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terça-feira, 8 de abril de 2014

MITOS E VERDADES SOBRE REMÉDIOS

1-As pessoas se automedicam achando que têm conhecimento suficiente. VERDADE: automedicação significa tomar remédios por conta própria, sem orientação de um profissional especializado. Apesar de ser claramente uma atitude pouco sábia, é extremamente comum. "Vários fatores podem levar a isso. Talvez dois sejam os principais: o fácil e enganoso acesso a informações e a praticidade da conduta", acredita o psiquiatra e professor da Unifesp Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Ipan (Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação). A internet, a televisão e outros meios de comunicação têm um papel importante para informar sobre como cuidar da saúde, mostrando notícias sobre novidades e avanços na medicina. "Contudo, não podem de forma alguma servir para um autodiagnóstico e muito menos a automedicação. Consultar um médico pode ser trabalhoso, tomar tempo e dinheiro. Muitas vezes não se consegue uma consulta rápida; em outras, o doutor pede exames que demoram para dar um resultado. Com isso, a terapia é lenta e 'adeus' àquela sonhada solução rápida. Não importa, nenhuma dessas dificuldades justificam a automedicação". 2-Descongestionantes nasais e anticoncepcionais são os fármacos mais consumidos sem prescrição. VERDADE: No Brasil, de acordo com a IMS Health, consultoria especializada em dados de saúde e que lança relatórios periodicamente, o item mais comercializado em 2012 foi um descongestionante nasal. Analgésicos e anticoncepcionais também constam na lista dos dez mais. 3-Certos medicamentos são livres de efeitos colaterais. MITO: para a maior parte das pessoas saudáveis, os medicamentos naturais ou fitoterápicos não têm contra-indicação. Entretanto, a pessoa deve consultar seu médico para usar qualquer fitoterápico, pois há possibilidade de interação entre os medicamentos. "Os fitoterápicos são erroneamente considerados desprovidos desses efeitos adversos. Na dose errada, causam principalmente problemas hepáticos e renais", alerta a farmacêutica Fernanda Chalabi. "Além disso, alguns componentes naturais influenciam em doenças crônicas. Por exemplo, a cáscara sagrada origina distúrbios de sódio e potássio na circulação sanguínea, e mesmo desidratação, sendo contraindicada na gestação pelo perigo de estimular contrações uterinas e durante a amamentação (pelo risco de causar diarreia no bebê). Outro exemplo é o ginkgo biloba, que pode causar dores de cabeça, reações alérgicas e até hemorragias", diz Lucas Zambon, médico de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas. Também é possível que a passiflora interaja com anticonvulsivantes e ansiolíticos, potencializando seus sinais negativos. 4-Não faz mal tomar ácido acetilsalicílico. MITO: trata-se de um anti-inflamatório que, a depender da dose utilizada, terá efeito analgésico e antitérmico. É habitual que indivíduos com problemas cardíacos a recebam como prescrição, porém, em doses bastante pequenas, normalmente em torno de 100 mg por dia, equivalente a um comprimido da versão infantil. "Nesta dosagem menor, exerce um efeito protetor contra infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, pois minimiza a formação de placas no interior das artérias, que são as causas desses eventos. Alguns dos revezes associados ao uso a longo prazo, ou em doses altas, são sangramentos digestivos, desenvolvimento de insuficiência renal e há até risco de morte em casos de intoxicação por exagero na quantidade. Por isso, quem usa cronicamente precisa de acompanhamento médico para monitorar esse tipo de ocorrência", alerta o médico de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas Lucas Zambon. "Cabe ao profissional, e somente a ele, conhecer a medicação e o paciente que irá usá-la, pesando riscos versus benefícios. Ter domínio sobre farmacologia, efeitos do remédio no organismo (farmacodinâmica) e do corpo sobre a medicação (farmacocinética), além de todos os problemas de saúde do paciente (vícios, medicações em uso e o problema atual que demanda o uso do fármaco em questão)", complementa o neurologista Flávio Sallem. 5-O ansiolítico Rivotril (clonazepam) é um dos medicamentos mais consumidos do Brasil. VERDADE: consta na lista dos dez mais. O neurologista Flávio Sallem sustenta que o Rivotril é realmente uma das medicações mais consumidas no país, mas não se encontra nas listas das mais usadas no mundo. "Sua fama se deve, entre outros fatores, à propaganda feita sobre o produto, ao conhecimento médico a seu respeito e aos seus efeitos. É usado no tratamento da ansiedade e da insônia, situações comuns entre nosso povo". Seus principais concorrentes são o Lexotan (bromazepam), Frontal (alprazolam) e Olcadil (cloxazolam). "Trata-se de mais uma consequência do estilo de vida atual e de uma sociedade que quer soluções milagrosas e de curto prazo", destaca o clínico geral Lucas Zambon, do Hospital das Clínicas de São Paulo. 