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sexta-feira, 9 de maio de 2014
SER CONSCIENTE DE SUAS HABILIDADES E ESTAR INSPIRADO É MAIS IMPORTANTE DO QUE UM QI ALTO
O Quociente Intelectual é uma medida de referência muito utilizada em anos recentes para classificar a capacidade cognitiva, mas de jeito nenhum limita ou determina a capacidade das pessoas, como demonstrado em diversos estudos recentes que questionam a sua aplicação. Assim, um psicólogo dedicou-se a demonstrar o que faz com que as pessoas com baixos níveis de QI possam ser tão ou mais capazes em suas funções laborais.
O mito do QI reproduz um padrão de extremo sucesso e relaciona-o à percepção de sucesso que pode ter uma pessoa sobre si mesma, dependendo de sua inteligência intelectual. No entanto, recordemos que não é o único tipo de inteligência que existe, e muito menos o único que importa; no caso das crianças, encerrar-se na avaliação de um número pode inclusive ter repercussões em sua autoestima e a formação de sua subjetividade.
O psicólogo da Universidade de Nova York, Scott Barry Kaufman, analisa este fenômeno em seu livro "Ungifted: Intelligence Redefined", onde questiona a ideia de que só as pessoas com altos índices de QI são criativos ou dotados de qualidades desejáveis.
Suas debilidades podem estar conectadas a suas fortalezas
Em seu livro, Kaufman afirma que diagnósticos como o de dislexia ou autismo, que em nossa sociedade são percebidas como doenças, de fato podem ser vantajosas. As pessoas com autismo vem demonstrando ser excelentes em atividades de programação, e as pessoas com dislexia parecem ter um nível mais alto do que a média quanto a inteligência espacial. Alguns disléxicos famosos nos permitem questionar a ideia de deficiência e contribuem um novo sentido à noção politicamente correta de capacidades diferentes.
Disléxicos costumam ter o lado direito do cérebro mais desenvolvido que o esquerdo. Com isso, possuem facilidade para atividades ligadas à criatividade. Por isso, a recorrência do distúrbio é grande entre cientistas, escritores e personalidades dos mundos empresarial e político. Abaixo uma lista de disléxicos famosos:
Agatha Christie;
Andy Warhol;
Charles Darwin;
Cher;
Franklin D. Roosevelt;
George Washington;
Leonardo Da Vinci;
Napoleão Bonaparte;
Pablo Picasso;
Robin Williams;
Thomas A. Edison;
Tom Cruise;
Tommy Hilfiger;
Vincent van Gogh;
Walt Disney;
Whoopi Goldberg;
Winston Churchill.
Inspiração, inspiração, inspiração
A capacidade de dedicar a nossa atenção e energia em um projeto ou trabalho depende da administração efetiva de nossos recursos psíquicos. A pessoa com altos níveis de inspiração, diz Kaufman, é a que consegue levar um processo a suas últimas consequências. Após tudo uma ideia revolucionária é só uma primeira parte do processo criativo; a capacidade de trabalhar e dedicar tempo e atenção a ela é que fará a diferença no final. O novelista Henry Miller costumava dizer "quando não é possível criar, é possível trabalhar", no sentido em que se a inspiração falha, a disciplina e a capacidade de realizar tarefas pendentes também contribuem estruturalmente no processo.
Delegação e autonomia
Kaufman analisou pesquisas onde demonstraram que os estudantes aprenderam melhor quando sentiram que tinham opções sobre os possíveis cursos de ação. Em vez de pedir-lhes que obedecessem ordens ou instruções, com frases como "deve fazer" ou "é necessário que...", obtiveram melhores resultados nas provas quando lhes diziam "pode fazer" ou "pode escolher". A capacidade para dirigir os próprios esforços (além da capacidade de delegar para outros, como os dirigentes ou gerentes que permitem que seus empregados tenham autodeterminação sobre seu próprio trabalho) gera uma sensação de autonomia que pode ser muito motivante para qualquer um.
Deixe de falar mal de você
Aprendemos por repetição, de modo que se uma criança cresce escutando de seus pais e professores que pode fazer determinada tarefa, seu desempenho será melhor do que o de uma criança cuja capacidade não foi fomentada. Da mesma forma todos temos um censor ou um narrador mal intencionado que nos diz, durante todo o tempo, tudo o que está errado com respeito a nós e ao mundo. Este mecanismo de defesa evolutivo é benéfico porque alerta-nos de áreas cinzas e de oportunidade para melhorar, mas a autocrítica é bem diferente da autosabotagem. Não se trata de uma lavagem cerebral, simplesmente de se tornar consciente de que a atenção que prestamos à autosabotagem se repetirá como um padrão automaticamente aprendido, que pode ser desativado tomando consciência da direção de nossa atenção.
Fonte: Co.Create
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