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domingo, 31 de agosto de 2014

COMO FUNCIONAM OS ANTIDEPRESSIVOS

Os antidepressivos são a primeira linha no tratamento contra a depressão. As vendas anuais de antidepressivos são de aproximadamente 50 bilhões de dólares, tornando essa classe de medic­amentos uma das mais prescritas atualmente. Muitas empresas farmacêuticas se dedicam ao marketing de antidepressivos direto ao consumidor por meio da televisão e de meios impressos. Assim, os pacientes têm uma grande influência nos padrões de prescrição de profissionais da saúde quando se trata de desse tipo de medicamento. Os antidepressivos são prescritos com freqüência, mas, afinal, o que são exatamente antidepressivos? Como eles funcionam? São eficazes? A depressão ou transtorno depressivo maior - TDM, também chamado de depressão unipolar ou depressão clínica - ocorre em cerca de 15 milhões de americanos por ano. Pode ocorrer em qualquer idade (incluindo crianças menores de 5 anos), mas afeta com mais freqüência pessoas entre 25 a 44 anos. O TDM atinge aproximadamente 20% das mulheres e 10% dos homens [fonte: HealthyPlace.com ]. O TDM leva à perda de produtividade no trabalho e na escola. E o mais importante, é a principal causa de suicídio. O TDM, diferente dos curtos períodos de "melancolia", é uma mudança persistente de humor que pode interferir na família, nos relacionamentos e na auto-estima. Episódios recorrentes podem durar dias, meses ou anos. O TDM possui sintomas físicos e mentais, que incluem: - humor depressivo (tristeza); - perda de interesse ou prazer; - interrupção do sono; - cansaço; - sentimentos de inutilidade, desânimo, desesperança e desamparo; - mudanças de apetite, perda ou ganho de peso; - perda do interesse sexual; - incapacidade de pensar, concentrar-se ou tomar decisões. Para se ter um diagnóstico clínico do TDM, esses sintomas devem ocorrer com freqüência por um período mínimo de duas semanas. Esses sintomas também podem ser resultado de outras doenças como hipertensão, diabetes, doença cardíaca e epilepsia. Então, é possível que o episódio depressivo seja um sintoma secundário de outra doença. Como não existe teste laboratorial para a depressão, os médicos podem realizar vários testes para descartar essas outras possíveis doenças. Se todas elas forem excluídas, permanece o TDM. CAUSAS DA DEPRESSÃO Afinal, o que causa o TDM? A causa exata é desconhecida, mas uma pesquisa feita deu ênfase ao equilíbrio de certas substâncias químicas chamadas neurotransmissores, especialmente a serotonina, a norepinefrina (também chamada de noradrenalina) e a dopamina. Esses neurotransmissores, particularmente a serotonina, são predominantes nas áreas do cérebro (sistema límbico, tronco cerebral) que controlam o humor e as emoções.
Observação: Muitas drogas que causam dependência como cocaína, metanfetaminas, LSD, heroína e maconha afetam as mesmas vias e neurotransmissores que o TDM.
A pesquisa indica que os pacientes com TDM não possuem serotonina nem norepinefrina suficiente nessas áreas do cérebro ou têm um desequilíbrio entre os dois tipos de neurotransmissores. Os antidepressivos foram desenvolvidos para aumentar os níveis desses neurotransmissores no sistema límbico. Assim, para compreender como funcionam os antidepressivos, devemos observar o processo da neurotransmissão. O cérebro e o sistema nervoso são feitos de células nervosas, ou neurônios. Assim como os fios no sistema elétrico de sua casa, as células nervosas se conectam em circuitos chamados vias neurais. Ao contrário dos fios na sua casa, as células nervosas não se tocam, mas ficam próximas em sinapses. Na sinapse, as duas células nervosas são separadas por um vão minúsculo, ou fenda sináptica. O neurônio que envia é chamado de célula pré-sináptica, enquanto o que recebe é chamado de célula pós-sináptica. As células nervosas enviam mensagens químicas chamadas de neurotransmissores em uma única direção pela sinapse, da célula pré-sináptica à célula pós-sináptica.