6-Remédios para cortar apetite podem gerar psicose. VERDADE: o clínico geral Lucas Zambon, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que para controlar a ansiedade e perder peso o ideal é mudar o estilo de vida, adequando a alimentação e realizando atividade física periódica. "O problema é que a maioria ou não quer ou não consegue impor tais alterações em seu cotidiano, optando por uma alternativa que ofereça, supostamente, um resultado mais rápido. Aí, quando querem perder peso, correm para alguma medicação 'facilitadora'. Em relação aos 'emagrecedores' de uma maneira geral, há risco de gerarem efeitos colaterais cardíacos, como arritmias, além de predisposição ao desenvolvimento de quadros depressivos ou de psicose, entre outros". Ele lembra que o Xenical é bastante procurado ainda, pois até pouco tempo podia ser comprado sem receita. Recentemente, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tornou obrigatória a necessidade de receita para compra. "As vantagens do Xenical são mais do ponto de vista médico, dado o perfil de efeitos colaterais menos graves do que de outros medicamentos utilizados para emagrecer. Seus sinais se referem mais ao próprio trato digestivo, como diarreia, flatulência e dores abdominais", conclui. 7-Pessoas têm uma falsa impressão que estão cuidando da saúde ao ingerir remédios. VERDADE: é preciso lembrar sempre que as medicações são geralmente substâncias estranhas ao organismo, podendo ocasionar algum tipo de efeito colateral, que é uma resposta do organismo a este agente estranho. "Algumas são graves e até fatais. Também vale ter em mente que os fármacos podem ter duas funções diferentes: aliviar sintomas ou tratar doenças", considera o psiquiatra Moacyr Alexandro Rosa, especialista em transtornos mentais e diretor do Ipan (Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação). Ele explica que há um importante aspecto envolvido: a Aspirina é bastante empregada para dor de cabeça, por exemplo, dando alívio momentâneo. "Porém, se a causa do sintoma não for cuidada, uma medicação sintomática pode apenas mascarar uma doença, fazendo com que esta evolua e se torne cada vez mais difícil de ser tratada". O neurologista Flávio Sallem arremata: "Algumas doenças que se assemelham em suas fases iniciais respondem de formas diversas ao mesmo remédio. Voltando à dor de cabeça (cefaleia) como sintoma, ela pode estar presente em várias doenças, das mais benignas, como a tensional, às mais severas, como por sangramento cerebral. Agora imagine alguém com dor de cabeça deste último tipo se automedicar com Aspirina, aumentando a possibilidade de sangramento!". 8-Exagero na automedicação pode ser sinal de problema psicológico. VERDADE: o indivíduo liga a sensação de conforto ao seu uso e, por isso, deixá-lo provoca quadros de ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração e mal-estar. "É a dependência psicológica agindo, sem dúvida", diz a farmacêutica bioquímica Fernanda Chalabi. O nível educacional parece ter influência significativa, mas há outros gatilhos. "Muitas pessoas com nível cultural elevado têm o hábito da automedicação. Achar que quem o atende na farmácia sabe diagnosticar e orientar é um erro gravíssimo. Muitas vezes nem é farmacêutico e, mesmo este, apesar de seu conhecimento em farmacologia, não tem formação médica", alerta Moacyr Alexandro Rosa, diretor do Ipan. Importante: existe um quadro psiquiátrico clássico chamado de hipocondria, no qual as pessoas acreditam ter uma doença grave. "Nestes casos, pode haver automedicação ou não. Muitas vezes, procuram diversos médicos pois nenhum consegue 'descobrir' sua doença". A farmacêutica e bioquímica Fernanda Chalabi completa dizendo que, num país carente como o nosso, com saúde pública deficiente e planos de saúde caros e sem padrão de atendimento, o estado psicológico é muito importante. "É como se as condições do paciente melhorassem só porque ele está 'tomando alguma coisa'. É o chamado efeito placebo, ou seja, mesmo que o fármaco não seja indicado corretamente ou na dose certa, o simples fato de estar ingerindo-o já produz um efeito positivo". 9-Medicamentos podem gerar dependência. VERDADE: "Na dependência química, o medicamento começa a fazer parte do metabolismo do indivíduo. Geralmente, são remédios ou drogas ilícitas que conferem sensação de prazer e bem-estar agindo no Sistema Nervoso Central, mas com grandes danos ao organismo. A retirada de uma droga desse tipo promove sintomas característicos de abstinência que devem ser tratados como doença", enfatiza a farmacêutica e bioquímica Fernanda Chalabi. Para o neurologista Flávio Sallem, certas medicações podem se relacionar com algum grau de dependência química, como os opiáceos e opioides (morfina, dolantina e meperidina). Já outras, como antidepressivos, antipsicóticos e esteroides, trazem o perigo de sintomas muitas vezes graves com sua parada abrupta, o que não caracteriza dependência química. "Não deve ser confundida a dependência com o fenômeno de tolerância, ou taquifilaxia, observado com os benzodiazepínicos (famosos 'faixas preta'). Neste caso, com o