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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

COISAS QUE FAZEMOS COM O NOSSO CORPO

É verdade que misturar bebida dá mais ressaca? Não. Embora o senso comum diga que sim: quase ninguém acha que beber conhaque com cachaça seja a mesma coisa que passar a noite toda tomando só cerveja. Como a ciência se atreve a questionar a sabedoria dos botecos? É que, do ponto de vista do organismo, pouco importa se houve mistura ou não - o que vale é a quantidade de álcool que o fígado precisa processar. Se você começa a noite no chope e termina no uísque e acha que tem mais ressaca por isso, talvez seja porque você acabou entornando o uísque (mais alcoólico) no mesmo ritmo do chope, e aí bebeu além da conta mesmo. Há outros fatores que podem fazer você exagerar na dose sem perceber. Por exemplo: beber de barriga vazia. A digestão do álcool fica mais acelerada quando não há nada no estômago, e aí você fica bêbado mais rápido que o normal - e com isso tende a perder o controle sobre a quantidade ingerida. Há, também, as bebidas que alcoolizam com mais facilidade, como as de teor alcoólico maior ou as carbonadas (cerveja, gim tônica, uísque com energético), que são absorvidas pelo organismo mais rapidamente. E tem mais: não é só o tamanho do porre que influi na ressaca. Não se hidratar antes, durante e depois de beber umas e outras piora um dos principais males da ressaca: a desidratação. A falta de ingestão de carboidratos também pode levar à hipoglicemia, que agrava o quadro de intoxicação. Um gole de álcool no dia seguinte cura mesmo ressaca? Essa máxima se baseia numa definição insuficiente da ressaca: ela seria o corpo sofrendo porque quer mais álcool, e uma nova dose resolveria a abstinência. Só que ressaca é também intoxicação (o organismo tentando metabolizar o álcool em excesso), desidratação e falta de açúcar no sangue. E nada disso se resolve com mais álcool - muito pelo contrário. Esse golinho extra pode até disfarçar a parte dos sintomas que cabe à abstinência, mas volta a sobrecarregar o fígado: a dívida só é rolada, e volta com juros. Fora o risco de esse costume abrir caminho para o alcoolismo. FONTE: The Doctor¿s Hangover Handbook, John Brick, Booklocker, 2007 fotos: Steve Wisbauer Sexo feminino Como é que a vagina solta gases na transa? Da primeira vez a situação é constrangedora: "Por que minha vagina não para de soltar pum durante e até depois do sexo?" Mas basta tocar no assunto numa roda de amigas para descobrir que os tais gases vaginais são normais e não têm relação com aqueles expelidos pelo ânus. A vagina resolve fazer barulho na hora H porque o vaivém enche a cavidade vaginal de ar, que depois escapa fazendo vibrar os pequenos e grandes lábios. Esse ar não costuma ter cheiro - se tiver, cuidado, pois pode ser indício de alguma doença. Se o barulho incomodar, fica a dica: posições em que o pênis não sai por completo da vagina dificultam a entrada de gases e diminuem os tais sons. É o caso do papai-e-mamãe. Analogamente, na posição cachorrinho o concerto genital é favorecido. Como é que a pompoarista consegue fazer tanta coisa com a vagina? Em Patpong, bairro dos inferninhos tailandês, mulheres arremessam bolinhas de pingue-pongue e fumam usando suas partes íntimas em espetáculos para turistas. Para fazer isso, elas fortaleceram ao longo da vida o conjunto de músculos que se estendem desde o osso púbico ao cóccix, com exercícios de pompoarismo, técnica surgida na Índia e aperfeiçoada no Japão e na Tailândia. Esses músculos são formados por feixes de anéis que se estendem da entrada ao fim do canal vaginal. Tais anéis podem ser movimentados juntos ou separadamente, com mais ou menos força e com mais ou menos velocidade, dependendo do preparo físico da mulher (e sua, digamos, consciência corporal). O ideal é iniciar a malhação aos 18 anos, quando a região começa a ficar flácida. Os treinos começam com a contração e relaxamento dos músculos internos - a mesma manobra que se faz para segurar o xixi. Mais tarde, pesinhos de 20g e 70g são inseridos a diferentes profundidades no canal e precisam ser sugados e