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quarta-feira, 7 de maio de 2014
A VINGANÇA É UM ALÍVIO?
Ao redor da vingança se aglutina muito conhecimento popular, do tipo "A vingança é um prato que se come frio!" ou "Olho por olho, dente por dente!" ou até o "Vá em frente, alegre meu dia!" de Dirty Harry. Mas que nos dizem os estudos sobre a vingança? Realmente resulta uma tarefa satisfatória? Alivia ou acaba sendo improdutiva? A vingança é mesmo doce?
O que indicam as pesquisas em relação à vingança, no entanto, parece dizer que, conquanto a vingança resulte doce enquanto está sendo planejada, sua consecução não reporta benefícios destacáveis, o que confirmaria que a vingança é um prato que se come frio e, por consequência, insosso.
Evolutivamente, parece que a vingança nasceu mais como um mecanismo de controle social da comunidade que da satisfação individual. Quem se vinga está realizando uma classe de castigo altruísta, sacrifica seu bem-estar com objetivo de penalizar a quem comportou-se mal. Um estudo realizado na Suíça e publicado na revista Science parece corroborar esta hipótese.
Em outro estudo, pesquisadores da Universidade de Zurique realizaram um jogo com dinheiro real com diversos voluntários, no qual forçavam um dos participantes a trair o grupo, rompendo a barreira social. Ao escanear seus cérebros, observaram que enquanto aplicavam as medidas punitivas ao traidor, em seus cérebros ativavam as áreas relativas aos mecanismos de recompensa. Dominique J.-F. de Quervain, responsável pelo experimento, explicou-o assim:
- "O fato de que as pessoas tenham prazer em castigar as más ações alheias pode ser um mecanismo evolutivo que foi gerado há milhares de anos. Quando ainda não existiam organizações encarregadas de fazer a justiça, a vingança era uma arma necessária para a sobrevivência".
No plano individual, não coletivo, a vingança não produz nenhum benefício. O que acontece realmente é que ao evitar a vingança, contribuímos para esquecer a ofensa sofrida, trivializando-a. Do contrário, quando nos vingamos, já não será algo trivial, e não poderemos esquecer, apesar de que tenhamos devolvido o dano causado na mesma moeda. Ademais, a vingança pode chegar a produzir remorsos, porque as vezes resulta mais cruel que o dano sofrido, fazendo com que a vítima queira dar o troco, o que pode criar um looping de vinganças e isso em geral não acaba bem.
Deixar o tempo passar facilita para que esqueçamos a ofensa, e inclusive que nos reconciliemos com o agressor, tal e qual explica o estudo Revenge: An Analysis of Its Psychological Underpinnings". Algo que ocorre em realidade na maioria dos casos é que costumamos ter fantasias com a vingança, mas ela raramente é levada à prática. Por isso as pessoas desfrutam tanto dessas novelas da TV, onde mais dia menos dia, a mocinha, que passou a história inteira se portando como uma total idiota sofredora, de repente dá a volta por cima e sai se vingando de todo mundo. Para quem vê é uma espécie de catarse.
Triste é saber que grande parte dos homicídios, segundo os criminologistas, advém de uma represália pessoal; pessoas que se vingam, mas que finalmente não conseguem, ao que parece na maioria dos casos, acalmar sua dor. Tal e qual afirmava o sociólogo e especialista em leis Donald Black em seu influente artigo "O crime como controle social", onde indica que quase tudo o que chamamos de crime é, desde o ponto de vista do ofensor, busca de justiça.
Contudo, muitos seguimos nos vingando como se de tal forma pudéssemos acalmar nossa raiva, como um náufrago que morre de sede mais rápido ao beber a água do mar. Tudo isso poderia ser evitado se seguíssemos o conselho do sábio Seu Madruga - "A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!"
FONTE:mdig
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