passar do tempo e uso do fármaco, o paciente vai necessitando de doses cada vez maiores para conseguir o mesmo efeito que antes ocorria com porções menores da medicação. Isso ocorre por alterações químicas na membrana da célula". Existem dois tipos principais de dependência química: a que se refere a drogas lícitas e a relacionada a drogas ilícitas. "Apesar de ser um aspecto importante, a diferença não é apenas de cunho legal. No caso das drogas lícitas, o efeito entorpecente existe em graus variados, mas tende a ser menor do que o das drogas ilícitas. Como exemplo, dificilmente alguém comete um crime devido ao uso de ansiolíticos (medicações que podem causar dependência com uso prolongado)", salienta o professor da Unifesp, Moacyr Alexandro Rosa. "Já o uso de cocaína e similares mais facilmente se incorpora a comportamentos inadequados ou criminosos. E novamente chamo a atenção de que não é uma questão de legalidade. O álcool (substância lícita) também se associa a atitudes perigosas", diz Rosa, acrescentando que a automedicação com substâncias que causam dependência é mais rara, pois a compra destas requer receita médica especial. Isso não impede, mas limita bastante o problema. 10-Livrar-se da dependência química é mais difícil do que parece. VERDADE: medicamentos interagem com o metabolismo. A farmacêutica bioquímica Fernanda Chalabi cita o fumante como exemplo. "A nicotina já faz parte do organismo e, quando é retirada, origina quadros de ansiedade, levando o indivíduo a uma fuga no tabaco. É necessária muita forma de vontade e perseverança para deixar o vício". O mesmo pode acontecer em quem ingere ansiolíticos e analgésicos por conta própria. 11-É preciso orientação até para usar uma simples pomada para assadura. MITO: "No caso dessas pomadas, a probabilidade de causar algum tipo de reação é pequena, não sendo necessária a indicação médica, por isso mesmo é vendida livremente na farmácia. Mesmo assim, pode acontecer algum tipo de reação alérgica aos componentes da fórmula, que desaparece com a suspensão do uso", explica a farmacêutica bioquímica Fernanda Chalabi. 12-A alta tributação de remédios no Brasil não impede as pessoas de se automedicarem. VERDADE: segundo dados recentes, a tributação média no resto do mundo é de 6%. No Brasil é de 34%. Um exemplo: o analgésico Dorflex tem 27% de imposto embutido no seu preço. Do valor de R$ 12,10, teto estabelecido pelo governo federal, R$ 3,30 são tributos. Mas mesmo com uma tributação tão alta e alguns não conseguindo comprar sequer medicamentos necessários, pessoas continuam indo atrás de alívio em remédios sem prescrição e acompanhamento médico. 13-Remédios para emagrecer estão entre os que mais atraem consumidores. VERDADE: a obesidade já se tornou uma epidemia mundial e preocupa os órgãos de saúde pública, sendo considerada uma doença multifatorial. O aumento da oferta de alimentos processados, o estresse e o sedentarismo estão entre outros fatores causadores. "Em geral, as mulheres são consumidoras em potencial de medicamentos para emagrecer, nunca estão satisfeitas com o corpo e desejam sempre perder um ou dois quilos. No Brasil, sendo um país tropical, onde existe uma exposição maior do corpo, estar em forma é uma questão de aceitação social", observa a farmacêutica Fernanda Chalabi. "O país é um dos países onde o consumo de moderadores de apetite bate recordes", destaca o neurologista Flávio Sallem. Existem três principais grupos de remédios para emagrecer: anorexígenos, sacietógenos e inibidores de absorção de gorduras. Os anorexígenos inibem o apetite e têm em sua composição substâncias conhecidas como anfetaminas (que podem ser perigosas). O segundo grupo age no estímulo da sensação de saciedade: o indivíduo sente fome, mas com uma porção menor de alimentos fica satisfeito. O terceiro atua na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida, entretanto só ajuda se a pessoa come pouco (se come muito, os 30% que deixam de ser absorvidos podem não ser suficientes para a perda de peso). 14-Tomar remédio sem orientação pode causar problemas graves. VERDADE: "Ingerir um medicamento inadequado para o problema ou de forma errada, como em dose ineficaz ou excessiva, pode mascarar os sintomas de uma doença mais séria ou até provocar distúrbios importantes como uma lesão hepática, por exemplo", adverte a farmacêutica bioquímica Fernanda Chalabi. 15-Produtos naturais para emagrecer, como quitosana, são seguros. PARCIALMENTE VERDADE: trata-se de um produto natural extraído de crustáceos com uma ação positiva no emagrecimento, pois inibe a absorção de gordura. "Mesmo assim, pode causar efeitos colaterais em indivíduos alérgicos a frutos do mar", diz a farmacêutica Fernanda Chalabi. Supostamente, apresenta um mecanismo de absorção de gordura que diminui o valor calórico das refeições. "No entanto, estudos não comprovaram sua eficácia cientificamente. Parece que sua ajuda no emagrecimento depende da dieta individual", completa. FONTE:http://noticias.bol.uol.com.br/

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