expulsos. O teste de fogo para as alunas avançadas consiste em sugar e expelir um vibrador de 15 cm de comprimento. Orgasmo ajuda a engravidar? Há controvérsias. No começo do século 20, ginecologistas prescreviam orgasmos para mulheres com dificuldade para engravidar. O clímax resultaria em contrações intrauterinas capazes de levar o esperma ao óvulo mais rápido, aumentando as chances de fertilização. Passados 50 anos, os americanos William H. Masters e Virginia E. Johnson desconfiaram da teoria da sucção. Para contestá-la, levaram mulheres ao laboratório, inseriram nelas diafragmas com um sêmen artificial visível no raio X e pediram que as moças se masturbassem. Entre as que tiveram e as que não tiveram orgasmo não houve diferença na progressão das partículas. A dupla concluiu que a teoria era balela. Mas o debate continuou. Em 1993, pesquisadores da Universidade de Manchester concluíram que a mulher que tem orgasmo entre um minuto antes e 45 minutos depois de o homem ejacular retém mais esperma. Outro estudo, na Dinamarca, descobriu que a estimulação de pontos erógenos de porcas durante inseminação artificial aumenta em 6% o nascimento de leitõezinhos. A evolução teria uma resposta? Nos homens, sim - sem ele não há ejaculação e sem ejaculação não há fecundação. Nas mulheres, a resposta é mais difícil. A bióloga Elizabeth A. Lloyd, da Universidade de Indiana, observou 32 estudos e concluiu que o prazer não influía nas taxas de fertilidade. Mas Lloyd não tem dúvida de que o clitóris foi mantido pela seleção natural - afinal, o prazer aumenta a vontade de fazer sexo com frequência. E, por tabela, a chance de engravidar aumenta. É verdade que o bebê pode sentir o orgasmo da mãe? Sim, mas não experimenta a sensação de prazer do mesmo jeito que ela. Como o sistema nervoso do bebê não está conectado com o da mãe, o que ele percebe especialmente a partir da 31a semana não é exatamente o orgasmo, mas uma mudança no ambiente em que está imerso. A circulação do bebê fica mais rápida por causa do aumento dos batimentos cardíacos da mãe. As trocas gasosas também se aceleram, devido aos níveis alterados de oxigênio no sangue. Além disso, o feto pode se mexer mais, em resposta às contrações involuntárias na região pélvica da gestante. No fim é só alegria para todo mundo. Endorfinas, responsáveis pelo sentimento de euforia, inundam o sangue da mãe e há indícios de que a sensação de bem-estar provocada por eles chega ao bebê via cordão umbilical. Do mesmo jeito como quando a gestante come um chocolate ou pratica exercícios físicos. Se é mito que sexo na gravidez perturba o bebê, como o corpo da mãe protege o feto na transa? Pais de primeira viagem não precisam ter medo de dar um cutucão no filho enquanto fazem sexo com as mães. O bebê tem em volta de si uma barricada à prova de choque que o impede de ser afetado pelos movimentos do coito. Dentro da barriga tudo é sossego: além dos músculos uterinos, o saco gestacional compõe mais uma das camadas que protegem o feto. O bebê ainda está imerso no líquido amniótico, que funciona como amortecedor. Pra completar, um tampão mucoso na entrada do útero impede a passagem de fluidos despejados no canal vaginal. Líquido amniótico:Impactos são absorvidos por esse fluido. Parede do útero: Esse músculo serve de proteção física. Vagina:Pode chegar até 15cm, mas apenas os primeiros 3cm formam a parte sensível. Tampão mucoso: Impede que qualquer coisa passe da vagina para o bebê. Fontes: O livro de ouro do sexo, Regina Navarro Lins e Flavio Braga, Ediouro (2009); The female prostate revisited: Perineal ultrasound and biochemical studies of female ejaculate, Wimpissinger F., Stifter K., Grin W. e Stackl W., The Journal of Sexual Medicine (2007); Orgasmic expulsions in women, Kratochvíl Stanislav, US National Library of Medicine (1994); Mariana Maldonado, ginecologista; Wendy Wilcox, ginecologista e obstetra da Brown University, EUA; A Bíblia da Gravidez, Wladimir Taborda e Alice D¿Agostini Deutsch, CMS Editora (2004), Bonk: The Curious Coupling of Science and Sex, Mary Roach, WW Norton (2009); The case of the female orgasm: bias in the science, Elizabeth Lloyd, Harvard University Press (2006). Sexo masculino Se o cara transar muito, ele vai produzir mais sêmen indefinidamente? Não. A cada ejaculação o homem consegue expelir de 2 a 5 ml de esperma (ou sêmen, a mistura de espermatozoides com o líquido seminal), mas, se ejacular várias vezes no mesmo dia, o líquido vai diminuindo tanto no volume total como na concentração de espermatozoides. Ou seja: os testículos fabricam milhões e milhões de células reprodutivas (enquanto as mulheres amadurecem aquelas com que já nascem). Mas eles precisam de um descanso para reabastecer o estoque. O tempo ideal para que o sêmen volte à condição ótima para reprodução varia de indivíduo para indivíduo, mas recomenda-se esperar de 36 a 48 horas entre uma ejaculação e outra para garantir que os melhores do time estejam a postos de novo. Se fazer sexo como coelhos pode não ser tão eficaz para um casal que quer ter filhos, esperar demais também prejudica a qualidade do esperma. Numa semana de acúmulo no epidídimo, eles começam a perder forma (diminui o número de espermatozoides com a "cabecinha" oval, os craques em furar óvulos) e motilidade (progridem mais lentamente até o óvulo ou ficam se mexendo sem sair do lugar). Esperma alfa A ficha técnica de um sêmen saudável, segundo a OMS. Volume: entre 2ml e 5ml Ph: entre 7,2 e 8,0 Número de espermatozoides: entre 20 milhões/ml Motilidade: metade dos espermatozoides deve fazer um movimento que resulte em deslocamento. Formato: pelo menos 14% devem ter a cabeça em forma oval (estes são os mais eficientes na fecundação). Circuncidar o pênis, deixando a glande menos sensível, atrasa o orgasmo? Em alguns segundos, sim, mas não o suficiente para impressionar. Um estudo de 2005 publicado no Journal of Sexual Medicine com 98 homens circuncidados e 261 não circuncidados não encontrou diferença relevante de tempo para ejaculação entre os dois grupos: os primeiros levaram 6,7 minutos contra 6 minutos dos outros. Uma pesquisa de 2004 entrevistou 42 homens antes e 20 semanas depois da cirurgia para saber como iam na cama. A maioria disse que a única diferença foi um breve retardo na ejaculação. Diz o mesmo uma pesquisa do Hospital Geral de Didimoticho, na Grécia: dos 123 pesquisados, 65% notaram um atraso. Quando fazemos vasectomia, onde vão parar os espermatozoides? Em lugar nenhum. A vasectomia é uma cirurgia que interrompe a trajetória dos espermatozoides pelo aparelho reprodutor. Em homens não esterilizados, eles seguem dos testículos para o epidídimo - duto que recobre a parte de cima dos testículos - e daí para os canais deferentes, que ligam o epidídimo ao canal da uretra. Mais para frente, mas ainda nos canais deferentes, os espermatozoides e o líquido seminal (produzido pelas vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais) se juntam antes da ejaculação. Na vasectomia, o que muda é que os canais deferentes são seccionados, amarrados e cauterizados, formando uma barreira que impede a passagem dos espermatozoides. Como isso é feito numa altura anterior à chegada do líquido seminal, o homem continua ejaculando, mas sem espermatozoides, que ficam retidos no epidídimo até serem digeridos por células responsáveis pela limpeza do organismo - os macrófagos. A produção nos testículos não cessa, embora diminua drasticamente com o fechamento do canal e a falta de demanda. Com isso, o prazo máximo para tentar - nem sempre é possível - reverter a cirurgia é de 3 a 4 anos. Depois, passa a ser bastante improvável que os espermatozoides sejam gerados em número suficiente para ocorrer fecundação. O que se deve fazer se o pênis quebrar no sexo? Primeiro vamos entender o que é essa história de pênis quebrado. Não é novidade que ele não tem osso - afinal, dá para torcer e dobrar quando está mole, sem problemas. Mas ele pode, sim, quebrar se estiver ereto. Isso acontece, por exemplo, se o sujeito errar o alvo e chocar-se fortemente com a virilha da parceira. Às vezes dá até um estalido. Nesse caso, o que se rompe é a túnica albugínea, membrana que envolve os corpos cavernosos. Primeiro vem a dor. Então o sangue sai dos corpos cavernosos e se infiltra sob a pele, desde