Postagens populares
-
Desde a adolescência até a meia-idade ou um pouco mais somos capazes de nos reproduzir. O sexo tem um papel importante em nossa cultura; nós...
-
Da adolescência à menopausa, a menstruação faz parte da vida de toda mulher. É sinal de saúde na fase reprodutiva. Sua ocorrência é resultad...
-
Há algum tempo, a revista “Super Interessante” publicou uma matéria a respeito das piores dores do mundo. O método para medir a intensidade ...
-
Os tubarões são, talvez, as criaturas que mais aterrorizam as pessoas em todo o mundo. Sua temível aparência, tamanho grande e seu ambiente ...
-
De acordo com especialistas, cerca de 75% das mulheres terão pelo menos uma vez a infecção ao longo da vida. A doença é causada por um fungo...
-
As tempestades elétricas Numa tempestade elétrica, as nuvens de tempestade estão carregadas como capacitores gigantes no céu. A parte superi...
-
Segundo os médicos, ela não é tão preocupante quanto a bacteriana. Consiste numa inflamação da membrana chamada meninge, que reveste o siste...
-
O que a maioria das pessoas sabe sobre esteróides é que eles fazem os músculos crescerem e que eles fazem mal à saúde. Tanto que as ligas es...
-
Nós não somos os primeiros habitantes da Europa. Quase tudo o que nos ensinaram sobre a história antiga está (deliberadamente) errado. Ass...
-
Quem nunca sonhou em ser astronauta para um dia poder fazer uma viagem espacial? Até hoje, as imagens do homem chegando à Lua encantam inúme...
quarta-feira, 7 de maio de 2014
QUAL A FALIBILIDADE TEMPORAL DE SUA MEMÓRIA?
Pese que esqueço nomes com muita facilidade, tenho o que chamam de memória de elefante: se eu tiver contato com uma pessoa uma única vez e só encontrá-la 10 anos depois vou saber de quem se trata, mas isso não vale de nada porque muitas vezes esqueço o que fiz de manhã.
Como conheço esta falha do meu cérebro faz muito tempo, tenho o costume de escrever um diário com as coisas boas e ruins que acontecem na minha vida, para mais tarde poder me situar no tempo e para evitar possíveis burradas futuras. Sei que não estou contando nada de novo, a memória humana constantemente se equivoca, e isso é fácil de demonstrar cientificamente. Efetivamente, basta conversar com duas pessoas diferentes que foram ao mesmo evento para comprovar, entre outras coisas, que elas não foram ao mesmo show e que a memória humana não só é seletiva, senão que inclusive pode guardar também lembranças falsas.
Este é um fato tão conhecido que os neurocientistas já não veem como um simples erro uma lembrança distorcida dentro da narração de uma pessoa, senão que incluíram a análise desses "erros" como uma ferramenta muito útil para elaborar o psicodiagnósticos do paciente: por que recorda as coisas precisamente assim? Quais são as causas que o levam a equivocar isto e não aquilo? Por que não mencionou algo tão relevante como isto?
Sabemos que a memória nos engana quando, por exemplo, nos encontramos em uma reunião familiar e alguém -pode ser a irmã ou irmão-, jura e perjura que chorávamos vendo o filme da Xuxa. Algo que já não lembramos e que nem sobre tortura confessaríamos se caso viéssemos a lembrar, porque tem certas coisa que preferimos apagar. Mas também há muitas coisa que ficamos felizes quando são reaviavadas em nossas lembranças opacas.
Em resumidas contas, a falibiliade da memória humana se materializa à cada momento. Não obstante, no sistema de justiça atual outorga-se um grande peso aos depoimentos de testemunhas e na vida cotidiana existem verdadeiras batalhas conceituais cujos argumentos se baseiam na "certeza" que têm aqueles que discutem a respeito de suas lembranças e experiências.
Então, o que fizeram sete pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine foi testar um grupo de pessoas com uma memória autobiográfica altamente superior (HSAM, por suas siglas em inglês), em um estudo publicado na revista PNAS.
Sim, existem (poucas) pessoas que têm uma capacidade impressionante para recordar eventos de sua vida, inclusive eventos muito longínquos. Tomemos como exemplo Frank Healy, uma das cinquenta pessoas confirmadas com HSAM nos EUA, que, quando perguntam uma data a esmo, digamos 25 de março de 1996, pode reconstruir suas ações daquele dia tim-tim por tim-tim, incluindo mesmo as mais insignificantes: que tomou no café da manhã, que canção tocava no rádio enquanto se dirigia para o trabalho, etc.
Bom, pois inclusive entre este grupo de pessoas com memória autobiográfica excepcional encontrou-se que seu cérebro reconstrói lembranças incorporando eventos posteriores a estes -isto é, "contaminando" a lembrança inicial-, e que também usam associações para recordar, o que necessariamente introduz desinformação ou variantes no que "verdadeiramente" tenha acontecido.
Em um dos testes realizados no estudo, os voluntários foram informados de que existia um noticiário dando conta da queda de um avião da United 93 no estado da Pensilvânia em 11 de setembro de 2001. Algo que em realidade nunca aconteceu e, lógico, cujas imagens reais nunca existiram. Quando perguntados posteriormente se eles se lembravam de ter visto as imagens antes, 20% dos indivíduos com HSAM indicaram que sim, em comparação com 29% das pessoas com memória normal.
Segundo os pesquisadores, existem várias formas variadas de "implantar" falsas memórias nas pessoas. Uma delas é um procedimento conhecido como "sugestão de falsa informação", que foi usado no estudos. Esse técnica envolve questionar a presença de um estímulo compatível durante um fato vivenciado de foram sugestiva. Quanto mais provável e conveniente for esse estímulo maiores serão as chances de serem incluídos na memória da pessoa.
O resultado do experimento, pois, reduz-se a uma frase: "Ninguém é imune a ter falsas lembranças". O que já sabíamos agora é comprovado cientificamente, evento que pode significar uma ameaça para todas as atividades que se baseiam na memória de acontecimentos passados como ferramenta principal. Isto é, diante da falibilidade do cérebro humano, a justiça poderia condenar um réu acusado por uma única testemunha presencial do crime?
Ao final, o que se destaca uma vez mais é que a identidade do ser humano, intimamente relacionada à memória, é uma atividade narrativa, e como tal, inconstante, segundo as perspectivas desde as quais é abordada -situações emocionais, distância temporal, desejos e expectativas que se têm sobre si mesmo, etc.-.
Quanto tempo você leva para esquecer das coisas que fez?
FONTE:MDIG
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário