonstraram como os bichos que comiam o salgadinho se comportavam como se estivessem dependentes, movendo-se constantemente em busca de mais comida. Mesmo com o estômago cheio, os animais que tinham acesso ao alimento calórico continuavam comendo, e ganharam peso rapidamente. No novo trabalho, os cientistas queriam verificar se a fissura dos animais em laboratório pelas batatas fritas era resultado da densidade energética do alimento — isto é, a concentração de calorias por porção —, ou se era a composição que os levava a procurar a guloseima compulsivamente. Os pesquisadores desenvolveram então uma ração com receita similar à da batata frita industrializada: 35% de gordura e 65% de carboidratos. Parte das cobaias teve a opção de escolher entre o novo alimento e outras comidas com diferentes proporções de gordura e carboidratos, enquanto o restante dos roedores foi mantido na dieta tradicional e equilibrada. O teste mostrou que os animais tinham uma preferência pelo alimento cuja composição imitava a do salgadinho, embora outras receitas tivessem teores calóricos semelhantes. A ração que tinha mais gordura, por exemplo, foi deixada de lado. Os pesquisadores também monitoraram o efeito da guloseima no cérebro das cobaias. “O consumo das batatas fritas ativa os circuitos de recompensa no cérebro delas. Esses circuitos são acionados por vários estímulos naturais e estimulam a repetição de determinado comportamento”, explica Monkia Pischetstrieder, pesquisadora da FAU e principal autora do estudo. “Então, no nosso exemplo, você não consegue parar de comer, mesmo que queira, como para perder peso. Nós achamos que petiscos podem ativar essa reação, mesmo que não estejamos com fome”, descreve a pesquisadora.

Evolução

O efeito dos salgadinhos observado nos ratos pode ser comparado com a reação causada no cérebro pela cocaína. “Essas substâncias exigem uma resposta da insulina, o hormônio que transforma esses alimentos em glicose para serem estocados na forma de energia. O cérebro precisa, então, liberar essas substâncias chamadas opioides, que são as mesmas liberadas quando você faz uso de alguma droga viciante”, descreve Roberta Cassani, membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). A compulsão pela comida não chega a ser classificada como um vício como a reação relacionada ao consumo de drogas, que é muito mais forte. Mas o prazer alcançado com os alimentos pode afetar aqueles com força de vontade mais fraca, como indivíduos ansiosos. “A partir do momento em que a pessoa ingere muito, tem esse efeito repetitivo, com a possibilidade da situação viciante. Por isso é importante ter consciência sobre isso. Não quer dizer que a pessoa está condenada para o resto da vida”, alerta Cassani. A fissura por comidas ricas em açúcar e gordura é considerada uma das causas do crescente índice de obesidade no mundo, considerado o sinal de uma epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a entidade, o mundo tem meio bilhão de pessoas obesas, das quais 2,8 milhões morrem todos os anos devido a doenças causadas pelo sobrepeso. A prevalência de obesos praticamente dobrou nas últimas três décadas, e um dos responsáveis por esse fenômeno é o crescente consumo de alimentos industrializados. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, por exemplo, recomenda a preferência por comidas in natura como parte da “cura” da obesidade. O problema é recente, mas ao menos uma das causas é primitiva. O cérebro humano é uma vítima das comidas hipercalóricas devido a um mecanismo evolutivo de sobrevivência, desenvolvido muito antes de a humanidade ter acesso a salgadinhos e supermercados, ou mesmo da certeza de uma refeição diária. “Em vários momentos, a humanidade chegou à beira da extinção, quando a disponibilidade de alimentos era muito escassa. Então, praticamente só sobreviveram os organismos que conseguiam lidar com o mínimo de nutrientes possível”, explica José Donato Júnior, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP). O organismo foi então “treinado” a evitar a perda de peso a todo custo, dando preferência a alimentos mais calóricos e moldando o comportamento em função do consumo desse tipo de comida. “O nosso cérebro nos premia quando obtemos um alimento muito calórico, que é o caso da gordura e de alimentos com muito açúcar. Ele interpreta como uma coisa boa, mas, num contexto atual, em que as pessoas não fazem muita atividade física e há abundância desse tipo de alimento, a pessoa pode comer além daquilo que precisa e favorecer o ganho de peso”, pondera o especialista brasileiro. *Clique na imagem abaixo para aumentar o tamanho do texto, caso seja necessário.

Toque especial

Os autores do trabalho alertam que não podem confirmar se os resultados desse experimento se aplicam aos humanos. Além de terem um organismo diferente do humano, os ratos não dão tanta importância ao sabor, outro fator que pode influenciar o consumo compulsivo de comida. Contudo, há diversos alimentos no mercado que seguem a receita preferida pelos animais, e que também fazem sucesso com as pessoas. Além de batata frita, chocolate, salgadinhos de amendoim e cremes de avelã com cacau contêm ao menos 50% de carboidratos e cerca de 35% de gordura. Outro ponto que separa os experimentos de laboratório do verdadeiro fascínio popular pelas comidas calóricas é a complexa receita dos alimentos artificiais. A influência da ração sobre o cérebro dos roedores não foi tão forte quanto a registrada no estudo anterior, feito com batatas fritas reais. Embora a ração calórica tenha causado uma reação oito vezes maior no centro de recompensa dos animais do que a comum, o efeito ainda é duas vezes menor do que o observado quando as cobaias comeram o salgadinho mesmo. A reação causada pelo alimento industrializado ativou cerca de 30 áreas neurais a mais do que a comida feita em laboratório, incluindo a estrutura responsável pela sensação de saciedade. Os cientistas acreditam que o comportamento dos bichos que comeram a batata pode ter sido influenciado também por outros componentes do salgadinho, que não estavam presentes na comida produzida em laboratório. “Acredito que um alimento que desencadeia esse consumo em particular tenha pouca água. Mas isso é uma hipótese que não confirmamos”, especula Pischetstrieder. Fontes: Roberta Machado / Saúde / Correio Braziliense // lersaude.com.br/comida-perigosa-mas-irresistivel/

terça-feira, 23 de setembro de 2014

DIETA RICA EM GORDURA DIFICULTA O SISTEMA OLFATIVO

Segundo estudo realizado na Universidade Estadual da Flórida (EUA), uma alimentação rica em gordura e óleos provoca a diminuição da habilidade olfativa, de forma a dificultar a adaptação a um novo aroma. A pesquisa foi realizada com ratos divididos em dois grupos, um com alimentação rica em gordura e o outro com uma dieta adequada. O resultado mostrou que o primeiro grupo teve dificuldade olfativa, enquanto o outro não teve bloqueio na identificação de cheiros. O grande risco na perda deste sentido é a incapacidade em distinguir as situações de perigo (alimentos estragados) ou iniciar a consumir excessivamente um tipo de alimento (doce, salgado). FONTE: blogdasaude.com.br/saude-fisica/2014/09/23/dieta-rica-em-gordura-dificulta-sistema-olfativo/

sexta-feira, 18 de julho de 2014

AS 9 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE GORDURA

Gordura: vilã ou injustiçada?É muito mais complicado que isso. Nossa compreensão das gorduras tem melhorado, e agora já sabemos que não podemos dizer que elas são somente boas ou ruins, sem nenhum meio-termo. Por exemplo, carne vermelha, bolos e biscoitos, ricas fontes de ácidos graxos saturados, são associados com um aumento do número de doenças cardiovasculares. Por outro lado, nozes, óleo de peixe e produtos lácteos, que são ricos em gorduras saturadas, são produtos associados com menor risco de doenças cardíacas. Existem 4 tipos principais de gorduras em nossos alimentos: polinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans. Cada tipo tem diferentes propriedades químicas e físicas. Óleos vegetais, como de girassol, soja e oliva, geralmente contêm os dois primeiros, mas relativamente pequenas quantidades de gordura saturada. Já o azeite-de-dendê, que tem um ponto de fusão mais elevado e é agora utilizado em muitos produtos, é altamente saturado. Hoje em dia, o mantra simplista de que devemos comer menos gordura, sal e açúcar já se transformou em um conselho dietético mais detalhado: frutas, legumes e produtos lácteos com baixo teor de gordura, incluindo cereais integrais, aves, peixes e nozes geralmente fazem bem para a saúde, enquanto carne vermelha, doces e bebidas que contêm açúcar (como refrigerantes) são o que devemos evitar.Confira: 9. GORDURA É ENERGIA
A maior parte da energia em nossa dieta vem de carboidratos. No entanto, a gordura é responsável por entre um quarto e dois quintos do consumo de energia de um adulto, e metade de um recém-nascido. Em bebês, uma alta ingestão de gordura promove depósitos de gordura que os isolam contra a perda de calor. A adição de gordura aos alimentos pode dobrar seu conteúdo energético. Já a remoção de gordura de produtos como carne e leite pode reduzir esse conteúdo substancialmente. Gordura fornece 9 kcal/g (quilocalorias por grama) em energia em comparação com 3.75 kcal/g, 4 kcal/g e 7 kcal/g de carboidratos, proteínas e álcool. 8. MENOS GORDURA,MENOS CONSUMO ENERGÉTICO,MENOS PESO
Reduzir o consumo enérgico em vez de aumentar a atividade física é o meio mais eficaz de reduzir a gordura corporal. A redução do consumo pode ser conseguida ao preferir versões com menos teor de gordura de alimentos, ao cortar a gordura da carne e ao utilizar óleos de cozinha com moderação. Não há muita diferença no conteúdo de gordura da carne grelhada ou frita. Restrição da ingestão de energia requer também limitar a ingestão de carboidratos e álcool. 7. GORDURA: ONDE ELA FICA NO CORPO IMPORTA
O excesso ou acúmulo de gordura corporal é mais prejudicial se for na cavidade abdominal ou no fígado, algo causalmente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A medida da cintura (mais de 80 centímetros para mulheres e 94 centímetros para homens) indica obesidade central e é útil para predizer o risco de diabetes tipo 2. As mulheres têm maiores reservas de gordura subcutânea do que os homens, de modo que os homens armazenam sua gordura visceral em torno do vaso sanguíneo mesentérico no abdômen. Quando a energia armazenada nas células de gordura é liberada, o processo de mobilização de gordura faz com que ácidos graxos entrem na corrente sanguínea. A gordura visceral é mais rapidamente mobilizada do que a gordura subcutânea e pode acumular-se no fígado. A gordura também se acumula no fígado se a ingestão de álcool ou de açúcar for elevada. 6. CARBOIDRATOS = ENERGIA, NÃO GORDURA CORPORAL
A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura alimentar no corpo. Muita pouca gordura que se acumula no corpo é resultado do consumo de carboidratos (incluindo açúcar) ou álcool, porque os carboidratos são usados como combustível, em detrimento de gordura. Mas se você tem excesso de combustível/energia no corpo, daí sim ocorre depósito na forma de gordura, porque temos uma capacidade limitada de armazenar carboidratos. 5. GORDURA É ESSENCIAL PARA FERTILIDADE FEMININA
A gordura do corpo desempenha um papel importante na fertilidade feminina. Entre 20 a 30% do peso corporal de uma mulher madura saudável é gordura – o dobro da proporção vista nos homens. Se o nível cair abaixo de cerca de 18%, a ovulação para. No entanto, níveis muito elevados – geralmente cerca de 50% de seu peso – também resultam em infertilidade. Um hormônio chamado leptina é secretado pelo tecido adiposo (gordura) no sangue, em proporção com a quantidade de gordura armazena. O cérebro detecta o sinal da leptina no sangue e isso promove a ovulação, quando o nível é alto o suficiente. 4. PRECISAMOS DE ÁCIDOS GRAXOS
Precisamos de certos ácidos graxos poliinsaturados, apropriadamente chamado de ácidos gordos essenciais (ácidos linoléico e linolênico), em nossa dieta para uma pele saudável. Eles também contribuem para a manutenção da saúde cardiovascular, bem como da saúde do cérebro e da função visual. Obtemos esses ácidos principalmente a partir de óleos vegetais, nozes e peixes oleosos. 3. PRECISAMOS DE GORDURA PARA ABSORVER VITAMINAS
Cerca de 30 gramas de gordura são necessárias – todos os dias – para promover a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que também conseguimos a partir de alimentos gordurosos. Os óleos vegetais são uma importante fonte de vitamina E e óleo de peixe é a melhor fonte alimentar de vitamina D. Provitaminas são substâncias que podem ser convertidas dentro do corpo em vitaminas. Adicionar um pouco de óleo em vegetais verdes e cenouras ainda melhora a absorção de caroteno (pró-vitamina A). 2. GORDURA AFETA NÍVEL DE COLESTEROL
O nível de colesterol no sangue de uma população, em média, é um dos principais determinantes do risco de doença cardíaca coronária. Testes mostram que a substituição de ácidos gordos saturados por ácidos gordos poli-insaturados reduz o colesterol no sangue e por sua consequência a incidência da doença, mas não a mortalidade. 1. GORDURA SATURADA NÃO É EQUIVALENTE A MÁ SAÚDE
Nem toda gordura saturada aumenta o colesterol no sangue. O que causa esse efeito são os ácidos láurico, mirístico e palmítico (o último é encontrado no azeite-de-dendê), porque aumentam a lipoproteína de baixa densidade (LDL, popularmente conhecida como colesterol ruim). Em geral, para reduzir o colesterol, é interessante substituir ácidos graxos saturados com óleos ricos em gorduras monoinsaturadas (azeite, canola) ou ácidos graxos poliinsaturados (soja, óleo de girassol), ao invés de reduzir os carboidratos. Por exemplo, substituir a manteiga por azeite como principal fonte de gordura pode reduzir o LDL em cerca de 10%. FONTE: LiveScience.com/46777-ten-things-you-didnt-know-about-fat.html