COMUNICAÇÃO NERVOSA
A célula pré-sináptica (célula que envia) fabrica a serotonina (5-hidroxitriptamina, 5HT) a partir do aminoácido triptofano e a embala em vesículas nos seus terminais. Um sinal nervoso eletroquímico passa pela célula pré-sináptica até seus terminais. O sinal nervoso estimula as vesículas que contêm a serotonina para fundir com a membrana celular e lançar a serotonina na fenda sináptica. A serotonina passa através da fenda sináptica, liga-se a proteínas especiais chamadas de receptores na membrana da célula pós-sináptica (célula que recebe) e forma um novo sinal eletroquímico nessa célula (o sinal pode estimular ou inibir a célula pós-sináptica). A serotonina se encaixa em seu receptor assim como uma fechadura e uma chave. As moléculas de serotonina restantes na fenda e as liberadas pelos receptores após o uso são destruídas pelas enzimas monoamino-oxidase e catecol-o-metiltransferase na fenda. Algumas são absorvidas por transportadores específicos na célula pré-sináptica (recaptação). Na célula pré-sináptica, as moléculas de serotonina absorvidas são destruídas pela MAO e pela COMT. Isso permite que o sinal nervoso se torne "desligado". Ocorre um processo semelhante para a norepinefrina, que também está envolvida na gênese dos transtornos do humor, das emoções e do TDM. A serotonina, a norepinefrina e a dopamina são quimicamente semelhantes e pertencem a uma classe de neurotransmissores chamados de neurotransmissores da monoamina. Como são substâncias químicas estruturalmente semelhantes, elas são reconhecidas pelas enzimas MAO e COMT. Todos os medicamentos antidepressivos são disponibilizados somente sob prescrição médica. Somente profissionais de saúde, como médicos e psiquiatras podem prescrever antidepressivos. Agora, vamos ver como funcionam os antidepressivos. Os antidepressivos foram desenvolvidos para bloquear vários aspectos do processo de transmissão sináptica nos neurônios que contêm serotonina, norepinefrina e dopamina no cérebro e, por isso, aumentam os níveis desses neurotransmissores. Com o aumento dos níveis dos neurotransmissores, o humor e as emoções devem se estabilizar e, talvez, voltar ao normal. Entretanto, como alguns desses neurotransmissores (como a norepinefrina) estão contidos nas vias neurais, em outras partes do cérebro e do sistema nervoso, alguns antidepressivos podem ter efeitos colaterais como mudança na pressão arterial e na produção de saliva. Além disso, como as vias envolvidas no TDM estão na parte inferior do cérebro e no tronco cerebral, os antidepressivos podem interferir em outras funções, como apetite, sono e função sexual. Os antidepressivos são classificados de acordo com os neurotransmissores que afetam e a forma como afetam. Vamos analisar os diferentes tipos de antidepressivos: 1. INIBIDORES SELETIVOS DE RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA (ISRS): Os ISRSs, antidepressivos prescritos com mais freqüência, foram introduzidos em meados da década de 80. Os ISRSs bloqueiam o transporte da serotonina de volta à célula pré-sináptica. Essa ação aumenta a concentração de serotonina na fenda sináptica, elevando o estímulo das células pós-sinápticas. Os ISRSs incluem os seguintes medicamentos: - fluoxetina (ProzacTM); - paroxetina (PaxilTM); - sertralina (ZoloftTM); - fluvoxamina (LuvoxTM); - citalopram (CelexaTM); - escitalopram (LexaproTM). Os diversos ISRSs são igualmente eficazes e tolerados pelos pacientes. Entretanto, ninguém reage da mesma forma, por isso, alguns pacientes podem sofrer mais efeitos colaterais com um tipo de ISRS do que com outro. A maioria dos antidepressivos é administrada mais de uma vez por dia. Mas a forma ativa da fluoxetina no corpo possui meia-vida longa (permanece por mais tempo) e, por esse motivo, os pacientes podem tomá-la uma vez por dia - minimizando a risco de esquecer uma dose. Em doses altas, a paroxetina e a sertralina interferirão na neurotransmissão da dopamina e da serotonina. Para diminuir os efeitos colaterais que podem fazer com que o paciente interrompa o uso do medicamento, os médicos geralmente iniciam os ISRSs com doses baixas e, lentamente, aumentam até a dose desejada. Os efeitos colaterais incluem náusea, tontura, vertigem, vômito, insônia, anorexia (em inglês), ansiedade e disfunção sexual. 2. ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS E INIBIDORES SELETIVOS DE RECAPTAÇÃO DE NORAEPINEFRINA: Os antidepressivos tricíclicos foram introduzidos no final da década de 50 e início da de 60. Como os ISRSs, esses compostos bloqueiam a recaptação da norepinefrina pela célula pré-sináptica, aumentando, assim, sua concentração na fenda sináptica. Os antidepressivos tricíclicos incluem: - nortriptilina (PamelorTM); - maprotilina (LudiomilTM); - desipramina (NorpramineTM); - amitriptilina (ElavilTM); - clomipramina (AnafranilTM); - imipramina (TofranilTM). Os antidepressivos tricíclicos afetam os batimentos cardíacos e a pressão arterial, pois a norepinefrina também é um neurotransmissor utilizado pelo sistema nervoso autônomo que controla a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Seus efeitos colaterais incluem hipotensão postural (pressão sangüínea abaixo do normal), taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), boca seca, retenção urinária e visão turva. Os antidepressivos tricíclicos não são usados com freqüência por apresentarem muitos efeitos colaterais. Entretanto, para os pacientes que não toleram os ISRSs ou outros antidepressivos, os tricíclicos são eficazes. Os médicos devem observar o paciente de perto para monitorar o aparecimento de efeitos colaterais graves. Os antidepressivos tricíclicos são inibidores não-seletivos da recaptação de norepinefrina, pois suas estruturas químicas se assemelham à norepinefrina. A reboxetina (EdronaxTM­) é um inibidor de recaptação mais específico, pois se fixa melhor no transportador da recaptação, mas não existe nos Estados Unidos. 3. INIBIDORES DE RECAPTAÇÃO DE SEROTONINA E NOREPINEFRINA (IRSN): Esses medicamentos foram introduzidos em meados da década de 90 e bloqueiam a recaptação da serotonina e da norepinefrina ligando-se aos transportadores desses neurotransmissores na célula pré-sináptica. Os IRSNs incluem: - bupropiona (WellbutrinTM) - bloqueia a recaptação da dopamina e da norepinefrina; - duloxetina (CymbaltaTM); - venlafaxina (EffexorTM). Os efeitos colaterais desses medicamentos são semelhantes aos dos ISRSs, porém mais fracos. A bupropiona e a duloxetina, em particular, têm efeitos colaterais mínimos nas áreas de disfunção sexual e em relação a aumento de peso.
4.INIBIDORES DA MONOAMINO-OXIDASE(IMAO): Uma enzima chamada de monoamino-oxidase pode degradar a serotonina e a norepinefrina na fenda sináptica e na célula pré-sináptica. Os IMAOs bloqueiam essa degradação, aumentando a concentração dos neurotransmissores. As IMAOs incluem: - fenelzina (NardilTM); - tranilcipromina (ParnateTM); - selegilina (EldeprylTM); - isocarboxazid (MarplanTM); - moclobemida (ManerixTM). Em virtude de esses medicamentos poderem interferir na norepinefrina, podem apresentar efeitos colaterais cardiovasculares. Mais freqüentemente, os pacientes devem limitar o consumo de alimentos que contêm tiramina, pois os medicamentos interagem com a tiramina para causar a crise hipertensiva (em inglês). A tiramina pode ser encontrada em alimentos como molho de soja, chucrute, fígado de galinha e de boi, queijo envelhecido, lingüiça, carne e peixe defumados, iogurte, uva-passa, figo e creme de leite. Os pacientes também devem evitar o consumo de álcool enquanto estiverem tomando esses antidepressivos. Devido a essas interações, os médicos não prescrevem essa classe de antidepressivos com tanta freqüência como outras. 5. INIBIDORES DE RECAPTURA/ANTAGONISTAS DA SEROTONINA-2(IRAS): Alguns desses compostos foram introduzidos em meados da década de 80, e outros ainda mais recentemente. Os IRAS bloqueiam os efeitos negativos na secreção da norepinefrina e da serotonina pela célula pré-sináptica. Essa ação aumenta as concentrações desses neurotransmissores na fenda sináptica. Eles também bloqueiam alguns receptores de serotonina na célula pós-sináptica, o que melhora a neurotransmissão da serotonina. Esses compostos incluem: - mirtazipina (RemeronTM); - trazodona (DesyrelTM); - nefazodona (SerzoneTM); - mianserina (BolvidionTM.) Os efeitos colaterais mais comuns são sonolência, boca seca, aumento de apetite e de peso. Lembre-se de que os antidepressivos disponíveis têm praticamente a mesma eficácia no tratamento do TDM. Então, as escolhas são feitas com base na idade do paciente, histórico familiar, tolerância ao medicamento, efeitos colaterais e respostas anteriores a antidepressivos. CONTROLE DO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO Não há cura para o TDM , por isso, os médicos devem cuidar de seus pacientes com o objetivo de diminuir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e minimizar quaisquer riscos de suicídio. O ideal é que o tratamento seja uma combinação de psicoterapia, medicamentos e conhecimento sobre o histórico do paciente. O tratamento do TDM foi dividido em 3 fases: aguda, continuação e manutenção [fonte: Mann]. FASE AGUDA Aqui, o objetivo é levar o paciente à remissão (estado com sintomas mínimos). Isso geralmente implica em terapia com antidepressivos. Normalmente, os ISRSs são os escolhidos, especialmente para crianças e pacientes de idade, pois podem ser utilizados em dosagens mais baixas e apresentam menos efeitos colaterais. Leva aproximadamente de quatro a seis semanas para qualquer antidepressivo fazer efeito. O médico e o paciente começam classificando a gravidade dos sintomas não tratados para estabelecer uma linha de base. Durante as primeiras quatro a seis semanas usando antidepressivos, os pacientes podem se submeter à psicoterapia e ao monitoramento de efeitos colaterais. O médico reavalia a gravidade dos sintomas e os compara à linha de base. Se, após oito semanas, a diminuição da gravidade for inferior a 25%, considera-se que esse antidepressivo não oferece melhora. Os médicos podem preferir mudar a dosagem ou a classe do medicamento, complementar o medicamento ou combinar classes de antidepressivos. Se houver sucesso, a fase aguda do tratamento pode durar de seis a dez semanas.
