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domingo, 11 de junho de 2017

ASTRÔNOMOS DESCOBREM PLANETA QUASE TÃO QUENTE QUANTO O SOL

Cientistas encontraram um planeta cuja superfície tem uma temperatura que supera os 4.000 graus Celsius - ou seja, é quase tão quente quanto o Sol. Chamado pelos astrônomos de KELT-9b, ele orbita uma estrela muito quente e, além disso, fica muito perto dela, o que explica sua altíssima temperatura. Prova dessa proximidade é que o planeta completa uma órbita ao redor da estrela em apenas dois dias - para comparação, a Terra leva um ano para dar a volta em torno do Sol. Estar perto assim da estrela significa que o KELT-9b não conseguirá existir por muito tempo - os gases em sua atmosfera estão explodindo o tempo todo com a radiação, se perdendo no espaço. Pesquisadores afirmam que o planeta se assemelha a um cometa, pois circula a estrela de um polo a outro - mais um aspecto estranho da descoberta. As novidades foram divulgadas na publicação científica Nature.

'Estranho e raro'

As características e propriedades raras do KELT-9b também foram apresentadas nesta segunda-feira na reunião de primavera da Sociedade Americana de Astronomia, realizada em Austin, no Texas. "Nós descobrimos o KELT-9b ainda em 2014. E levou todo esse tempo para que finalmente nos convencêssemos de que esse mundo completamente estranho e raro era realmente um planeta orbitando outra estrela", disse à BBC Scott Gaudi, professor da Universidade Estadual de Ohio. "Nós sabemos o tamanho do planeta e o quão maciço ele é: cerca de 3 vezes a massa de Júpiter e 2 vezes o tamanho de Júpiter", contou. "Também conhecemos as propriedades da estrela: ela tem uma massa 2 vezes e meia maior que a do Sol e é quase 2 vezes mais quente que ele. E está girando muito rápido, então pareceria muito achatada aos nossos olhos."
O movimento do planeta está, de certa forma, bloqueado pela estrela - ele mantém a mesma face virada para ela. Assim como a nossa Lua faz - ela nunca mostra à Terra seu lado oposto. Essa característica faz a temperatura do "lado diurno" do KELT-9b chegar a 4.300 graus Celsius - mais quente do que a média registrada na superfície de uma anã vermelha, o tipo de estrela mais comum na Via Láctea.

Destruição à vista

A estrela principal, conhecida como KELT-9, irradia tanta luz ultravioleta que pode corroer completamente a atmosfera do planeta. A equipe de Gaudi calcula que, com isso, cerca de 10.000 ou até 10 milhões de toneladas de material podem estar sendo perdidas por segundo. Se o KELT-9b possuir um núcleo rochoso, ele poderá ficar completamente exposto em algum momento, mas o cenário mais provável é que o planeta acabe "engolido" pela estrela. A KELT-9 é classificada como uma estrela do tipo A, o que significa que ela brilha bastante e terá uma vida breve. Os exemplares dessa classe existem apenas por milhões de anos, em vez dos bilhões de anos estimados para a vida do nosso Sol, por exemplo. Por causa disso, pode não demorar para que a KELT-9 inche, conforme seu combustível se esgote, e "engula" o planeta. A descoberta foi feita usando um sistema telescópico avançado, optimizado para registrar estrelas brilhantes. A Universidade Estadual de Ohio opera o sistema em dois lugares - um no Hemisfério Norte e outro no Sul. O trabalho é feito em parceria com as universidades Vanderbilt e Lehigh e o Observatório Astronômico Sul-Africano. FONTE:http://www.bbc.com/portuguese/geral-40127067

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