a região pubiana até a bolsa escrotal. A região vai arroxeando até ficar preta, um ou dias depois. Dependendo do caso, uma compressa de gelo e algumas doses de anti-inflamatório já resolvem o problema. Mas pode ser necessário que o médico faça uma incisão para drenar o sangue da região, ou mesmo operá-lo para corrigir desvios de eixo - o pênis pode ficar bastante encurvado se a cicatrização for capenga. O pós-operatório inclui ficar na seca por, no mínimo, 15 dias. Para evitar esse tipo de contratempo, médicos recomendam que, durante a relação, os parceiros tomem cuidado com movimentos bruscos. O que acontece se perder um testículo? Nada de mais. Um testículo normal trabalha mais para compensar perfeitamente a retirada de outro, tanto do ponto de vista hormonal quanto do reprodutivo. Por isso se pode notar um aumento no tamanho do órgão remanescente. Próteses de silicone (disponíveis em vários tamanhos) resolvem a questão estética. Nos casos em que o paciente tem que fazer sessões de quimioterapia, recomenda-se que uma amostra de sêmen seja retirada e congelada, já que a potência dessa medicação pode afetar a fertilidade. FONTES: Dr. Sami Arap, Professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Núcleo Avançado de Urologia do Hospital Sírio-Libanês); Human Ovarian Reserve from Conception to the Menopause, W. Hamish, B. Wallace e Thomas W. Kelsey, Universidade de Saint Andrews e Universidade de Edimburgo; Organização Mundial de Saúde; Fabiano André Simões, urologista. O que acontece se um adulto incluir o leite materno em sua alimentação? Nada. Um adulto tem dentes para mastigar alimentos sólidos, enzimas para digeri-los e sistema imunológico formado, diferentemente de um bebê recém-nascido. Por isso, o leite materno não traz benefícios para adultos. Até os 6 meses de vida, a OMS recomenda que a criança receba apenas leite materno. Daí pra frente e até os dois anos deve começar a alimentação complementar, mas o leite do peito continua tendo seu papel. Depois desse período, a bebida não terá mais função. Hora de desmamar: A comida da mamãe não é a melhor para o resto da vida. Leite materno (por 100ml) Calorias - 69,56kcal Gorduras - 4,2g Proteínas - 1,1g Cálcio - 0,03g Fósforo - 0,014g Sódio - 0,015g Potássio - 0,055g Leite de vaca (por 100ml) Calorias - 63kcal Gorduras - 3,8g Proteínas - 3,3g Cálcio - 0,125g Fósforo - 0,093g Sódio - 0,047g Potássio - 0,155g Feijão com arroz e bife (100mg, com 1/3 de cada) Calorias - 165kcal Gorduras - 6,7g Proteínas - 10g Cálcio - 0,02g Fósforo - 0,11g Sódio - 0,029g Potássio - 0,18g FONTES: Taco (Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos); Prentice A. Em Handbook of milk composition, Jensen, R. G. (ed.), Academic Press (1995). Parto normal sempre rasga o períneo? Nem sempre. A laceração natural dessa região muscular que sustenta a genitália acontece em um terço dos partos normais, quando os músculos do períneo não esticam o suficiente para permitir a passagem do bebê sem que haja lesões. Mas exercícios constantes e focados durante os 9 meses de gravidez deixam o assoalho pélvico mais alongado e forte. Isso diminui o risco de ele não ceder o suficiente e sofrer lesões mais sérias no parto. Há outros fatores importantes no risco de laceração do períneo. O peso do bebê conta bastante - os com mais de 3,5 quilos tendem a causar mais estragos na hora da saída. A aplicação de ocitocina (o hormônio que aumenta as contrações intrauterinas e acelera o trabalho de parto) também atrapalha, pois o períneo pode não conseguir se preparar no mesmo ritmo. No passado, acreditava-se que a laceração natural era mais difícil de cicatrizar do que um corte artificial. Isso levou o Brasil a se tornar campeão em episiotomia (o corte prévio do períneo antes do parto) - em alguns hospitais ela é realizada em 90% das mulheres. O problema é que ele não é sempre necessário - a Organização Mundial de Saúde recomenda que esse número fique em torno de 10%, índice de países como a Suécia. Quem não para de amamentar continua a dar leite? Sim, pois a produção de leite é uma questão de demanda. Quanto mais o filho sugar, mais o corpo da mãe produzirá