COMPLEMENTANDO OS ANTIDEPRESSIVOS Às vezes, os pacientes com TDM apresentam outros sintomas (mudanças de humor, delírios, alucinações), em parte, devido aos efeitos colaterais do antidepressivo ou de outros tipos de depressão (como transtorno bipolar - períodos de felicidade intercalados com períodos de forte depressão). Então, os médicos podem acrescentar outros medicamentos à terapia com antidepressivos. Estabilizadores de humor: lítio, lamotrigina (LamictalTM), ácido valpróico (DepakeneTM, DepakoteTM) Agentes antipsicóticos: clorpromazina (ThorazineTM) ou haloperidol (HaldolTM).
FASE DE CONTINUAÇÃO Após o início da remissão, os médicos tentam eliminar os sintomas restantes, fazer o paciente voltar a seu nível normal de atividade antes do episódio do TDM, além de evitar a recorrência desses episódios. Durante esse período, são mantidos os níveis de terapia com antidepressivo e psicoterapia para se chegar à remissão. Se após seis meses não houver reincidência, o medicamento poderá ser suspenso gradualmente durante algumas semanas. A fase de continuação do tratamento pode durar de seis a doze meses. FASE DE MANUTENÇÃO Essa fase é a mais importante para os pacientes com episódios anuais de depressão. Nesse período, os pacientes devem ser monitorados regularmente. Às vezes, a terapia com antidepressivo precisa ser reiniciada. A psicoterapia e o conhecimento do paciente são especialmente importantes. A fase de manutenção pode durar de um a três anos. GRUPOS ESPECIAIS E TERAPIA PARA DEPRESSÃO Ao optar pela terapia, alguns pacientes clinicamente deprimidos exigem considerações especiais: - transtorno bipolar: esses pacientes sofrem mudanças extremas de humor (períodos de felicidade excessiva seguidos de episódios de forte depressão). Normalmente, os antidepressivos são complementados com estabilizadores de humor. - crianças/adolescentes: a fluoxetina do ISRS é o único antidepressivo eficaz (e aprovado) para essa faixa etária. Existem relatórios que afirmam que crianças que usam antidepressivos têm mais chance de cometerem suicídio do que as que não utilizam esses medicamentos; embora alguns dados sugiram que isso possa ser verdade, não há provas conclusivas. Os médicos precisam pesar os riscos da terapia com antidepressivos e da depressão não tratada. Mais freqüentemente, o tratamento se associa a um menor risco de suicídio. - gestantes/mulheres pós-parto: a depressão pode ser um sintoma comum durante a gravidez e o pós-parto e geralmente, desaparece sozinha, mas, às vezes, a depressão grave deve ser tratada (em cerca de 10% das gestantes/mulheres pós-parto). Os antidepressivos podem passar para o feto e também para o recém-nascido através do leite materno. Os efeitos dos antidepressivos no feto em desenvolvimento e nos recém-nascidos não são muito conhecidos. Por esse motivo, os médicos devem considerar com cuidado os riscos e os benefícios do tratamento. O tratamento para a depressão não é um processo a curto prazo, mas um projeto a longo prazo com metas específicas de remissão e manutenção. Várias abordagens de medicamentos, psicoterapia e conhecimento do paciente são mais eficazes no tratamento do TDM. Uma consulta com um médico e/ou psiquiatra pode indicar as melhores opções de tratamento. FONTE: http://saude.hsw.uol.com.br/antidepressivos.htm

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