leite. Funciona assim: quando a mulher dá à luz, a hipófise anterior acelera a produção da prolactina. Esse hormônio chega aos seios e então aos alvéolos mamários, onde o líquido é produzido. Para que o leite desça até o bico do seio, entra em ação a ocitocina, hormônio produzido na glândula hipófise posterior depois que o bico do seio recebe o estímulo da boca do bebê. A ocitocina é responsável por pequenas contrações nos músculos mamários, que liberam o leite estocado nos alvéolos e o empurram para fora. Se esse estímulo não cessar, a mãe poderá produzir leite durante todo o período reprodutivo de sua vida. FONTES: Míriam Zanetti, fisioterapeuta; Marcus Renato de Carvalho, pediatra, professor da UFRJ; Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno, Cristina M. G. Monte e Elsa R. J. Giugliani., Jornal de Pediatria (2004); Fetal development, U.S. National Library of Medicine; Changes in the newborn at birth, U.S. National Library of Medicine. foto: Tosca Radigonda LINGUAGEM Por que gritamos "ai" ao sentir dor? Animais que vivem em bando gritam e fazem careta para chamar a atenção dos outros e comunicar o perigo. Segundo o pesquisador Adam Anderson, da Universidade de Toronto, a cara que fazemos na hora do "ai" nos ajuda a mover os olhos mais rapidamente, sentir melhor os cheiros e aumentar a quantidade de oxigênio na corrente sanguínea. Ou seja, estamos nos preparando para reagir ou fugir. Mas, enquanto o grito é evolutivo, o som do "ai" é cultural, aprendido junto com a fala por imitação de outras pessoas. Em inglês se fala ouch - igual ao Autsch alemão, mas diferente do aïe francês, do ay ia chinês e do itai japonês. Por que há quem fale dormindo? O sonilóquio - nome técnico da fala no sono - acontece quando dá um tilt na transição entre diferentes estágios do sono, dos mais leves para os mais profundos e vice-versa. Esse tilt é exprimido em frases, palavras e resmungos. É muito frequente em crianças de até 3 anos - cerca de 50% delas falam dormindo pelo menos uma vez por semana - porque os sistemas neurais que controlam o sono ainda não estão maduros. Mas fique tranquilo: é pouco provável entregar segredos enquanto dorme. Cada episódio dura menos de um minuto, com pequenas frases e palavras que logo viram murmúrios ininteligíveis. O conteúdo está associado à memória de fatos que a pessoa viveu: é bem comum garotos falarem coisas do tipo "e então ele passou a bola pra mim e eu fiz o gol", lembrando-se do dia na escola. Já na idade adulta, o sonilóquio costuma ser ocasional e associado a situações de estresse e ansiedade. É um distúrbio benigno, sem impactos na saúde. Por que nós gesticulamos? Para o psicólogo neozelandês Michael Corballis, o homem começou a se comunicar por meio de gestos, e as partes do cérebro responsáveis por esses movimentos se desenvolveram até chegarmos à fala. A hipótese é refutada por linguistas como Noam Chomsky e também por outros neurocientistas, para quem a fala tem um complexo e exclusivo sistema, dissociado dos gestos. Se não se conhece a origem dos gestos, ao menos se sabem suas funções. Eles dão ritmo ao discurso e ajudam a raciocinar espacialmente. Um estudo de 2011 mostrou que, quando podiam gesticular, voluntários conseguiam identificar mais facilmente se pares de figuras geométricas complexas eram reproduções ou imagens espelhadas. LIMITES Se eu tomar muitos banhos por dia, posso ter problemas de saúde? Sim. E quem vai sofrer é a sua pele. O problema não é a água, mas o que vem junto com ela: sabonete, calor, esponja e toalha. O estrato córneo - camada mais externa da pele, composta por células mortas e rica em lipídios - serve de manto antibacteriano e barreira contra a perda de umidade das camadas mais inferiores da pele. Como o sabonete remove gorduras de qualquer superfície, ele tira também esse manto lipídico. Quanto mais quente a água, maior a retirada. O estrato leva o golpe final com a fricção da esponja e da toalha. E, quando se tomam muitos banhos seguidos, não há tempo para a camada córnea se recuperar. O resultado? Uma pele mais seca, com rachaduras, xerose (ultrarressecamento) e mais suscetível a infecções. A gravidade disso tudo varia conforme a frequência das duchas, tipo de pele e saúde do organismo. Mas vale o bom senso: não precisa passar de duas chuveiradas por dia. Se ficar muito tempo sem fazer cocô, corro o risco de ele ficar tão duro que não sai mais? Corre, sim. Em casos graves - e aqui falamos de meses - forma-se uma massa compacta de cocô, tão ressecada que parece pedra e pode ser confundida com tumor. É o fecaloma. Para removê-lo, o médico pode usar as mãos pelo ânus (usam-se muitas luvas, para garantir a higiene do médico) ou partir pra cirurgia. Já houve caso de o fecaloma atingir 20 cm de diâmetro. Laxante não adianta, já que o fecaloma é tão empedrado que não se move por peristaltismo. Mas fique calmo, que dificilmente isso vai acontecer com você só porque não está comendo fibras. Para que o fecaloma se forme, é preciso ter um problema intestinal mais grave do que prisão de ventre - tipo seu intestino grosso ficar longuíssimo e dilatado, e seu esfíncter interno anal (uma válvula sobre a qual não temos controle) começar a funcionar mal, por causa de uma doença de Chagas. Isso, sim, levaria a meses de acúmulo de cocô, assim como problemas nos divertículos (bolsas que se formam no intestino ao envelhecer). Se ficar preso em um lugar sem água, quantas vezes eu posso tomar o meu próprio xixi? Nenhuma. Apesar de histórias incríveis de sobrevivência que incluem a ingestão do próprio xixi, a Sociedade Brasileira de Nefrologia é absolutamente contra a prática. Isso acontece porque a urina, resíduo da filtragem do sangue, carrega toxinas que o corpo precisa eliminar. Entre elas estão sódio, ureia, amônia, potássio, ácido fosfórico e ácido úrico. Para começo de conversa, o sódio ingerido novamente aumenta a perda de água no organismo, em vez de hidratá-lo. Com isso, a sensação de sede só aumenta, o que deixa tudo mais desesperador. A ingestão de ureia e amônia (o cheiro do xixi vem dela) pode causar intoxicação, e a do ácido úrico pode levar ao cálculo renal. O que fazer então em uma emergência? Em caso de privação, o próprio rim já economiza o máximo possível da quantidade de água a ser excretada. Se você estiver preso numa selva, dá para procurar plantas que carregam água (para identificá-las, prefira aquelas que os animais também consomem e fique longe das que têm pelos ou secreção leitosa). Se você estiver no mar, a coisa fica mais preocupante, pois a água salgada também desidrata. O jeito é esperar por socorro ou por uma chuva. Dá pra morrer de tanto beber água? É raro, mas dá, sim. Para que isso aconteça com uma pessoa saudável é necessário que ela beba mais de 16 litros em 24 horas. Até essa marca, nossos rins costumam dar conta do recado. Acima desse volume, o corpo passa a acumular água em excesso, o que leva à hiperidratação. Nesse estado, a concentração de sais fora das células cai e, para equilibrá-la, uma quantidade anormal de água entra nas células por osmose, inchando-as. O resultado pode ser confusão mental, convulsões, edema cerebral e, por fim, morte. A essa altura você pode ter se lembrado de histórias de pessoas que morreram de tomar água ao usar ecstasy. De fato, a 3,4-metilenodioximetanfetamina (MDMA) - nome científico do princípio ativo dessa droga - aumenta a temperatura e a agitação do corpo, o que dá muita sede. Mas aqui há um agravante. A MDMA turbina a secreção do hormônio antidiurético, o ADH, que nos faz reter líquidos. O usuário então fica com vontade de beber muita água, mas não a libera na velocidade compatível. A literatura médica já descreveu casos de convulsões devido a edema encefálico por intoxicação por água. 1,5 a 2,4 litros é o Consumo ideal de água por dia 10 a 16 litros é a Capacidade diária máxima dos rins FONTES: Lúcio Roberto Requião Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia; Luciana Rabello, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia. DIGESTÃO Teríamos prisão de ventre se conseguíssemos digerir as fibras? É provável que não. Na natureza, os únicos animais que conseguem digerir bem as fibras - ou melhor, a celulose - são os ruminantes, como a vaca ou a girafa. Eles possuem antes do estômago um sistema de fermentação complexo, com 4 compartimentos diferentes. Um deles, o rúmen, abriga uma quantidade enorme de bactérias que produzem enzimas experts em degradar aquele monte de fibras das folhas. E esses animais não têm prisão de ventre - o cocô deles tem até uma consistência bem mole. É porque, apesar do poder de trituração do rúmen, ainda assim sobram fibras não digeridas que seguem seu caminho no corpo turbinando os movimentos digestivos (como acontece com os humanos). Se tivéssemos um rúmen, portanto, provavelmente ele funcionaria igual. O que não seria nada igual é que um humano ruminante teria que nascer com um tórax bem maior. Espaço é uma exigência biológica da celulase, a enzima que degrada a celulose. Ela requer tempo para agir, e para isso precisa de um amplo compartimento. Além do tamanho, haveria um ganho considerável de energia. Afinal, a celulose é feita basicamente de unidades de glicose. Por que comemos alface e agrião mas não comemos grama e capim? Porque, do ponto de vista da alimentação humana, a única semelhança entre a alface e o capim é que são verdes. A alface tem de 3% a 5% de fibras, enquanto o capim braquiária (Brachiaria decumbens Stapf.), usado na forragem de boi, chega a ter mais de 90%. Aí é fibra demais para nós, que não conseguimos digerir a celulose. De modo geral, a ingestão de qualquer folha como fonte de nutrientes encontra dois grandes empecilhos: muitas espécies são tóxicas e, se não forem, nem sempre seus nutrientes ficam disponíveis para o organismo usar. É que o metabolismo das plantas produz, em maior ou menor quantidade, substâncias que impedem seus nutrientes de ser bem aproveitados por seus predadores. É o caso dos inibidores das proteases - que atacam as enzimas responsáveis pela aceleração da quebra de proteínas na digestão - e dos fitatos, que diminuem a absorção de minerais essenciais. Para se proteger de pragas e predadores, certas folhas também usam armas químicas. Os taninos e as saponinas, presentes nas folhas da árvore dama-da-noite, por exemplo, são substâncias amargas e tóxicas. Sua ingestão pode levar a náuseas e vômitos, seguidos de agitação psicomotora, distúrbios comportamentais e alucinações. Já as antivitaminas, outra dessas armas, impedem a função normal de uma determinada vitamina no organismo. Isso sem falar dos alcaloides - famosas substâncias em geral terminadas em "ina", como cafeína, cocaína, nicotina, morfina - algumas mais e outras menos tóxicas. Há ainda as armas mais intragáveis, as físicas. Certas plantas têm folhas com pelos e bordos serrilhados, que podem ferir ou irritar a mucosa bucal humana. Enfim, é bom agradecer seus antepassados. Foram eles que fizeram todos esses testes para que você soubesse que alface e agrião são seus amigos. Faz mal segurar muito bem o pum? Não, embora possa causar dor de barriga, em alguns casos. Quando você segura aquele peidinho no elevador, você dá 3 opções ao traiçoeiro: tomar outro rumo no organismo, virar jantar de bactéria ou pegar a senha e esperar por uma nova oportunidade de escapulir. No primeiro caso, os gases são absorvidos pela mucosa do intestino e caem na corrente sanguínea, para ser eliminados pelos alvéolos pulmonares. Mas isso acontece com uma parte infinitesimal dos gases. Alguns permanecem nos intestinos e podem virar combustível das bactérias que vivem ali. Agora, quase todos os puns "presos" simplesmente dão a ré no intestino grosso à espera de uma nova onda de contrações para vir ao mundo. Flato retido é flato adiado. E nenhuma dessas ações causará grandes males ao educado produtor do pum. FONTES: Patric Sarsfield, da Royal Devon and Exeter Foundation; Wayne J. Crans, professor de entomologia da Universidade Estadual de Nova Jersey; Andréa M. L. Ribeiro, professora de zootecnia da UFRGS; Ernane R. Martins, professor do Instituto de Ciências Agrárias da UFMG; Magnólia A. S. da Silva, da Faculdade de Agronomia da UFRGS; James R. Marinho, gastroenterologista da Federação Brasileira de Gastroenterologia; Leda Amar de Aquino, da Sociedade Brasileira de Pediatria. FONTE PRINCIPAL: SUPERINTERESSANTE

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